Tumores ósseos raros podem atingir jovens
Os tumores ósseos representam uma parcela pequena entre os tipos de câncer, mas alguns deles são mais frequentes justamente em jovens e adolescentes
Quando se fala em câncer, muitas pessoas associam a doença ao envelhecimento. No entanto, alguns tipos de tumores podem surgir justamente em fases mais precoces da vida. É o caso de determinados tumores ósseos, que, embora raros, podem afetar crianças, adolescentes e adultos jovens.
Segundo o Dr. Fábio Elói, cirurgião de quadril pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), especialista em ortopedia e traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e Oncologista Ortopedista pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO), a raridade desses tumores faz com que muitas vezes o diagnóstico demore mais do que deveria.
“Os tumores ósseos representam uma parcela pequena entre os tipos de câncer, mas alguns deles são mais frequentes justamente em jovens e adolescentes. Como os sintomas iniciais podem ser confundidos com lesões esportivas ou dores do crescimento, muitas vezes há atraso na investigação”, explica.
Entre os tumores malignos primários do osso mais conhecidos estão o osteossarcoma e o sarcoma de Ewing, que tendem a surgir principalmente durante o período de crescimento acelerado, na adolescência.
Sintomas que merecem atenção
O principal sinal de alerta costuma ser a dor persistente em um osso ou articulação, que não melhora com repouso ou tratamento convencional. Em alguns casos, pode haver também inchaço local, limitação de movimento ou até fraturas que acontecem após traumas leves.
De acordo com o Dr. Fábio Elói, que é especialista no diagnóstico e tratamento de tumores do sistema musculoesquelético, é importante observar quando a dor se prolonga por semanas ou piora progressivamente.
“Nem toda dor óssea significa tumor e a maioria dos casos está relacionada a causas benignas. Mas quando a dor é persistente, especialmente se ocorre à noite ou vem acompanhada de aumento de volume na região, é fundamental procurar avaliação médica”, orienta.
Diagnóstico precoce faz diferença
A investigação geralmente começa com exames de imagem, como radiografia, tomografia ou ressonância magnética. Quando existe suspeita de tumor, pode ser necessária uma biópsia para confirmação do diagnóstico.
O especialista ressalta que o diagnóstico precoce tem papel importante no sucesso do tratamento.
“Hoje contamos com avanços significativos no tratamento dos tumores ósseos, que podem envolver cirurgia, quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia. Em muitos pacientes, é possível retirar o tumor e reconstruir o osso com próteses ou enxertos, preservando o membro e a funcionalidade”, afirma.
Avanços na cirurgia evitam amputações
Nas últimas décadas, a evolução das técnicas cirúrgicas tem permitido resultados cada vez melhores. Em muitos casos, procedimentos de reconstrução óssea possibilitam preservar o membro afetado, mantendo qualidade de vida e capacidade funcional.
“Antigamente, muitos tumores ósseos levavam à amputação. Hoje, com planejamento adequado e técnicas modernas de reconstrução, conseguimos salvar o membro em grande parte dos pacientes”, destaca o Dr. Fábio Elói.
Apesar de raros, os tumores ósseos reforçam a importância de valorizar sinais persistentes do corpo, especialmente em crianças e adolescentes. O acompanhamento médico e a investigação adequada são fundamentais para garantir diagnóstico precoce e melhores resultados no tratamento.
*Dr. Fábio Elói é cirurgião de quadril pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), especialista em Ortopedia e Traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e oncologista ortopédico pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO)
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