Violência explode em Nova Mutum enquanto Marcos Rocha está nos EUA e Rondônia fica sem reação
Enquanto Marcos Rocha está nos Estados Unidos, Rondônia enfrenta uma de suas situações mais graves sem liderança visível e com a segurança pública no limite
A escalada da violência em Nova Mutum Paraná, distrito de Porto Velho, nesta terça-feira (14), expôs de forma brutal a fragilidade da segurança pública em Rondônia no momento em que o governador Marcos Rocha (PSD) está fora do país, em viagem aos Estados Unidos por dez dias. Enquanto trabalhadores eram atacados a tiros, um policial civil aposentado era morto e outras vítimas ficavam feridas ou desaparecidas, o Estado seguia sem uma resposta à altura da gravidade do caso.
A ausência de Marcos Rocha ocorre em meio a uma crise cada vez mais visível na Polícia Militar, que chega ao limite após anos de esvaziamento do efetivo e falta de reposição. Com o governador no exterior, o comando do Estado foi transferido ao desembargador Alexandre Miguel, presidente do Tribunal de Justiça de Rondônia, já que nem o vice-governador Sérgio Gonçalves nem o presidente da Assembleia Legislativa aceitaram assumir o cargo, em razão do impacto eleitoral que isso poderia provocar sobre seus projetos políticos.
O ataque aconteceu na fazenda Norbrasil, na BR-364, em Nova Mutum Paraná. Segundo relatos, criminosos armados surpreenderam trabalhadores que retornavam do almoço e abriram fogo. Um policial civil aposentado, Joaquim Lopes da Silva, foi morto. Houve vários feridos, inclusive trabalhadores atingidos por disparos, além de relatos de pelo menos quatro desaparecidos. Um veículo foi incendiado durante a ação. A família do proprietário da fazenda atribuiu o ataque a integrantes da Liga dos Camponeses Pobres.
O episódio escancara um Estado que falha em sua obrigação mais básica: garantir segurança à população. Enquanto a violência avança no interior, o governo de Rondônia se mostra lento, ausente e incapaz de transmitir qualquer sinal firme de controle da situação. Até agora, mesmo diante da gravidade do atentado, não houve demonstração pública de reação compatível com o tamanho da crise.
Os números obtidos pela reportagem do Tudorondonia ajudam a explicar por que a segurança pública chegou a esse ponto. Sem concurso público há 12 anos, a Polícia Militar de Rondônia opera com um efetivo muito abaixo do necessário. O Estado deveria contar com cerca de 8.300 policiais, mas hoje tem aproximadamente 4.500. Desse total, cerca de 400 saem de férias por mês e outros 500 estão cedidos a órgãos como Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Defensoria Pública, Ministério Público e Tribunal de Contas. Na prática, segundo o levantamento, restam cerca de 700 policiais por dia para atender os 52 municípios rondonienses.
O resultado dessa política de abandono é uma tropa sobrecarregada, desmotivada e cada vez mais insatisfeita. Depois de oito anos no poder, Marcos Rocha deixa como marca uma Polícia Militar enfraquecida, sem recomposição adequada e sem estrutura compatível com as necessidades do Estado. A insatisfação nos quartéis é generalizada e já há temor de protestos e até de paralisação.
A viagem internacional do governador, em meio a esse cenário, reforça a percepção de distanciamento entre o comando do Estado e a realidade enfrentada pela população. Rondônia vive uma crise de segurança que não surgiu agora, mas se agravou pela ausência de planejamento, pela falta de concurso e pelo enfraquecimento progressivo das forças policiais. Quando a violência explode e o Estado não reage, o recado que fica é o de descontrole.
O ataque em Nova Mutum não é apenas mais um caso policial. É o retrato de um governo que, diante do avanço da violência e do colapso do efetivo, não consegue oferecer resposta rápida, presença política nem comando firme. Enquanto Marcos Rocha está nos Estados Unidos, Rondônia enfrenta uma de suas situações mais graves sem liderança visível e com a segurança pública no limite.
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