CPI do Crime vota convite a ministros do STF

O senador Fabiano Contarato é presidente e o senador Alessandro Vieira, relator da CPI

Fonte: Agência Senado/Foto: Carlos Moura/Agência Senado - Publicada em 13 de fevereiro de 2026 às 16:01

CPI do Crime vota convite a ministros do STF

A CPI do Crime Organizado volta a se reunir após o carnaval e pode votar uma série de requerimentos relacionados ao Banco Master, entre eles requerimentos de convite aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) José Antonio Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Além desses pedidos, há requerimentos para convocações de outros nomes citados no contexto das apurações envolvendo o Banco Master, como os ex-dirigentes da instituição. Os requerimentos foram incluídos na pauta da próxima reunião deliberativa, marcada para quarta-feira (25).

Toffoli, que era relator do inquérito no STF sobre a prática de fraudes financeiras no Master, sobretudo numa tentativa de venda da instituição ao banco BRB, deixou o posto nessa quinta-feira (12).

Irmãos de Toffoli

Também foi requerida a convocação dos irmãos do ministro Toffoli, José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli. Nos requerimentos, os senadores Carlos Portinho (PL-RJ) e Magno Malta (PL-ES) citam que, entre os objetivos da CPI, está a investigação da novas formas de atuação das organizações criminosas, com atenção aos mecanismos utilizados para ocultação, dissimulação e reinserção de recursos de origem ilícita na economia formal (REQs 140, 143, 147) .

Com base nessa argumentação, os senadores consideram relevante ouvir José Carlos e José Eugênio sobre a confirmação da informação de que ele faz parte da sociedade em uma empresa que vendeu uma participação no resort Tayaya, no Paraná, a fundos ligados ao Master. Além disso, os senadores apontam matéria divulgada pelo portal de notícias Metrópoles, que faz referência à realização de jogos de azar no local.

“A reportagem publicada pelo portal Metrópoles, em 21 de janeiro de 2026, aponta a possível exploração de jogos de azar em resort localizado no estado do Paraná, inclusive com a realização de jogos de cartas com apostas em dinheiro e a atuação de dealers, práticas que não se encontram autorizadas pelo ordenamento jurídico brasileiro”, explica Malta no requerimento.

Alexandre de Moraes e mulher

Além de José Antonio Dias Toffoli, a CPI vota envio de convites que, segundo os autores, estariam conectados às investigações de fraudes financeiras no Banco Master. Entre eles, convites ao ministro Alexandre de Moraes.

A pauta tem ainda requerimentos de convite e de convocação à mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes.

O autor de um dos requerimentos (REQ 144), senador Eduardo Girão (Novo-CE), justifica o convite ao afirmar que a advogada manteve contrato de prestação de serviços advocatícios de “elevado valor econômico” com o Banco Master. Segundo ele, o contrato envolveu atuação direta ou indireta perante diversos órgãos públicos estratégicos.

“Conforme consta de diversas publicações jornalísticas, há notícias de que o ministro Alexandre de Moraes realizou contatos diretos com o presidente do Banco Central do Brasil para tratar de assuntos de interesse do Banco Master, instituição com a qual sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, mantinha contrato profissional de expressiva relevância econômica, abrangendo atuação perante órgãos públicos sensíveis”, afirma nos requerimentos.

Também constam na pauta outros pedidos de convite de autoridades para, segundo os requerentes, ter mais informações sobre os fatos envolvendo o Banco Master. Entre eles estão o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; o ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Rui Costa, e o ex-ministro Guido Mantega, que foi contratado no início de 2026 para atuar no conselho consultivo do Banco Master.

Resort no Paraná

A CPI pode votar ainda requerimentos para convocação do advogado Paulo Humberto Barbosa (REQ 141) e Mario Umberto Degani (REQ 142), primo de Toffoli.

A intenção é aprofundar as investigações sobre as transação envolvendo o Tayayá Resort com o envolvimento dos donos do Banco Master e os familiares de Dias Toffoli.

Degani foi o fundador do Tayayá, em 1999, e teve os irmãos José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli como acionistas através de uma empresa de participações junto dos fundos ligados ao Master.

