Fé simples: o poder do cotidiano

A fé não é um poder gerador, se temos fé Deus não se torna nosso escravo, a fim de fazer o que queremos, quando queremos

Fonte: Mário Thauan - Publicada em 21 de julho de 2026 às 19:28

Fé simples: o poder do cotidiano

O que é a fé? Um sentimento? Uma ideia? Uma cosmovisão? Na realidade, a fé é a confiança daquilo que esperamos e a certeza das coisas que não vemos (Hb‬ ‭11‬:‭1‬). Nessa perspectiva, ela é uma convicção de algo que ainda não está palpável ou visível. Contudo, esse conceito pode nos fazer confundir a fé verdadeira e duradoura com um sentimento de que Deus necessita realizar atos milagrosos em nossas vidas, pois cremos que Ele pode fazer. Como se a fé criasse uma obrigação moral em Deus, de fazer aquilo que queremos, e não o contrário. 

A fé não é um poder gerador, se temos fé Deus não se torna nosso escravo, a fim de fazer o que queremos, quando queremos. Ela, pelo contrário, torna-nos cada vez mais obediente a Ele, e significativamente muda nossas ações de forma concreta a fim de fazer a Sua vontade, ao invés da nossa própria. Abraão teve fé, por isso saiu de sua terra. Noe teve fé, por isso construiu uma arca. Moisés teve fé, por isso confrontou o faraó e conduziu o povo no deserto. A priori nenhum deles planejava fazer qualquer dessas coisas, não queriam sair de seu conforto, mas fizeram porque confiaram na Palavra de Deus. 

A fé não precisa de experiências extraordinárias, ou de novas conclusões que explodem cabeças. Em geral, queles que tem fé não costumam ouvir a voz audível de Deus diariamente, nem mesmo orar e o mar abrir. O que eles fazem com constância não são ações excecionais, mas sim, orações, leitura da Palavra e contemplação da criação. A fé é um exercício de confiar em algo que não é visível ou palpável, e ao tentar sustentar nossa confiança em experiências pessoais, estamos indo contra esse princípio. Portanto, se minha fé é fundamentada em um dia que tive uma visão, ou se ela está pautada em uma vez que recebi uma palavra de conhecimento, ou uma profecia (para aqueles que creem na continuidade dos dons), então ela está firmada em algo palpável ou visível, e por isso não pode ser chamada de fé. 

Não quero dizer, com isso, que essas experiências não são importantes, com certeza são, elas podem fortalecer a confiança ou até iniciá-la, entretanto, nunca sustenta-la. A fé é mais simples do que esperar conferências na igreja local para receber um “grande avivamento”, a fé está no cotidiano, como dito, na oração, leitura e contemplação. Se hoje deixarmos de ter essas experiências extraordinárias, ainda teremos fé? Ou desfaleceremos? Se não virmos as promessas de Deus se cumprir, ainda teremos fé? Ou desfalaceremos? 

A fé é a confiança no Deus invisível, que se fortalece no dia a dia simples de qualquer pessoa. Ela nos conduz a uma vida que apesar de suas aflições, seremos alegres e contentes, pois, cremos que o Senhor está no controle, ouve nossas orações e está a favor de nós. Afinal, se Deus é por nós, quem será contra nós? (Rm 8:31). Nessa perspectiva, refletimos na pergunta que Jesus fez: Quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra? (Lc 18:8).

Mário Thauan, nascido em Belém do Pará, Brasil, é um estudante de Teologia, pela faculdade Dunamis, esposo e pai. iniciou sua jornada cristã aos 10 anos de idade, e cresceu ouvindo o evangelho. Aos 18 anos começou a estudar Teologia com cursos básicos, através da sua igreja local, e a servir no ministério de evangelismo. Em 2024 mudou-se para Portugal, onde casou-se, teve sua filha e onde congrega atualmente.

Fé simples: o poder do cotidiano

A fé não é um poder gerador, se temos fé Deus não se torna nosso escravo, a fim de fazer o que queremos, quando queremos

Mário Thauan
Publicada em 21 de julho de 2026 às 19:28
Fé simples: o poder do cotidiano

O que é a fé? Um sentimento? Uma ideia? Uma cosmovisão? Na realidade, a fé é a confiança daquilo que esperamos e a certeza das coisas que não vemos (Hb‬ ‭11‬:‭1‬). Nessa perspectiva, ela é uma convicção de algo que ainda não está palpável ou visível. Contudo, esse conceito pode nos fazer confundir a fé verdadeira e duradoura com um sentimento de que Deus necessita realizar atos milagrosos em nossas vidas, pois cremos que Ele pode fazer. Como se a fé criasse uma obrigação moral em Deus, de fazer aquilo que queremos, e não o contrário. 

A fé não é um poder gerador, se temos fé Deus não se torna nosso escravo, a fim de fazer o que queremos, quando queremos. Ela, pelo contrário, torna-nos cada vez mais obediente a Ele, e significativamente muda nossas ações de forma concreta a fim de fazer a Sua vontade, ao invés da nossa própria. Abraão teve fé, por isso saiu de sua terra. Noe teve fé, por isso construiu uma arca. Moisés teve fé, por isso confrontou o faraó e conduziu o povo no deserto. A priori nenhum deles planejava fazer qualquer dessas coisas, não queriam sair de seu conforto, mas fizeram porque confiaram na Palavra de Deus. 

A fé não precisa de experiências extraordinárias, ou de novas conclusões que explodem cabeças. Em geral, queles que tem fé não costumam ouvir a voz audível de Deus diariamente, nem mesmo orar e o mar abrir. O que eles fazem com constância não são ações excecionais, mas sim, orações, leitura da Palavra e contemplação da criação. A fé é um exercício de confiar em algo que não é visível ou palpável, e ao tentar sustentar nossa confiança em experiências pessoais, estamos indo contra esse princípio. Portanto, se minha fé é fundamentada em um dia que tive uma visão, ou se ela está pautada em uma vez que recebi uma palavra de conhecimento, ou uma profecia (para aqueles que creem na continuidade dos dons), então ela está firmada em algo palpável ou visível, e por isso não pode ser chamada de fé. 

Não quero dizer, com isso, que essas experiências não são importantes, com certeza são, elas podem fortalecer a confiança ou até iniciá-la, entretanto, nunca sustenta-la. A fé é mais simples do que esperar conferências na igreja local para receber um “grande avivamento”, a fé está no cotidiano, como dito, na oração, leitura e contemplação. Se hoje deixarmos de ter essas experiências extraordinárias, ainda teremos fé? Ou desfaleceremos? Se não virmos as promessas de Deus se cumprir, ainda teremos fé? Ou desfalaceremos? 

A fé é a confiança no Deus invisível, que se fortalece no dia a dia simples de qualquer pessoa. Ela nos conduz a uma vida que apesar de suas aflições, seremos alegres e contentes, pois, cremos que o Senhor está no controle, ouve nossas orações e está a favor de nós. Afinal, se Deus é por nós, quem será contra nós? (Rm 8:31). Nessa perspectiva, refletimos na pergunta que Jesus fez: Quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra? (Lc 18:8).

Mário Thauan, nascido em Belém do Pará, Brasil, é um estudante de Teologia, pela faculdade Dunamis, esposo e pai. iniciou sua jornada cristã aos 10 anos de idade, e cresceu ouvindo o evangelho. Aos 18 anos começou a estudar Teologia com cursos básicos, através da sua igreja local, e a servir no ministério de evangelismo. Em 2024 mudou-se para Portugal, onde casou-se, teve sua filha e onde congrega atualmente.

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