O CONTADOR DE (MICRO) HISTÓRIAS

A vida tava toda ali, aventuras e desventuras, dores e alegrias, tudo apertadinho em duas ou três falas e muletas gestuais

Fonte: José Danilo Rangel/Foto de Victor Freitas | www.pexels.com - Publicada em 27 de março de 2026 às 11:28

O CONTADOR DE (MICRO) HISTÓRIAS

Academia. Estou na remada biarticulada. Tá tudo embaralhado. A gente quase foi em outra unidade, optou pela de sempre, por já saber onde tá cada aparelho. Não sabe mais. 

Terminei a primeira série, procurei o próximo aparelho, encontrei o olhar de um cara. Quebrei o fêmur, ele diz. Olho se tem alguém atrás de mim. Não tem. É comigo mesmo.

Ele aponta pro aparelho ali perto e continua: não faço remada baixa. Pousa a mão aberta no quadril: dói tudo aqui. Acidente de moto. Moto com moto. Ele fecha as mãos e bate uma na outra. Foi feio, ó… 

Ele levanta as mãos, a esquerda mais baixa que a direita. Quebrei o ombro também, em três lugares. A clavícula. Acordei todo quebrado no João Paulo. Mas faz tempo já. Já tô 100%.

Mal terminou de falar e o app apitou, sinalizando o fim do minuto de descanso. Isso é muita prática.

Depois, ele me contou que estava no segundo casamento, que era mais feliz. Depois, falou sobre o filho, do nascimento ao primeiro ano de Veterinária. A mãe não muito bem, nordestina, trabalhadora, viúva, cinco filhos, uma guerreira. 

A vida tava toda ali, aventuras e desventuras, dores e alegrias, tudo apertadinho em duas ou três falas e muletas gestuais. Fiquei encantado: um contador de micro-histórias.

O CONTADOR DE (MICRO) HISTÓRIAS

A vida tava toda ali, aventuras e desventuras, dores e alegrias, tudo apertadinho em duas ou três falas e muletas gestuais

José Danilo Rangel/Foto de Victor Freitas | www.pexels.com
Publicada em 27 de março de 2026 às 11:28
O CONTADOR DE (MICRO) HISTÓRIAS

Academia. Estou na remada biarticulada. Tá tudo embaralhado. A gente quase foi em outra unidade, optou pela de sempre, por já saber onde tá cada aparelho. Não sabe mais. 

Terminei a primeira série, procurei o próximo aparelho, encontrei o olhar de um cara. Quebrei o fêmur, ele diz. Olho se tem alguém atrás de mim. Não tem. É comigo mesmo.

Ele aponta pro aparelho ali perto e continua: não faço remada baixa. Pousa a mão aberta no quadril: dói tudo aqui. Acidente de moto. Moto com moto. Ele fecha as mãos e bate uma na outra. Foi feio, ó… 

Ele levanta as mãos, a esquerda mais baixa que a direita. Quebrei o ombro também, em três lugares. A clavícula. Acordei todo quebrado no João Paulo. Mas faz tempo já. Já tô 100%.

Mal terminou de falar e o app apitou, sinalizando o fim do minuto de descanso. Isso é muita prática.

Depois, ele me contou que estava no segundo casamento, que era mais feliz. Depois, falou sobre o filho, do nascimento ao primeiro ano de Veterinária. A mãe não muito bem, nordestina, trabalhadora, viúva, cinco filhos, uma guerreira. 

A vida tava toda ali, aventuras e desventuras, dores e alegrias, tudo apertadinho em duas ou três falas e muletas gestuais. Fiquei encantado: um contador de micro-histórias.

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