“A oitiva dos atuais e anteriores proprietários e administradores do Resort Tayayá mostra-se necessária para esclarecer o período de início das atividades noticiadas, verificar a participação de cada um dos envolvidos e apurar o grau de conhecimento que detinham acerca dos fatos, permitindo a adequada reconstrução da dinâmica dos acontecimentos”, afirma Magno Malta no requerimento.

Malta ainda pede que sejam enviados convites para que representantes do Ministério Público do Paraná, da Polícia Civil do estado e da Polícia Federal para que prestem esclarecimentos sobre o caso.

Sócios e ex-CEO

Entre os pedidos de convocação ainda estão o do ex-CEO e sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima (REQ 121), do superintendente-executivo de Tesouraria, Alberto Félix de Oliveira Neto (REQ 123), do controlador da instituição, Daniel Vorcaro (REQ 124) e do ex-diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia Luiz Antônio Bull (REQ 125).

Também constam requerimentos para convocação de Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio da instituição (REQ 126). Esses pedidos foram apresentados pelos senadores Eduardo Girão e Marcos do Val.

Eles justificam a convocação lembrando que A Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, identificou que estruturas financeiras ligadas a Daniel Vorcaro e seus sócios teriam sido usadas para lavagem de dinheiro da facção criminosa conhecida como PCC, por meio de empresas de fachada, contratos artificiais e triangulações com operadores da Faria Lima, incluindo transações envolvendo o Clube Atlético-MG. Esses elementos, segundo os senadores, poderiam estar conectados à atuação do crime organizado no sistema financeiro nacional.

“O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, detém 20,2% das ações da SAF do Atlético de Minas Gerais. A participação foi adquirida por meio do FIP Galo Forte, com cerca de R$ 300 milhões investidos entre 2023 e 2024. A origem desses recursos já era alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo, no desdobramento da operação Carbono Oculto, que apura possível lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligados ao PCC”, diz Marcos do Val no requerimento.

Sigilos

Além das convocações, há pedido para que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) envie Relatório de Inteligência Financeira (RIF) e que seja autorizada a transferência dos sigilos do Banco Master S.A., referentes ao período de 1º de janeiro de 2022 a 29 de janeiro de 2026 (REQ 155). A pauta também inclui requerimento para que a Diretoria-Geral do Senado envie informações sobre registros de entrada e saída de Augusto Ferreira Lima nas dependências da Casa (REQ 157).

Ainda na linha de investigação patrimonial e financeira, há requerimento à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para envio de informações sobre ativos aeronáuticos vinculados a Daniel Vorcaro, à empresa Viking Participações S.A. e ao Banco Master S.A. (REQ 175)

Outros requerimentos

A pauta da reunião também tem requerimentos de convite e convocação de autoridades da segurança pública, integrantes do Ministério Público, ministros e outras autoridades, bem como solicitações de informações a órgãos como o Ministério dos Transportes, Banco Central, Coaf e Anac.

Consta, por exemplo, requerimento para convidar o comandante do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, a prestar esclarecimentos à comissão, além de convocação do procurador-geral do Ministério Público do Acre, Danilo Lovisaro do Nascimento, que também preside o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), e do superintendente regional da Polícia Federal no estado

Depoimento de TH Jóias

A reunião ainda prevê oitiva do ex-deputado estadual, Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. A convocação atende ao requerimento (REQ 104/2025) do relator da CPI.

Ele justificou a presença do ex-deputado à comissão para contribuir com “um diagnóstico fidedigno” da ameaça representada pela infiltração do crime organizado no poder público.

TH Joias foi indiciado pela Polícia Federal do Rio de Janeiro por crimes graves ligados a facções. Ele foi preso em setembro de 2025 acusado de intermediar a compra e venda de armas para o Comando Vermelho, além de diversas ações de favorecimento à organização criminosa.

“O suposto uso de um negócio legítimo, como o comércio de joias, para lavar e movimentar milhões em nome dessas facções, é um ponto de interesse central para esta CPI”, argumenta o relator.

Erramos: esta reportagem foi corrigida para esclarecer que não houve requerimento de convocação ao ministro do STF Dias Toffoli, e sim a seus irmãos José Carlos Dias Toffoli e José Eugenio Dias Toffoli. 

