PF aponta fala sobre 'matar alguém' em inquérito sobre suspeita de compra da Mesa Diretora da ALE-RO

O ponto mais grave do inquérito aparece em uma conversa interceptada na qual um dos investigados é alertado para não tratar determinados assuntos por telefone

Fonte: TUDORONDONIA - Publicada em 02 de julho de 2026 às 22:46

A Polícia Federal indiciou Jean Carlos Scheffer Oliveira, Alexsandro Aparecido Zarelli, Laerte Gomes e Josimar Zarelli no Inquérito Policial nº 0179/2019-4-DPF/VLA/RO, que apura suspeitas de irregularidades na eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Rondônia.

O procedimento, conduzido pela Delegacia da Polícia Federal em Vilhena, trata de suposto esquema envolvendo pagamento de vantagens, cargos comissionados, “contabilidade paralela” e articulação política para garantir a eleição de Laerte Gomes à presidência da ALE-RO.

O ponto mais grave do inquérito aparece em uma conversa interceptada na qual um dos investigados é alertado para não tratar determinados assuntos por telefone. No diálogo, há referência à possibilidade de “fazer” uma pessoa, expressão registrada no relatório policial como indicação de matar alguém.

Segundo a transcrição anexada ao inquérito, a conversa menciona que, caso fosse necessário “fazer” um homem, três pessoas estariam envolvidas. O trecho foi destacado pela Polícia Federal dentro do conjunto de diálogos considerados relevantes para a investigação.

O inquérito afirma que as investigações tiveram origem em apurações anteriores sobre supostos crimes contra a ordem tributária e fiscal, atribuídos inicialmente a Alexsandro Aparecido Zarelli. No decorrer das interceptações telefônicas e ambientais, a PF informou ter identificado indícios de outros crimes, incluindo corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro e falsificação de documento público.

De acordo com o relatório, o foco deste desmembramento passou a ser a apuração de ilicitudes envolvendo a eleição de Laerte Gomes para a presidência da Assembleia Legislativa de Rondônia. A Polícia Federal afirma que diálogos interceptados apontaram possível recebimento de vantagem indevida por parte do então deputado eleito Jean de Oliveira em troca de apoio político à eleição da Mesa Diretora.

Em uma das conversas citadas no inquérito, Gildásio Rebouças dos Santos, conhecido como Baiano, que seria ligado a Jean de Oliveira, menciona possível recebimento de valores para apoio à eleição da presidência da Assembleia. Segundo a transcrição, Jean receberia entre R$ 700 mil e R$ 800 mil, além de cargos comissionados. Em depoimento, Gildásio confirmou a conversa, mas disse que se tratava de brincadeira interna.

A Polícia Federal também aponta que Alexsandro Zarelli esteve em Porto Velho entre os dias 22 e 25 de janeiro de 2019, período em que ocorreu a inauguração da nova sede da Assembleia Legislativa de Rondônia. Segundo o inquérito, a análise de estações rádio base e diálogos interceptados indicou que ele teria atuado politicamente dentro e fora da ALE-RO.

Um dos principais pontos do relatório é a reunião realizada no quarto 603 do Hotel Larison, em Porto Velho. Conforme a PF, imagens do circuito interno do hotel mostram a chegada de deputados ao andar do apartamento ocupado por Alexsandro Zarelli no dia 23 de janeiro de 2019, às 17h40.

O documento cita a presença de Laerte Gomes, Alex Redano e Jean de Oliveira no local. Segundo a Polícia Federal, as imagens confirmam as afirmações de Alexsandro de que deputados estiveram em seu quarto de hotel. O relatório afirma que o encontro reforça a tese de um conchavo político para eleger Laerte Gomes presidente da Assembleia no biênio 2019/2020 e Alex Redano no biênio 2021/2022.

Em outro áudio citado pela investigação, Alexsandro Zarelli afirma que participou de uma reunião no quarto do hotel e que o “fechamento” ocorreu naquele local. No mesmo trecho, ele diz que Laerte seria “nosso” e que faria o que ele mandasse. A PF também registrou que Alexsandro afirmou que passaria a fazer a contabilidade de Laerte.

A investigação aponta ainda que, no dia 24 de janeiro de 2019, Alexsandro teria dito que cinco deputados se reuniram em seu quarto de hotel em Porto Velho e decidiram que Laerte seria o presidente da Assembleia. No mesmo diálogo, ele afirma que o grupo queria fechar com ele uma “contabilidade acessória”.

