Ficar em casa é mais fácil para quem está com a geladeira cheia e o salário garantido

E então, fazermos uma profunda reflexão sobre atitudes para enfrentarmos essa crise, pensando em nós e nos outros. Afinal, estamos todos no mesmo barco

Por Lucas Tatui, jornalista do projeto Invista na Família
Publicada em 26 de março de 2020 às 09:23
Ficar em casa é mais fácil para quem está com a geladeira cheia e o salário garantido

“Fique em casa” é o apelo que segue repercutindo nas redes sociais e nos meios de comunicação de massa. Enquanto os cientistas trabalham acelerados na pesquisa de um antídoto contra o coronavírus (Covid-19), se recolher em casa é, no momento, a medida mais segura para frear o avanço da pandemia que está presente em mais de 170 países e territórios e já matou quase 20 mil pessoas no mundo.

Mas, também é importante que todos tenham consciência que o ficar em casa envolve realidades totalmente diferentes para a minoria da população, os mais ricos, e a grande maioria, os mais pobres. E então, fazermos uma profunda reflexão sobre atitudes para enfrentarmos essa crise, pensando em nós e nos outros. Afinal, estamos todos no mesmo barco. O coronavírus é uma ameaça a todos! 

Vamos sim, engrossar o apelo do “fique em casa”! Mas com a sensibilidade para entender que, ficar em casa é mais fácil para quem tem dinheiro guardado no banco, quem tem estoque de alimentos, ou tem o privilégio de estar longe dos centros urbanos, tranquilamente acomodado em sua propriedade rural. Também é seguro para trabalhadores dos setores público e privado que seguem vinculados à fonte pagadora, no modo home office, com o salário mensal garantido.

Difícil mesmo! É para quem, a menos de um mês de isolamento, já se encontra com a geladeira e dispensas vazias, como é o caso lá do seu João, que vende picolé na rua para alimentar os filhos. Mas, com as medidas de enfrentamento do coronavírus, a distribuidora de sorvetes está fechada, e ele está em casa.

A rotina de seu João é como a de milhares de brasileiros que têm que “matar um leão por dia”, ou seja, dependem da renda do dia de trabalho para garantir o café da manhã e almoço do dia seguinte. Já a Maria, a Josefa, a Cleide, a Fátima, e muitas outras... são diaristas. Dependem do dinheiro das faxinas que realizam periodicamente nas casas de outras pessoas. Mas agora, estão sem conseguir nenhum serviço. Pior para a Fátima, que tem três filhos pequenos, paga aluguel, e o marido, o Pedro, também está parado.

Pedro, marido da Fátima, é mecânico de motos e presta serviços sem vínculo empregatício numa oficina de pequeno porte no bairro onde moram. A oficina está fechada há duas semanas. E ele, que ganha por serviço, sem trabalho não tem serviço, e sem serviço não tem dinheiro. Por isso, Pedro anda triste pelos cantos da casa, vendo notícias na tv  e pensando o que fazer!

Essa é a realidade além dos belos discursos enlatados de quem está tranquilo, com a geladeira e dispensas cheias e seguro de que o salário vai cair na conta mesmo estando em casa. Ainda têm os que se ocupam em dar dicas de atividades recreativas para se fazer em casa nesse momento de recolhimento. Não deixa de ser proveitoso, para alguns. Para Pedro, Fátima e seu João, não! Eles estão mais preocupados com o que comer amanhã, pois o pouco que têm em casa só dá pra hoje.

A reflexão progressiva não é sobre o que estamos fazendo, e sim sobre o que vamos fazer, agora.

OPORTUNIDADE DE FAZER

Alguns amigos decidiram sair de casa por uma boa causa. Eles começaram ajudando algumas famílias com entrega de cestas básicas. Ai, os contatos de pessoas que estão precisando foram aumentando, o que os levaram à iniciativa de ampliar essa rede do bem.

Eles estão disponibilizando números para as pessoas ligarem, para fazer parte dessa rede como doadores voluntários.

O QUE DOAR

- Itens da cesta básica (como feijão, arroz, óleo, sal, leite, açúcar e outros), e de higiene pessoal e de limpeza do lar.

COMO DOAR

- As pessoas devem ligar informando o endereço onde serão entregues as doações. Eles irão até o local recolher.

OBSERVAÇÕES

- Os voluntários fazem questão de informar que eles estão se movimentando na cidade seguindo os critérios de prevenção e as recomendações dos setores de saúde pública, como o uso de luvas, máscara, toca, e estão saindo em equipe de, no máximo, três pessoas. (Os cuidados ocorrem na arrecadação dos alimentos, bem como na entrega às famílias); e caso a pessoa que fará a doação queira evitar o contato, poderá deixar os itens na porta da residência para os amigos recolherem.

NÚMEROS PARA LIGAR

99219-8740 (Núbia)

99254-0932 (Rogê)

99274-3917 (Eliane)

99206-4923 (Cristina)

 

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