Acusado de tentar matar ex-colega por causa de briga em presídio é condenado há quase dez anos de prisão em Vilhena

Mãe do réu, com problemas de fala e audição, assistiu o julgamento.

Folha do Sul 
Publicada em 07 de dezembro de 2018 às 12:06
Acusado de tentar matar ex-colega por causa de briga em presídio é condenado há quase dez anos de prisão em Vilhena

Após mais de seis horas, acabou na tarde de ontem, 06, o julgamento do jovem Yuri Richard Rosa Marques, 22 anos, acusado de tentar matar a tiros, no ano passado, Elias Pereira de Jesus. O crime aconteceu no bairro Jardim primavera, e teria sido motivado por uma briga travada entre autor e vítima, quando ambos estavam cumprindo penas no presídio Cone Sul.

A BRIGA

Na instituição penal, onde estava preso por espancar o vigia de uma escola em Vilhena, junto com amigos, para roubar o colégio, em 2015, Yuri levou uma facada de Elias. Segundo contou, o ataque teria acontecido por ele se recusar a lavar a roupa do companheiro de carceragem.

O CRIME

Quando ambos já estavam soltos, o jovem se encontrou com Elias e deferiu um único tiro contra ele. Segundo alegou, a ação foi em revide às ameaças que passou a sofrer do ex-apenado, que também prometia matar sua família.

O réu argumentou que não matou o desafeto por dois motivos: se arrependeu e a arma que estava usando tinha apenas uma bala no tambor. 

Já o MP contestou esta versão, revelando que escutas autorizadas pela justiça flagraram conversas entre membros de uma facção criminosa nas quais eles diziam que o motivo de o assassinato não ter sido consumado é que a arma de Yuri havia falhado após o único disparo. Nos diálogos entre os criminosos, eles se referiam ao acusado, que passou a integrar o bando dentro do presido, pelo apelido de “ZL”.

Responsável pela acusação, o promotor João Paulo Lopes, pediu a condenação, alegando que o autor do crime agiu por vingança. O promotor revelou que, após deixar a vítima com as vísceras expostas, em virtude do tiro na barriga, Yuri foi se divertir numa casa noturna da cidade.

O defensor Matheus Lichy apresentou como tese de defesa o “homicídio privilegiado”, em virtude de o réu ter agido motivado por “relevante valor moral”, pois estaria defendendo a família das ameaças feitas por Elias, o que foi contestado pelo promotor, que pediu a condenação por homicídio tentado qualificado.

Ao final, os jurados deram razão à acusação e condenaram o réu a 9 anos e 4 meses em regime fechado. Ele está preso desde o dia seguinte ao crime, ou seja, está no CRCS há um ano e 9 meses. 

MÃE ASSISTIU

Com problemas de fala e audição, a mãe do jovem acusado assistiu o júri, presidido pelo juiz Andresson Cavalcante Fecury. Da platéia, a mulher se comunicava com o filho através de sinais.

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