Lula não pode subir no palanque de quem ameaça jogar alguém pela janela

"Embora Lula e o PT já tenham fechado acordo com Kalil, esse fato novo muda tudo", diz Solnik

Alex Solnik
Publicada em 06 de junho de 2022 às 09:01

www.brasil247.com - Prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kali, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da SilvaPrefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kali, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Divulgação | Ricardo Stuckert)

O ex-prefeito de Belo Horizonte e pré-candidato ao governo de Minas, Alexandre Kalil, passou dos limites, ontem, na entrevista ao DJ Veneno numa live da TV Capelinha, em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha. 

Sem nenhuma agressividade, nem deboche, o entrevistador perguntou como ele pagaria R$48 milhões que deve na praça:

“Devo mesmo” respondeu Kalil “tenho doze empresas… o país tá quebrado… tô tentando pagar, dei coisas em garantia…”

“Mas o senhor não acha que o país tá quebrado porque”...

“Não grite comigo, moleque… se esse moleque continuar é melhor você entrevistar esse merdinha” disse o pré-candidato para alguém no estúdio”.

O DJ Veneno ponderou que o governador Zema “já tinha saído corrido dali” por causa de uma pergunta sua.

“Eu não vou sair corrido, não” retrucou Kalil, cada vez mais furioso, “é mais fácil eu te jogar pela janela”.

“Fique à vontade” disse o DJ.

“Eu te pego e jogo pela janela”, repetiu Kalil.  

Essa é uma daquelas frases que pode arruinar uma campanha. Pensar em atirar alguém pela janela por ter feito uma pergunta é gravíssimo; expressar o pensamento em palavras, em público, além de ameaça à integridade física, revela uma truculência incompatível com qualquer cargo público.

Embora Lula e o PT já tenham fechado acordo com Kalil, esse fato novo muda tudo. Não dá para Lula sustentar uma campanha baseada no amor tendo por aliado em Minas alguém que ameaça jogar uma pessoa pela janela só por ter feito uma pergunta sobre suas dívidas.

Isso é vocabulário de bolsonarista.

Lula não pode subir nesse palanque.

Alex Solnik

Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

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