Acima do normal, cheia do rio Madeira apresenta tendência de estabilização de níveis

Essa mudança no cenário de uma cheia dentro da normalidade para acima do normal motivou toda a atenção dos órgãos de monitoramento e a precaução dos agentes de Defesa Civil

Assessoria/Foto: Divulgação
Publicada em 04 de março de 2021 às 17:06
Acima do normal, cheia do rio Madeira apresenta tendência de estabilização de níveis

Resultado de chuvas acima do esperado, o rio Madeira em Porto Velho atingiu nesta semana a faixa de zona de atenção para máximas, patamar em que, de acordo com a série histórica, ocorreram as maiores cheias em Rondônia. Segundo informações do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), neste momento, considerando o histórico de monitoramento, o rio Madeira está atingindo a 5ª maior cheia já registrada para este período, no início de março, ao chegar a menos de 40 centímetros de atingir a cota de inundação (17m) na capital de Rondônia.

Essa mudança no cenário de uma cheia dentro da normalidade para acima do normal motivou toda a atenção dos órgãos de monitoramento e a precaução dos agentes de Defesa Civil. Conforme explica o pesquisador em geociências do SGB-CPRM Marcus Suassuna, ocorreu nas últimas duas semanas uma elevação rápida das cotas. Em 15 de fevereiro, o rio estava na cota 14,30m próximo da média histórica e nesta quinta-feira está próximo da cota de 16,50m, ou seja, 1,60m acima da mediana. A subida mais rápida foi entre os dias 13/02 e 18/02 quando subiu de 14,21m para 15,30m.

Além da avaliação dos efeitos das fortes chuvas isoladas que impactaram na bacia nas últimas semanas, o último boletim do Sistema de Alerta Hidrológico do rio Madeira do SGB-CPRM atualizou os dados e as previsões para as próximas semanas. O prognóstico aponta que para os próximos dias a tendência é que o rio estabilize os seus níveis, amenizando o processo de elevação, com a previsão de chuvas dentro da normalidade. Acesse a íntegra do documento emitido pelo órgão do governo federal ligado ao Ministério de Minas e Energia aqui: https://bit.ly/3uVP1LC

IMPACTO DAS CHUVAS NA BOLÍVIA - O monitoramento e a previsão para bacia do rio Madeira nos municípios de Rondônia precisam considerar informações sobre as chuvas na Bolívia, onde ficam as cabeceiras do rio Madeira. A estação em Beni, onde foram registradas chuvas acima da média em fevereiro, fica localizada a montante de Porto Velho e é uma referência mais próxima da fronteira boliviana. Geralmente, o que acontece lá acaba se refletindo em Porto Velho. Também são consultados dados do Cenami, órgão de monitoramento hidrológico Bolívia e da Estação El Sena no rio Madre de Dios. Em ambas as estações, a tendência neste momento é de regressão de níveis, o que pode indicar que já tenha sido atingido o pico da cheia neste ano.

SALA DE CRISE DA AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS - Na tarde desta quarta-feira, dia 03/03, foi realizada a 2ª reunião da Sala de Crise do rio Madeira, promovida pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). A realização foi antecipada devido à rápida elevação do rio nas últimas semanas. A reunião ocorreu em momento oportuno, considerando que a cota do rio em Porto Velho está no limite, muito próxima da cota de inundação, o que para Defesa Civil é preocupante. O pesquisador Marcus Suassuna fez a apresentação dos prognósticos para o comportamento hidrológico dos níveis. O Cemaden e a ONS também realizaram apresentações técnicas com informações sobre o rio Madeira. Acesse a íntegra da reunião aqui: https://bit.ly/3sPvj2e
 

MONITORAMENTO DO SGB-CPRM - Neste período de cheias estão sendo emitidos boletins semanais para bacia do rio Madeira com dados hidrometeorológicos, de cotas de níveis dos rios, vazões, chuvas, evapotranspiração e previsões de chuvas de órgãos parceiros. Em Porto Velho e Guajará Mirim, que estão em cota de alerta, são enviados três boletins semanais aos órgãos de Defesa Civil locais e nacionais, disponibilizamos no portal da SGB-CPRM. O trabalho de monitoramento e previsão é realizado em parceria com a ANA, Cemaden, Sipam, além do INPE.
 

Os dados hidrológicos utilizados são provenientes da Rede Hidrometeorológica Nacional de responsabilidade da Agência Nacional de Águas (ANA), operada pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e demais parceiros. As previsões realizadas pelos engenheiros da CPRM são baseadas em modelos hidrológicos e estão sujeitas às incertezas inerentes aos mesmos.

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