Justiça Federal assegura saúde integral ao povo Guarasugwe em RO
Decisão atende ação do MPF após denúncias de dificuldades de atendimento
Como resultado de uma ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal determinou que o município de Pimenteiras do Oeste (RO) assegure acesso regular, integral e sem discriminação aos serviços públicos de saúde à comunidade indígena Guarasugwe. Na sentença, a Justiça reconheceu que, apesar de o município ter iniciativas voltadas à assistência da comunidade, as medidas adotadas foram consideradas insuficientes para garantir o pleno acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A ação teve origem em um procedimento administrativo instaurado pelo MPF em 2023 para apurar a regularidade dos serviços de saúde oferecidos aos indígenas Guarasugwe, que vivem na área urbana de Pimenteiras do Oeste por não possuírem território próprio. Segundo o MPF, a comunidade enfrentava dificuldades para obter atendimento porque não estava devidamente cadastrada nos sistemas do SUS. Mesmo após recomendação formal para que o município regularizasse a situação e evitasse qualquer tipo de obstáculo ao atendimento, não houve resposta efetiva por mais de um ano.
Depoimentos colhidos durante a apuração reforçaram a existência de tratamento desigual. Testemunhas relataram dificuldades no uso de serviços como ambulância e confirmaram a ausência de cadastro adequado da etnia nos sistemas oficiais.
Em sua manifestação, o município alegou que os indígenas já recebem atendimento contínuo por meio da rede municipal e que a inclusão da etnia nos sistemas oficiais enfrenta dificuldades técnicas, especialmente no Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC). A gestão municipal afirmou ainda que equipes da Estratégia de Saúde da Família realizam atendimentos frequentes, incluindo consultas médicas, vacinação, testes rápidos e ações de prevenção.
Direito universal à saúde – Ao analisar o caso, o juiz destacou que o direito à saúde é garantido pela Constituição Federal como fundamental e que cabe ao Estado assegurar acesso universal e igualitário aos serviços.
Com base nas evidências, a Justiça julgou procedente o pedido do MPF e determinou que o município garanta acesso regular e integral à saúde pública à comunidade Guarasugwe, inclua a etnia nos sistemas do SUS, se abstenha de qualquer prática discriminatória no atendimento, independentemente da nacionalidade dos indígenas, enfatizando a universalidade do SUS. A decisão também concedeu tutela antecipada, ou seja, as medidas devem ser cumpridas de imediato.
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