Bendita Lava Jato

Na hora de meter as mãos sujas em milhões de reais extraídos de impostos do contribuinte, não pensa duas vezes. Mas, quando a casa está em chamas e tudo parece apontar para o cadafalso, sai-se com desculpas esfarrapadas, que só convencem néscios e bajuladores de plantão.

Valdemir Caldas
Publicada em 13 de abril de 2017 às 15:03

Por mais que algumas pessoas desejem desmentir, a sociedade brasileira começa a testemunhar decisões e providências que se julgavam absolutamente impossíveis, diante da impunidade reinante. Graças, evidentemente, ao trabalho profícuo de um grupo de destemidos procuradores, em conjunto com um procurador geral rígido, uma Polícia Federal atuante e um juiz linha dura, que não tem um péssimo hábito da tergiversação, nem costuma dá moleza para empresários gananciosos e políticos espertalhões. Há, como se vê, hoje, um clima propício à modificação de costumes que todos pensavam definitivamente implantados no país.

Interessante essa gente. Na hora de meter as mãos sujas em milhões de reais extraídos de impostos do contribuinte, não pensa duas vezes. Mas, quando a casa está em chamas e tudo parece apontar para o cadafalso, sai-se com desculpas esfarrapadas, que só convencem néscios e bajuladores de plantão, igualmente acostumados a se cevarem nas flácidas tetas da administração pública sem nada produzirem em proveito da sociedade.

A decisão que o ministro Edson Fachini, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) acaba de tomar, enquadrando ministros, senadores, deputados federais e prefeito, por corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, dá bem dimensão do compromisso que os mais representativos setores da vida nacional desejam firma com a verdadeira modernidade.

No momento em que a sociedade se prepara para voltar às ruas e reclamar direitos que a cidadania consagra, nada mais salutar que a mais alta corte do país enverede por caminhos de há muito reivindicados, contribuindo, assim, para que se restaure a necessária credibilidade do Poder Judiciário e se atribua aos seus membros a aura de credibilidade e respeitabilidade exigíveis diante da sublimidade da missão e do compromisso social que carregam sobre os ombros.

Resta apenas aguardar a mais otimista expectativa, que se irá concretizando à medida que decisões futuras confirmarem o compromisso assumido com a justa e exemplar punição de delitos e irregularidades praticados por pessoas que, há pouco tempo, se julgavam acima de tudo e de todos, principalmente, no Estado de Rondônia.

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