Need for Speed o Filme: a franquia de videogame que chegou ao cinema com carros reais e velocidade de verdade
Com bilheteria de 203 milhões de dólares mundialmente e avaliações mistas que reconheciam as qualidades técnicas enquanto apontavam problemas narrativos, o filme foi simultaneamente um sucesso comercial razoável e uma oportunidade perdida de estabelecer uma franquia
O need for speed o filme de 2014 representou a aposta da DreamWorks de que a franquia de videogame da Electronic Arts tinha capital de marca suficiente para sustentar uma adaptação cinematográfica que competisse com o universo Velozes e Furiosos que dominava o gênero de filme de corrida desde o início dos anos 2000. Com bilheteria de 203 milhões de dólares mundialmente e avaliações mistas que reconheciam as qualidades técnicas enquanto apontavam problemas narrativos, o filme foi simultaneamente um sucesso comercial razoável e uma oportunidade perdida de estabelecer uma franquia.
A franquia de videogame e o capital de marca
Need for Speed como franquia de videogame existe desde 1994, com mais de vinte jogos principais que cobrem desde corridas em pistas até corridas de rua ilegais passando por simulação mais ou menos realista. A diversidade de experiências que o nome Need for Speed representava nos jogos criou tanto liberdade quanto desafio para a adaptação cinematográfica, liberdade porque o filme não precisava ser fiel a nenhum jogo específico, e desafio porque o nome sozinho não carregava a narrativa específica que adaptações de games com histórias mais definidas poderiam usar como ponto de partida.
A solução do roteiro foi criar uma narrativa original de vingança que usava a estética e os elementos da franquia de games (carros, velocidade, corridas ilegais, rivalidade entre corredores) sem precisar adaptar nenhum jogo específico. Essa abordagem criou um filme que era mais próximo de Bullit ou de Ronin do que de qualquer jogo da série, o que não é necessariamente uma crítica mas é um dado relevante sobre o que o espectador que chega com expectativas específicas de videogame vai encontrar.
Uma das características mais específicas de Need for Speed o Filme em relação a outros filmes do gênero é a atenção ao detalhe dos automóveis, com cada carro nas sequências principais sendo identificado pelo modelo e tratado com o cuidado que o cinema de corrida costuma reservar aos pilotos. O Ford Mustang personalizado que Tobey usa na corrida final, o McLaren P1 e outros veículos são apresentados com a reverência que os fãs de automóveis esperam e que a franquia de videogame havia cultivado como parte central da sua identidade.
A rota de costa a costa como estrutura narrativa
A EA e o envolvimento na produção
A Electronic Arts participou ativamente do desenvolvimento do filme, com executivos da empresa acompanhando a produção para garantir que a identidade da franquia fosse preservada. Essa supervisão incluiu decisões sobre quais carros apareceriam, como as corridas seriam estruturadas e quais elementos visuais dos games seriam replicados.
A relação entre estúdios de cinema e produtoras de games nesse tipo de adaptação é frequentemente tensa, com prioridades comerciais que nem sempre se alinham, e Need for Speed é um dos poucos casos em que a colaboração transcorreu sem conflitos públicos.
O Ford Mustang que Tobey pilota durante a travessia foi desenvolvido especificamente para o filme pela Ford em parceria com a produção, e o veículo eventualmente entrou em produção limitada como modelo comercial. Esse tipo de integração entre cinema e indústria automobilística é uma tradição do gênero que remonta ao Bullitt de 1968.
Sete cópias do carro foram construídas para as filmagens, com diferentes especificações dependendo do tipo de cena, incluindo versões preparadas para saltos e versões destinadas a destruição controlada.
A trilha e o ritmo da ação
Nathan Furst compôs uma trilha que combina rock instrumental e eletrônica, seguindo a tradição sonora que os games da franquia haviam estabelecido ao longo de duas décadas. A escolha musical é um dos elementos que mais claramente conecta o filme ao material de origem, já que a identidade sonora dos games de Need for Speed é tão reconhecível quanto sua estética visual.
O arco central de Need for Speed, onde Tobey precisa cruzar os Estados Unidos de costa a costa em menos de quarenta e cinco horas para participar de uma corrida no Golfo de São Francisco, cria uma estrutura de road movie que usa a diversidade geográfica americana como cenário para as sequências de ação. Essa escolha de cruzar o país em vez de permanecer numa cidade foi um dos elementos que a crítica identificou como bem construído, com o filme ganhando dimensão visual que filmes de corrida urbana raramente têm.
Diferente de franquias como The Last of Us ou Uncharted, que têm personagens desenvolvidos e arcos narrativos completos, Need for Speed como game é fundamentalmente sobre a experiência de dirigir rápido, e os roteiristas precisaram construir uma história do zero. A decisão de filmar com carros reais colocou o filme numa posição incomum em 2014, quando a franquia Velozes e Furiosos havia migrado para um registro cada vez mais fantástico, com carros saltando entre arranha-céus. Need for Speed ofereceu o oposto, velocidade que parece perigosa porque é perigosa, com dublês reais executando manobras que exigiam precisão milimétrica.
A adaptação demonstrou tanto as possibilidades quanto os limites de transformar games sem narrativa em cinema. A estética e a mecânica traduziram bem, os personagens precisaram ser inventados do zero, e o resultado é um produto onde a metade técnica funciona brilhantemente e a metade dramática nunca encontra a mesma solidez. O Ford Mustang customizado que Tobey pilota foi desenvolvido especificamente para o filme pela Ford e eventualmente entrou em produção limitada como modelo comercial, numa integração entre cinema e indústria automobilística que remonta ao Bullitt de 1968.
Soja e trigo: confira os preços nesta sexta (31)
O trigo tem declínio de preço no Rio Grande do Sul e estabilidade no Paraná
Bolsa Família: CAIXA paga beneficiários com NIS final 0
Os pagamentos são realizados preferencialmente na Poupança CAIXA ou conta CAIXA Tem
Chuvas seguem no Norte nesta sexta-feira (31)
Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá e norte do Pará continuam com previsão de pancadas de chuva, enquanto o Tocantins permanece com tempo seco




Comentários
Seja o primeiro a comentar
Envie Comentários utilizando sua conta do Facebook