Fonte: Agência Senado

CPI do Crime vota convite a ministros do STF

O senador Fabiano Contarato é presidente e o senador Alessandro Vieira, relator da CPI

Agência Senado/Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Publicada em 13 de fevereiro de 2026 às 16:01
CPI do Crime vota convite a ministros do STF

A CPI do Crime Organizado volta a se reunir após o carnaval e pode votar uma série de requerimentos relacionados ao Banco Master, entre eles requerimentos de convite aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) José Antonio Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Além desses pedidos, há requerimentos para convocações de outros nomes citados no contexto das apurações envolvendo o Banco Master, como os ex-dirigentes da instituição. Os requerimentos foram incluídos na pauta da próxima reunião deliberativa, marcada para quarta-feira (25).

Toffoli, que era relator do inquérito no STF sobre a prática de fraudes financeiras no Master, sobretudo numa tentativa de venda da instituição ao banco BRB, deixou o posto nessa quinta-feira (12).

Irmãos de Toffoli

Também foi requerida a convocação dos irmãos do ministro Toffoli, José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli. Nos requerimentos, os senadores Carlos Portinho (PL-RJ) e Magno Malta (PL-ES) citam que, entre os objetivos da CPI, está a investigação da novas formas de atuação das organizações criminosas, com atenção aos mecanismos utilizados para ocultação, dissimulação e reinserção de recursos de origem ilícita na economia formal (REQs 140, 143, 147) .

Com base nessa argumentação, os senadores consideram relevante ouvir José Carlos e José Eugênio sobre a confirmação da informação de que ele faz parte da sociedade em uma empresa que vendeu uma participação no resort Tayaya, no Paraná, a fundos ligados ao Master. Além disso, os senadores apontam matéria divulgada pelo portal de notícias Metrópoles, que faz referência à realização de jogos de azar no local.

“A reportagem publicada pelo portal Metrópoles, em 21 de janeiro de 2026, aponta a possível exploração de jogos de azar em resort localizado no estado do Paraná, inclusive com a realização de jogos de cartas com apostas em dinheiro e a atuação de dealers, práticas que não se encontram autorizadas pelo ordenamento jurídico brasileiro”, explica Malta no requerimento.

Alexandre de Moraes e mulher

Além de José Antonio Dias Toffoli, a CPI vota envio de convites que, segundo os autores, estariam conectados às investigações de fraudes financeiras no Banco Master. Entre eles, convites ao ministro Alexandre de Moraes.

A pauta tem ainda requerimentos de convite e de convocação à mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes.

O autor de um dos requerimentos (REQ 144), senador Eduardo Girão (Novo-CE), justifica o convite ao afirmar que a advogada manteve contrato de prestação de serviços advocatícios de “elevado valor econômico” com o Banco Master. Segundo ele, o contrato envolveu atuação direta ou indireta perante diversos órgãos públicos estratégicos.

“Conforme consta de diversas publicações jornalísticas, há notícias de que o ministro Alexandre de Moraes realizou contatos diretos com o presidente do Banco Central do Brasil para tratar de assuntos de interesse do Banco Master, instituição com a qual sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, mantinha contrato profissional de expressiva relevância econômica, abrangendo atuação perante órgãos públicos sensíveis”, afirma nos requerimentos.

Também constam na pauta outros pedidos de convite de autoridades para, segundo os requerentes, ter mais informações sobre os fatos envolvendo o Banco Master. Entre eles estão o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; o ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Rui Costa, e o ex-ministro Guido Mantega, que foi contratado no início de 2026 para atuar no conselho consultivo do Banco Master.

Resort no Paraná

A CPI pode votar ainda requerimentos para convocação do advogado Paulo Humberto Barbosa (REQ 141) e Mario Umberto Degani (REQ 142), primo de Toffoli.

A intenção é aprofundar as investigações sobre as transação envolvendo o Tayayá Resort com o envolvimento dos donos do Banco Master e os familiares de Dias Toffoli.

Degani foi o fundador do Tayayá, em 1999, e teve os irmãos José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli como acionistas através de uma empresa de participações junto dos fundos ligados ao Master.

