Primeira quinzena de setembro registra recorde de fogo no Pantanal e na Amazônia

Ontem, a Amazônia superou o total de focos de calor registrados em todo mês de setembro de 2019

Assessoria de Imprensa Greenpeace
Publicada em 15 de setembro de 2020 às 15:55
Primeira quinzena de setembro registra recorde de fogo no Pantanal e na Amazônia

Foto: Christian Braga / Greenpeace. Focos de calor em área de Prodes (2017-2019). Área próxima aos limites da Terra Indígena Kaxarari, município de Lábrea (AM).

O mês de setembro está apenas no meio e os números de queimadas e incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal já registram recordes, mesmo com a proibição de queimadas imposta pela moratória do fogo desde 16 de julho, instrumento legal se mostrou completamente fracassado para deter o desastre ambiental. Ontem, a Amazônia superou o total de focos de calor registrados em todo mês de setembro de 2019. Somente nesses primeiros 14 dias, foram registrados 20.486 focos de calor, um crescimento de 86% em relação ao mesmo período do ano passado. No ano, já foram identificados 64.498 incêndios no bioma.

Acesse as imagens feitas no sobrevoo aqui

 


"Enquanto isso, na semana passada, mais uma vez, o governo - na figura do vice presidente - descredibiliza os dados do INPE, falando em diminuição das queimadas na Amazônia, negando as evidências científicas geradas pelo Instituto e divulgando um vídeo que foi o maior mico", comenta Rômulo Batista, porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil.

Já no Pantanal, maior planície interior inundável do mundo, somente ontem, foram 689 incêndios registrado. No bioma, 12% da sua extensão já foi destruída pelo fogo até o final do mês de agosto, causando a morte de milhares de animais e fazendo outros milhões deles perderam seu habitat. Os 15.453 incêndios neste ano no bioma já é o maior da série histórica do monitoramento realizado pelo INPE, que começou em 1988. "As imagens são chocantes. E, enquanto os brigadistas, bombeiros, militares e voluntários lutam para salvar o Pantanal, o presidente ri da situação que esse ecossistema único está vivendo em sua live semanal", comenta Rômulo.

O Cerrado, savana mais biodiversa do mundo, é outro bioma que segue em chamas. Apesar dos números totais serem um pouco menor do que o ano passado, 5,45%, não há motivos para comemorar. Somente nos primeiros 14 dias de setembro foram registrados 13.619 focos, um aumento de 9,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Somente neste ano, já são 37.824 incêndios e queimadas no bioma e não existe nenhuma ação governamental para coibir esse outro desastre ambiental.

Enquanto as autoridades brasileiras fazem um esforço de contrapropaganda para esconder o que de fato ocorre no Brasil, a verdade se impõe. As queimadas e incêndios florestais estão completamente fora de controle nos diferentes biomas. "A responsabilidade disso é da política antiambiental do governo federal, com o falso discurso de que a destruição ambiental é necessária para o desenvolvimento econômico. Está na hora de todas pessoas, empresas e governos que estão realmente comprometidos com o futuro desses Biomas e também com o próprio planeta terra, exigir que o governo brasileiro tome providências para acabar com a destruição do meio ambiente e impedir que os maiores tesouros do nosso país virem cinzas para o lucro de uma pequena minoria", completa Batista.

 

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