Fabiane, saudade que dilacera meu coração
Essas lembranças afloraram do recôndito da alma, inundando meu velho coração com uma mistura de sentimento de orgulho e de nostalgia, nesse momento em que o voo da minha eternamente amada sobrinha Fabiane destinou-se para além
Já são tempos idos, uma certeza, porém, não foge da minha já surrada memória: aquela casa simples de madeira em lambri, situada na Tenreiro Aranha com Bolívia, abrigava seres de luz. De fato, como era reconfortante pisar no tapete de retalhos de panos estampados estendido na portinhola da varanda!
Naquele ninho de ternura a coisa mais gostosa era chegar todo dia pro almoço e já vislumbrar dois serzinhos saltitando de alegria no chão vermelho daquela varanda, esperando pra se jogarem nos meus braços. Enquanto isso, mamãe, logo atrás, com o costumeiro iluminado sorriso aguardava pra ver aquele espetáculo de troca de carinhos acontecer: os pequeninos Fabrício e Fabiane de um lado e eu, o tio Beto, do outro.
Eu via tanto amor naquela garotinha que certa feita, num fim de tarde chuvosa, ao ouvir eu dizer pra mamãe da necessidade de me deslocar a uma cidade do interior e que para isso, apesar das chuvas torrenciais da época, a viagem teria que ser feita de avião dada a urgência do caso, Fabiane não titubeou em “exigir” que a levasse comigo. Justificativa: ela poderia me ajudar a não ter medo... Imagina!
No dia seguinte, cedinho, embarcamos num teco-teco, eu, minha “pequena assistente”, um colega do trabalho e o piloto, gente boa, com poucos meses de brevê. No meio do voo, uma forte chuva começou a balançar o avião; veio o frio na barriga, mas a pequena assistente foi logo dizendo pra gente conversar que o medo ia passar. Só que em seguida o avião passou a voar baixo, próximo à copa das castanheiras, e nisso ela solta a pérola: é bonito ver as copas das árvores de perto!
Essas lembranças afloraram do recôndito da alma, inundando meu velho coração com uma mistura de sentimento de orgulho e de nostalgia, nesse momento em que o voo da minha eternamente amada sobrinha Fabiane destinou-se para além, muito além de simplesmente comtemplar as copas das castanheiras. Orgulho da coragem da minha saudosa companheirinha de voo, mas orgulho, sobretudo, da beleza de pessoa que ajudei a formar; já a boa nostalgia é fruto da dilacerante saudade das demonstrações de amor desmedido que tive dela.
Fabiane, lembrando aqui de como se encerravam nossas trocas de mensagem: - Tio, eu te amo; - Fabi, eu também te amo.
Segue na luz, para sempre amada sobrinha!
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