“A oitiva dos atuais e anteriores proprietários e administradores do Resort Tayayá mostra-se necessária para esclarecer o período de início das atividades noticiadas, verificar a participação de cada um dos envolvidos e apurar o grau de conhecimento que detinham acerca dos fatos, permitindo a adequada reconstrução da dinâmica dos acontecimentos”, afirma Magno Malta no requerimento.

Malta ainda pede que sejam enviados convites para que representantes do Ministério Público do Paraná, da Polícia Civil do estado e da Polícia Federal para que prestem esclarecimentos sobre o caso.

Sócios e ex-CEO

Entre os pedidos de convocação ainda estão o do ex-CEO e sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima (REQ 121), do superintendente-executivo de Tesouraria, Alberto Félix de Oliveira Neto (REQ 123), do controlador da instituição, Daniel Vorcaro (REQ 124) e do ex-diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia Luiz Antônio Bull (REQ 125).

Também constam requerimentos para convocação de Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio da instituição (REQ 126). Esses pedidos foram apresentados pelos senadores Eduardo Girão e Marcos do Val.

Eles justificam a convocação lembrando que A Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, identificou que estruturas financeiras ligadas a Daniel Vorcaro e seus sócios teriam sido usadas para lavagem de dinheiro da facção criminosa conhecida como PCC, por meio de empresas de fachada, contratos artificiais e triangulações com operadores da Faria Lima, incluindo transações envolvendo o Clube Atlético-MG. Esses elementos, segundo os senadores, poderiam estar conectados à atuação do crime organizado no sistema financeiro nacional.

“O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, detém 20,2% das ações da SAF do Atlético de Minas Gerais. A participação foi adquirida por meio do FIP Galo Forte, com cerca de R$ 300 milhões investidos entre 2023 e 2024. A origem desses recursos já era alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo, no desdobramento da operação Carbono Oculto, que apura possível lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligados ao PCC”, diz Marcos do Val no requerimento.

Sigilos

Além das convocações, há pedido para que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) envie Relatório de Inteligência Financeira (RIF) e que seja autorizada a transferência dos sigilos do Banco Master S.A., referentes ao período de 1º de janeiro de 2022 a 29 de janeiro de 2026 (REQ 155). A pauta também inclui requerimento para que a Diretoria-Geral do Senado envie informações sobre registros de entrada e saída de Augusto Ferreira Lima nas dependências da Casa (REQ 157).

Ainda na linha de investigação patrimonial e financeira, há requerimento à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para envio de informações sobre ativos aeronáuticos vinculados a Daniel Vorcaro, à empresa Viking Participações S.A. e ao Banco Master S.A. (REQ 175)

Outros requerimentos

A pauta da reunião também tem requerimentos de convite e convocação de autoridades da segurança pública, integrantes do Ministério Público, ministros e outras autoridades, bem como solicitações de informações a órgãos como o Ministério dos Transportes, Banco Central, Coaf e Anac.

Consta, por exemplo, requerimento para convidar o comandante do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, a prestar esclarecimentos à comissão, além de convocação do procurador-geral do Ministério Público do Acre, Danilo Lovisaro do Nascimento, que também preside o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), e do superintendente regional da Polícia Federal no estado

Depoimento de TH Jóias

A reunião ainda prevê oitiva do ex-deputado estadual, Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. A convocação atende ao requerimento (REQ 104/2025) do relator da CPI.

Ele justificou a presença do ex-deputado à comissão para contribuir com “um diagnóstico fidedigno” da ameaça representada pela infiltração do crime organizado no poder público.

TH Joias foi indiciado pela Polícia Federal do Rio de Janeiro por crimes graves ligados a facções. Ele foi preso em setembro de 2025 acusado de intermediar a compra e venda de armas para o Comando Vermelho, além de diversas ações de favorecimento à organização criminosa.

“O suposto uso de um negócio legítimo, como o comércio de joias, para lavar e movimentar milhões em nome dessas facções, é um ponto de interesse central para esta CPI”, argumenta o relator.

Erramos: esta reportagem foi corrigida para esclarecer que não houve requerimento de convocação ao ministro do STF Dias Toffoli, e sim a seus irmãos José Carlos Dias Toffoli e José Eugenio Dias Toffoli. 

Fonte: Agência Senado

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