Antifas não podem queimar largada no domingo

"Os protestos de rua convocados em defesa da democracia serão o primeiro teste de mobilização dos grupos antibolsonaristas e antifacistas, e vão servir também para medir as forças do governo", escreve a jornalista Helena Chagas

por Helena Chagas
Publicada em 05 de junho de 2020 às 19:34
Antifas não podem queimar largada no domingo

PM reprime protestos pela democracia na Avenida Paulista (Foto: Roberto Parizotti)

Tanto Jair Bolsonaro quanto os ministros do STF Celso de Mello e Alexandre de Moraes tiraram o pé do acelerador da crise política e institucional esta semana, talvez porque aguardem as emoções do próximo capítulo, no domingo. Os protestos de rua convocados em defesa da democracia serão o primeiro teste de mobilização dos grupos  antibolsonaristas e antifacistas (os “antifa”), e vão servir também para medir as forças do governo.

Seguindo seu perfil psicológico – quanto mais apavorado, mais ele agride -, o presidente da República chama os manifestantes de “terroristas”, secundado pelo vice Hamilton Mourão, que agora resolveu falar para a galera da extrema direita e os considera “deliquentes”. Tentam criar um clima para justificar eventuais atos de repressão das PMs estaduais, e até mesmo preparar terreno para futuras medidas de força, inclusive com recurso às Forças Armadas, sob o pretexto da lei e da ordem.

Por trás dessas atitudes, a constatação inegável de que o governo está, sim, com muito medo das ruas. A pandemia torna improvável a presença de grandes contingentes de manifestantes – até para não contradizer o discurso da esquerda a favor do isolamento – , mas é bom lembrar que, até ontem, apenas os bolsonaristas se manifestavam, mesmo assim, movidos pela máquina dos bolsominions.

Do lado dos antifa, a principal orientação é ter muita calma nessa hora. Os organizadores desses movimentos precoces, que só eram esperados pela oposição institucionalizada para depois da pandemia, sabem que os riscos são grandes. O primeiro, de esvaziamento por causa da Covid-19. O segundo, de perda de controle do movimento, que pode acabar infiltrado por elementos provocadores e descambar em violência e vandalismo – o que poderá “queimar a largada” da esperada reação popular contra o autoritarismo desse governo.

De um jeito ou de outro, na segunda-feira o desenho do quadro político vai estar mais nítido.

Comentários

  • 1
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    Pedro Francisco Telles 07/06/2020

    Edson e Ademar.  Quando a meia dúzia de vacas e capões bosominions vão pra rua, pregando a ruptura democrática, o ódio, o nazifascismo, aí pode!. Mas quando uma multidão vai às ruas para se manifestar a favor do estado de direito, da Constituição, do respeito às minorias, aí não pode.  Vocês dois assinaram um manifesto, declarando-se tolos, ignorantes e bolsominions abjetos. 

  • 2
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    Ademar Simões 07/06/2020

    Se vândalos encapuzados usando capuz igual assaltante de bancos usam podem ser chamado de democratas então estão certos........pra pedir democracia não precisa esconder a cara.

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