TCE prevê 'terra arrasada' em Rondônia
Neste 2026, novamente a mesma previsão catastrófica, mas com alguns ingredientes novos
Em 2018, ao reunir os então candidatos ao Governo, o Tribunal de Contas de Rondônia vaticinou: o Estado de Rondônia está quebrado. O motivo: a dívida bilionária do Beron, que, quanto mais se pagava, mais se devia. Não iria sobrar dinheiro para nada.
Em 2022, a mesma reunião e dois motivos para que o TCE avisasse os candidatos: ainda a dívida do Beron e, agora, pior, o Iperon, que não sobreviveria mais um ano.
Neste 2026, novamente a mesma previsão catastrófica, mas com alguns ingredientes novos. Os candidatos foram avisados que o Estado está quebrado. Que não terá dinheiro para nada. Que o eleito terá que demitir e enxugar, para conter seus gastos. Mas com ressalvas: que não se toque no orçamento do Tribunal de Contas, porque ele sim, ajuda o Estado!
O quadro apresentado pelo TCE, no encontro da semana passada, é de um futuro de terra arrasada.
Não se falou sobre os repasses obrigatórios aos poderes, que levam quase 25 por cento do orçamento; nem dos 11,29 por cento ao Poder Judiciário, proporcionalmente o que mais recebe no País; nos 4,77 para Assembleia; 4,98 para o Ministério Público; 2,54 para o TCE; 1,53 para a Defensoria Pública, previstos na LDO, ou seja, na Lei de Diretrizes Orçamentárias.
O fato do Orçamento do Estado ter saltado em cerca de 128 por cento nos últimos sete anos (era pouco mais de 8 bilhões em 2019 e saltou para 18 bilhões e 650 milhões) também não foi considerado, na importante palestra de orientação do TCE aos candidatos.
Claro que o Estado tem graves problemas. Seríssimos. As críticas, algumas parecendo discurso de oposição, foram feitas com base em várias informações. O caso da falta de asfalto em 74 por cento das rodovias do Estado, sem dúvida, é um exemplo claro disso. Problemas existem em profusão.
Contudo, nunca se deve esquecer a terra que vivemos. Nos anos 70, pouco mais de meio século, não havia praticamente gado em todo o Estado. Hoje temos o sexto rebanho do país, com perto de 18 milhões de cabeças. Nosso agronegócio, então incipiente, é de uma grandeza imensa, inclusive com recorde de exportações.
Governos bons ou ruins passam, mas a grandeza desta terra de Rondônia é inegável, pelo seu povo trabalhador, que sofre, mas nos mantém no caminho do desenvolvimento. Nenhuma das previsões catastróficas em relação ao Estado se confirmou, ao menos na última década.
Orientar, cobrar, fiscalizar, ajudar, é papel de todos os organismos que fazem parte do pacote de serviços prestados à coletividade. Contudo, é sempre bom se ficar de olhos atentos para exageros, seja de onde venham e sejam para aumentar ou diminuir.
A realidade é que todos querem sacrifícios, mas sempre dos outros. Como disse e repetiu várias vezes no encontro com os candidatos ao Governo presidente do TCE, Wilber Coimbra: “não cortem nossos recursos, porque nós ajudamos o Estado”!
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