Adesão a benefícios de bem-estar cresce 144% em um ano
Estudo mostra avanço da base de usuários com assinatura ativa e taxa média de adesão de 24% entre trabalhadores elegíveis
A adesão a benefícios relacionados ao bem-estar ganhou espaço entre os trabalhadores ao longo de 2025. Entre janeiro e dezembro, a base de usuários com assinatura ativa cresceu 144%, segundo o Panorama do RH 2026, produzido pela Caju, operadora de benefícios, em parceria com seu braço de inteligência, a Cajuína.
O levantamento também mostra que a taxa média de adesão anual ficou em aproximadamente 24% da base elegível. Isso significa que, em média, quase um em cada quatro trabalhadores com acesso à possibilidade de contratação manteve uma assinatura ativa durante o período analisado.
Os indicadores medem aspectos diferentes. O avanço de 144% corresponde ao crescimento da base ativa ao longo do ano e não significa que 144% dos funcionários aderiram ao serviço. Já os 24% representam a relação média entre usuários ativos e pessoas elegíveis.
Benefícios voluntários disputam espaço na rotina
Ao contrário de benefícios concedidos automaticamente, as soluções voluntárias dependem de uma decisão do trabalhador. Em alguns modelos, também podem envolver ativação, escolha de plano ou participação financeira.
Por essa razão, uma taxa média anual de aproximadamente 24% indica que a oferta encontrou utilidade entre uma parcela relevante do público elegível. A adesão, porém, não deve ser analisada isoladamente. É necessário observar se o trabalhador continua utilizando o serviço, qual é a frequência de uso e quais fatores dificultam o acesso.
Benefícios de bem-estar podem reunir diferentes propostas, conforme o fornecedor e a política da empresa. Entre as possibilidades estão atividades físicas, cuidados de saúde mental, práticas de relaxamento e outros serviços relacionados à qualidade de vida.
Crescimento não elimina barreiras de acesso
Mesmo quando existe interesse, algumas condições podem limitar a participação. Falta de estabelecimentos credenciados próximos, mensalidades incompatíveis com a renda, comunicação insuficiente e opções pouco alinhadas à rotina estão entre os possíveis obstáculos.
O modelo de trabalho também interfere. Profissionais remotos, presenciais e híbridos podem ter necessidades distintas, assim como funcionários de grandes cidades e trabalhadores que vivem em municípios com menor oferta de serviços.
Por isso, antes de ampliar o programa, o RH pode realizar pesquisas internas e analisar a adesão por unidade, região ou formato de trabalho. O cuidado deve ser tomado para preservar a privacidade dos colaboradores e evitar interpretações individualizadas sobre informações relacionadas à saúde.
Flexibilidade pode facilitar o acesso
A maneira como os benefícios são organizados e disponibilizados também interfere na experiência do funcionário. Processos de ativação complexos, regras pouco claras e informações distribuídas em diferentes canais podem reduzir o interesse até mesmo por uma oferta considerada relevante.
Nesse contexto, a adoção de um cartão multibenefícios pode ajudar a centralizar diferentes categorias e facilitar a gestão do pacote, desde que sejam respeitadas as regras aplicáveis a cada verba.
Também é importante estabelecer objetivos. A empresa deve identificar se pretende ampliar o acesso ao bem-estar, diversificar o pacote ou responder a uma necessidade apontada pelos próprios colaboradores.
O que o RH deve acompanhar?
Além do número de inscrições, a avaliação pode incluir taxa de ativação, continuidade das assinaturas, satisfação dos usuários, cobertura geográfica e motivos de cancelamento. O custo por funcionário elegível também pode ser comparado ao custo por usuário efetivamente ativo.
Benefícios de bem-estar podem complementar as ações de gestão de pessoas, mas não substituem medidas relacionadas ao ambiente de trabalho, como carga adequada, qualidade da liderança e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
O crescimento registrado em 2025 mostra espaço para essas soluções. A efetividade, porém, dependerá da capacidade de transformar uma opção disponível em um recurso compatível com a realidade dos trabalhadores.
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