A expressão chamou a atenção da Polícia Federal. Para os investigadores, o termo indicaria uma espécie de contabilidade paralela à oficial. O relatório afirma que a suposta contabilidade do grupo, especialmente de Laerte Gomes, teria relação com formas de pagamento e manutenção de influência política.

Em outro diálogo ambiental, datado de 25 de janeiro de 2019, Alexsandro conversa com Jean de Oliveira sobre o serviço de contabilidade que seria prestado a Laerte. Na transcrição, Alexsandro diz que, ao pegar a contabilidade de Laerte, o grupo poderia “segurar” o deputado. Em seguida, afirma que ele ficaria com o “rabinho mais presinho”.

Para a Polícia Federal, a fala revela interesse de Alexsandro em realizar a contabilidade como forma de ampliar sua influência sobre Laerte, com objetivo de obter benefícios próprios ou para o grupo investigado.

O relatório também aponta uma suposta negociação envolvendo a nomeação de Josimar Edvaldo Zarelli, irmão de Alexsandro. Segundo a PF, Josimar foi nomeado em abril de 2019 por Laerte Gomes para cargo comissionado na Assembleia Legislativa, com remuneração líquida mensal próxima de R$ 6,5 mil.

A investigação afirma que o valor se aproximava da quantia mencionada em diálogo no qual Jean orientaria Alexsandro a receber pelos serviços de contabilidade por meio de uma “portaria”. Para a PF, a nomeação poderia funcionar como forma de pagamento indireto pelos serviços de “contabilidade paralela” em favor de Laerte.

Ainda conforme o inquérito, Josimar Zarelli declarou em depoimento que trabalhava como assessor parlamentar de Laerte Gomes e que recebia cerca de R$ 6,5 mil líquidos mensais. Ele afirmou que representava o deputado em eventos políticos e negou repassar valores ao irmão Alexsandro.

A Polícia Federal, no entanto, registrou que dados de estações rádio base indicavam que Josimar permaneceu em Alta Floresta D’Oeste no período analisado, embora tivesse assinado folha de ponto na Assembleia Legislativa, em Porto Velho. Josimar admitiu que estava em sua cidade de residência e que assinou a folha de ponto como se estivesse trabalhando na Assembleia.

Em depoimento, Alexsandro Zarelli negou ter participado de reunião para eleger Laerte Gomes presidente da Assembleia. Ele confirmou que estava hospedado no Hotel Larison, mas disse que não participou da reunião. Segundo ele, Jean de Oliveira teria pedido para utilizar o quarto do hotel para atender algumas pessoas.

Alexsandro também negou ter sido convidado para realizar contabilidade paralela ou acessória do grupo político. Afirmou que fazia apenas a contabilidade de propriedades rurais ligadas à família de Jean de Oliveira e negou que a nomeação de Josimar tivesse relação com pagamento de serviços contábeis.

Jean de Oliveira, por sua vez, negou ter recebido vantagem indevida para apoiar a eleição de Laerte Gomes. Em depoimento, afirmou que a eleição da Mesa Diretora ocorreu a partir de entendimento político e que apoiou Laerte por afinidade e por entender que ele seria o melhor nome para presidir o Poder Legislativo.

Questionado sobre reunião no Hotel Larison com Laerte Gomes, Alex Redano e Alexsandro Zarelli, Jean disse inicialmente que não participou. Depois, ao ser perguntado sobre o encontro no quarto 603 em 23 de janeiro de 2019, afirmou que não se recordava. Também disse não se lembrar de conversa sobre Laerte ficar com o “rabinho mais presinho” nem de diálogo sobre pagamento de contabilidade por meio de portaria.

Na conclusão do relatório, a Polícia Federal afirma que o conjunto probatório indicou autoria e materialidade em relação aos crimes de associação criminosa, peculato-desvio e corrupção passiva. Segundo a PF, Laerte teria nomeado pessoa para remunerar serviço de Alexsandro Zarelli, com destinação de recursos públicos para finalidade diversa daquela prevista.

O inquérito também conclui que houve suspeita de solicitação ou recebimento de vantagem indevida para a eleição da Presidência da Assembleia Legislativa de Rondônia. O relatório foi submetido à apreciação da Justiça para as medidas cabíveis.

O caso envolve uma das investigações mais graves sobre a disputa interna pelo comando da Assembleia Legislativa de Rondônia, com citações a compra de apoio político, cargos comissionados, suposta rachadinha, contabilidade paralela e diálogo com referência à possibilidade de matar alguém.

