Agentes públicos se reúnem para destacar a importância do combate e controle da Sífilis em Rondônia

Durante todo o mês, entes públicos realizam ações de sensibilização à temática. A vigilância das infecções sexualmente transmissíveis HIV/Aids, Hepatite Virais e Sífilis, fazem parte do trabalho do setor de epidemiologia

Aurimar Lima Fotos: Aurimar Lima e Daiane Mendonça
Publicada em 30 de outubro de 2020 às 12:06
Agentes públicos se reúnem para destacar a importância do combate e controle da Sífilis em Rondônia

Quatro transmissões (ao vivo) sobre o tema foram organizadas pelo Núcleo de Dst/Aids e hepatites Virais da agencia, com apoio da Sesau.

Uma preocupação comum entre os agentes públicos é prevenir e controlar a disseminação da Sífilis, doença infectocontagiosa sexualmente transmissível, que foi o tema do encontro virtual organizado pela Agência de Vigilância em Saúde de Rondônia (Agevisa).

Durante todo o mês, entes públicos realizam ações de sensibilização à temática. A vigilância das infecções sexualmente transmissíveis HIV/Aids, Hepatite Virais e Sífilis, fazem parte do trabalho do setor de epidemiologia da Agevisa. Quatro transmissões (ao vivo) sobre o tema foram organizadas pelo Núcleo de Dst/Aids e hepatites Virais da agencia, com apoio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).

Participaram da live os enfermeiros Marcuce Antônio Miranda dos Santos, presidente da Associação Beradeiro; Ivana Annely Cortez da Fonseca, apoiadora do projeto Sifilis Não!; e Maria de Lurdes da Silva Oliveira, presidente da Comitê da prevenção da Transmissão Vertical de Porto Velho.

A diretora geral da Agevisa, Ana Flora Camargo Gerhardt, participou da abertura da quarta e última transmissão ao vivo, realizada na plataforma da rede social, mês que faz alusão ao combate à doença – Outubro Lilás. A diretora destacou o papel da Agência em promover ações integradas à educação, prevenção e controle de agravos a saúde, com vistas à melhoria da qualidade de vida do cidadão rondoniense.

“É de suma importância alcançar a população de Rondônia com alertas de prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, principalmente no pré-natal. As gestantes não podem ficar sem o atendimento, serve para ela, para a criança e até para o parceiro. Também queremos fortalecer os nossos profissionais da saúde com informação e integração entre os entes. Queremos eliminar a transmissão vertical, temos um trabalho em toda a rede básica de saúde contribuindo com monitoramento dos agravos, tratamento, medicamentos, assistência e prevenção”, explicou Gerhard.

SIFILIS EM PORTO VELHO

A enfermeira Maria Lurdes da Silva fez uma retrospectiva sobre o trabalho público para controlar a Sífilis no Brasil, e destacou o processo de investigação sobre a doença. Ela preside o Comitê da prevenção da Transmissão Vertical, instituído na cidade de Porto Velho no ano de 2018.

Lurdes demonstrou a preocupação com a transmissão da doença em gestantes, porque a bactéria pode chegar ao bebe por meio da placenta. “Em 2016, a Organização Mundial de Saúde (OMS) liberou um estudo afirmando que no mundo o agravo foi responsável por mais de duas mil mortes de crianças. O país é signatário para o controle da sífilis, a incidência ainda é muito alta, o regular é que para cada mil nascidos vivos haja uma incidência apenas de 0,5 casos de Sífilis. Desde o ano de 2017 trabalhamos para a redução dos casos, até porque a Sífilis é uma doença tratável e pode ser detectada ainda no pré-natal, a gestante inicia o tratamento precoce e assim que identificado tanto a gestante quanto o parceiro devem fazer o tratamento adequado”, disse.

Em Porto Velho, o perfil de casos notificados é de mulheres na faixa etária de 20 a 34 anos, mas há uma parcela grande de adolescentes entre 15 a 19 anos. No ano de 2020 foram registrados 83 casos de gestantes notificadas, 61 dessas mulheres estão na faixa etária de 20 a 34 anos, e 16 na faixa de 15 a 19 anos. A maioria dessas mulheres tem menos de oito anos de escolaridade. A enfermeira fez questão de destacar que as notificações apresentadas são provenientes da rede pública, e quanto mais notificar maior a contribuição para o desenvolvimento de ações do controle.

COMITÊ

Diretora da Agevisa destacou o papel da Agência em promover ações integradas à educação, prevenção e controle de agravos a saúde.

O comitê da transmissão vertical é uma proposta do Ministério da Saúde para os municípios que tiveram um número maior de casos informados, é composto de entes públicos e a sociedade civil organizada, com o objetivo de identificar os determinantes dos casos, quais as falhas no trabalho, como e o que fazer para corrigir. Não é um comitê punitivo, é educativo e possui reuniões mensais, onde existe um protocolo que orienta a implantação do comitê.

A enfermeira Ivana Cortez, apoiadora do projeto Sifilis Não! Falou sobre a atuação dos eixos de trabalho desenvolvidos diante do diagnóstico do território. Baseado nos dados epidemiológicos de Porto Velho foi feito um diagnostico e os municípios que têm casos mais elevados são apoiados pelo projeto.

Outro trabalho que integra as ações do Sífilis Não! É o projeto de integração da vigilância em saúde e atenção primaria à saúde: Força Tarefa, que é um projeto paralelo em parceria com a Sesau, que dispõe de acadêmicos e estende as ações para outros agravos. “A parceria tem como foco melhorar o acesso ao tratamento, a teste rápidos e medicamentos”, informou.

ONG BERADEIRO

O enfermeiro Marcuce Miranda apresentou o trabalho realizado pela Ong Beradeiro, a qual preside. A ideia é de o atendimento chegar com mais eficácia às comunidades ribeirinhas. Começou no ano de 2.016, por meio do projeto de extensão universitária, quando os envolvidos detectaram a necessidade de apoiar as ações de combate e controle das doenças sexualmente transmissíveis nas comunidades de difícil acesso. “Percebemos que os indicadores das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), Aids, Sífilis e Hepatites, estavam altos. Era necessário apoiar as comunidades rurais, quilombos, ribeirinhos, comunidades que tradicionalmente têm dificuldade de acesso às politicas publicas”, pontuou Marcuce.

Os desafios que impactam no atendimento epidemiológico foram destaques na fala do enfermeiro, que apresentou um grupo de multiprofissionais que atende as comunidades com enfermeiros, odontólogos, fisioterapeutas, acadêmicos, e parcerias com as secretarias de saúde e organizações do terceiro setor.

Além de oferecer o atendimento básico, o projeto busca rever as práticas sexuais da comunidade e pretende chegar ao público que está dentro das escolas. “É um desafio falar dentro das escolas sobre as ISTs, mesmo com barreiras políticas, culturais e religiosas, pretendemos falar sobre novas práticas e, para isso, precisamos utilizar de mecanismos que atendem nossos jovens, assim entendemos que os levamos às práticas preventivas”, disse Marcuce, ressaltando que o trabalho é itinerante.

O próximo trabalho da Ong foi denominado: #um meet com a prevenção, que tem como foco falar de Sífilis, gravidez na adolescência, imunização, entre outros temas usando os influenciadores digitais das respectivas comunidades, como forma de apoiarem os projetos que recebem vídeos em primeira mão e divulgam na localidade. Pessoas de associações, igrejas, influenciadores em rede digital, e todos que podem multiplicar a informação oportunizada por meio de vídeos educativos pequenos e propícios à divulgação nas comunidades tradicionais.

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