Só renúncia vai evitar impeachment de Toffoli
O seu impeachment está no forno e só há uma maneira de evitá-lo
Dias Toffoli e Gilmar Mendes (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Depois de ser obrigado a deixar a relatoria do caso Master, por unanimidade, em sessão de ontem, em vez de sair voluntariamente, tomara que o ministro Dias Toffoli tenha aprendido a lição e deixe de lado a teimosia.
Ficar sem a relatoria — a qual nunca deveria ter assumido, sendo sócio oculto de uma empresa que teve negócios indiretos com fundo de um banco-bandido — foi só o primeiro passo no cadafalso. O seu impeachment está no forno e só há uma maneira de evitá-lo.
A sucessão de lambanças culminou com a notícia de que, ainda como relator, teve conversas por telefone com o principal acusado do caso. Ou seja: permitiu que Daniel Vorcaro tivesse o número do seu celular, atendeu a um ou a vários telefonemas do banqueiro-bandido e conversou com ele.
Não importa o teor dessas conversas. Tanto faz se falaram sobre o clima seco de Brasília, as chances do Brasil na Copa do Mundo ou se o Palmeiras deveria ou não comprar reforços. Um ministro, na condição de relator, não pode jamais, sob qualquer pretexto, conversar com o acusado no processo.
Toffoli alcançou uma façanha impensável: conseguiu não só ser pior que os dois ministros indicados pelo presidente-bandido, atualmente preso na Papudinha, como também ganhou o troféu de pior de todos os que já passaram pelo Supremo.
Tal feito o transformou no candidato mais cotado de todos os tempos ao impeachment, do qual só vai escapar se deixar a Corte por conta própria, o quanto antes.
De preferência, antes do carnaval.
A sua ausência vai preencher uma lacuna.
Alex Solnik
Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)
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