PF aponta fala sobre 'matar alguém' em inquérito sobre suspeita de compra da Mesa Diretora da ALE-RO

O ponto mais grave do inquérito aparece em uma conversa interceptada na qual um dos investigados é alertado para não tratar determinados assuntos por telefone

TUDORONDONIA
Publicada em 02 de julho de 2026 às 22:46

A Polícia Federal indiciou Jean Carlos Scheffer Oliveira, Alexsandro Aparecido Zarelli, Laerte Gomes e Josimar Zarelli no Inquérito Policial nº 0179/2019-4-DPF/VLA/RO, que apura suspeitas de irregularidades na eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Rondônia.

O procedimento, conduzido pela Delegacia da Polícia Federal em Vilhena, trata de suposto esquema envolvendo pagamento de vantagens, cargos comissionados, “contabilidade paralela” e articulação política para garantir a eleição de Laerte Gomes à presidência da ALE-RO.

O ponto mais grave do inquérito aparece em uma conversa interceptada na qual um dos investigados é alertado para não tratar determinados assuntos por telefone. No diálogo, há referência à possibilidade de “fazer” uma pessoa, expressão registrada no relatório policial como indicação de matar alguém.

Segundo a transcrição anexada ao inquérito, a conversa menciona que, caso fosse necessário “fazer” um homem, três pessoas estariam envolvidas. O trecho foi destacado pela Polícia Federal dentro do conjunto de diálogos considerados relevantes para a investigação.

O inquérito afirma que as investigações tiveram origem em apurações anteriores sobre supostos crimes contra a ordem tributária e fiscal, atribuídos inicialmente a Alexsandro Aparecido Zarelli. No decorrer das interceptações telefônicas e ambientais, a PF informou ter identificado indícios de outros crimes, incluindo corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro e falsificação de documento público.

De acordo com o relatório, o foco deste desmembramento passou a ser a apuração de ilicitudes envolvendo a eleição de Laerte Gomes para a presidência da Assembleia Legislativa de Rondônia. A Polícia Federal afirma que diálogos interceptados apontaram possível recebimento de vantagem indevida por parte do então deputado eleito Jean de Oliveira em troca de apoio político à eleição da Mesa Diretora.

Em uma das conversas citadas no inquérito, Gildásio Rebouças dos Santos, conhecido como Baiano, que seria ligado a Jean de Oliveira, menciona possível recebimento de valores para apoio à eleição da presidência da Assembleia. Segundo a transcrição, Jean receberia entre R$ 700 mil e R$ 800 mil, além de cargos comissionados. Em depoimento, Gildásio confirmou a conversa, mas disse que se tratava de brincadeira interna.

A Polícia Federal também aponta que Alexsandro Zarelli esteve em Porto Velho entre os dias 22 e 25 de janeiro de 2019, período em que ocorreu a inauguração da nova sede da Assembleia Legislativa de Rondônia. Segundo o inquérito, a análise de estações rádio base e diálogos interceptados indicou que ele teria atuado politicamente dentro e fora da ALE-RO.

Um dos principais pontos do relatório é a reunião realizada no quarto 603 do Hotel Larison, em Porto Velho. Conforme a PF, imagens do circuito interno do hotel mostram a chegada de deputados ao andar do apartamento ocupado por Alexsandro Zarelli no dia 23 de janeiro de 2019, às 17h40.

O documento cita a presença de Laerte Gomes, Alex Redano e Jean de Oliveira no local. Segundo a Polícia Federal, as imagens confirmam as afirmações de Alexsandro de que deputados estiveram em seu quarto de hotel. O relatório afirma que o encontro reforça a tese de um conchavo político para eleger Laerte Gomes presidente da Assembleia no biênio 2019/2020 e Alex Redano no biênio 2021/2022.

Em outro áudio citado pela investigação, Alexsandro Zarelli afirma que participou de uma reunião no quarto do hotel e que o “fechamento” ocorreu naquele local. No mesmo trecho, ele diz que Laerte seria “nosso” e que faria o que ele mandasse. A PF também registrou que Alexsandro afirmou que passaria a fazer a contabilidade de Laerte.

A investigação aponta ainda que, no dia 24 de janeiro de 2019, Alexsandro teria dito que cinco deputados se reuniram em seu quarto de hotel em Porto Velho e decidiram que Laerte seria o presidente da Assembleia. No mesmo diálogo, ele afirma que o grupo queria fechar com ele uma “contabilidade acessória”.

A expressão chamou a atenção da Polícia Federal. Para os investigadores, o termo indicaria uma espécie de contabilidade paralela à oficial. O relatório afirma que a suposta contabilidade do grupo, especialmente de Laerte Gomes, teria relação com formas de pagamento e manutenção de influência política.

Em outro diálogo ambiental, datado de 25 de janeiro de 2019, Alexsandro conversa com Jean de Oliveira sobre o serviço de contabilidade que seria prestado a Laerte. Na transcrição, Alexsandro diz que, ao pegar a contabilidade de Laerte, o grupo poderia “segurar” o deputado. Em seguida, afirma que ele ficaria com o “rabinho mais presinho”.

Para a Polícia Federal, a fala revela interesse de Alexsandro em realizar a contabilidade como forma de ampliar sua influência sobre Laerte, com objetivo de obter benefícios próprios ou para o grupo investigado.

O relatório também aponta uma suposta negociação envolvendo a nomeação de Josimar Edvaldo Zarelli, irmão de Alexsandro. Segundo a PF, Josimar foi nomeado em abril de 2019 por Laerte Gomes para cargo comissionado na Assembleia Legislativa, com remuneração líquida mensal próxima de R$ 6,5 mil.

A investigação afirma que o valor se aproximava da quantia mencionada em diálogo no qual Jean orientaria Alexsandro a receber pelos serviços de contabilidade por meio de uma “portaria”. Para a PF, a nomeação poderia funcionar como forma de pagamento indireto pelos serviços de “contabilidade paralela” em favor de Laerte.

Ainda conforme o inquérito, Josimar Zarelli declarou em depoimento que trabalhava como assessor parlamentar de Laerte Gomes e que recebia cerca de R$ 6,5 mil líquidos mensais. Ele afirmou que representava o deputado em eventos políticos e negou repassar valores ao irmão Alexsandro.

A Polícia Federal, no entanto, registrou que dados de estações rádio base indicavam que Josimar permaneceu em Alta Floresta D’Oeste no período analisado, embora tivesse assinado folha de ponto na Assembleia Legislativa, em Porto Velho. Josimar admitiu que estava em sua cidade de residência e que assinou a folha de ponto como se estivesse trabalhando na Assembleia.

Em depoimento, Alexsandro Zarelli negou ter participado de reunião para eleger Laerte Gomes presidente da Assembleia. Ele confirmou que estava hospedado no Hotel Larison, mas disse que não participou da reunião. Segundo ele, Jean de Oliveira teria pedido para utilizar o quarto do hotel para atender algumas pessoas.

Alexsandro também negou ter sido convidado para realizar contabilidade paralela ou acessória do grupo político. Afirmou que fazia apenas a contabilidade de propriedades rurais ligadas à família de Jean de Oliveira e negou que a nomeação de Josimar tivesse relação com pagamento de serviços contábeis.

Jean de Oliveira, por sua vez, negou ter recebido vantagem indevida para apoiar a eleição de Laerte Gomes. Em depoimento, afirmou que a eleição da Mesa Diretora ocorreu a partir de entendimento político e que apoiou Laerte por afinidade e por entender que ele seria o melhor nome para presidir o Poder Legislativo.

Questionado sobre reunião no Hotel Larison com Laerte Gomes, Alex Redano e Alexsandro Zarelli, Jean disse inicialmente que não participou. Depois, ao ser perguntado sobre o encontro no quarto 603 em 23 de janeiro de 2019, afirmou que não se recordava. Também disse não se lembrar de conversa sobre Laerte ficar com o “rabinho mais presinho” nem de diálogo sobre pagamento de contabilidade por meio de portaria.

Na conclusão do relatório, a Polícia Federal afirma que o conjunto probatório indicou autoria e materialidade em relação aos crimes de associação criminosa, peculato-desvio e corrupção passiva. Segundo a PF, Laerte teria nomeado pessoa para remunerar serviço de Alexsandro Zarelli, com destinação de recursos públicos para finalidade diversa daquela prevista.

O inquérito também conclui que houve suspeita de solicitação ou recebimento de vantagem indevida para a eleição da Presidência da Assembleia Legislativa de Rondônia. O relatório foi submetido à apreciação da Justiça para as medidas cabíveis.

O caso envolve uma das investigações mais graves sobre a disputa interna pelo comando da Assembleia Legislativa de Rondônia, com citações a compra de apoio político, cargos comissionados, suposta rachadinha, contabilidade paralela e diálogo com referência à possibilidade de matar alguém.

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