O fim precoce de Rondônia

A pandemia da Covid-19, no entanto, pode fazer em pouco tempo o que se achava impossível

Professor Nazareno*
Publicada em 20 de maio de 2020 às 14:05
O fim precoce de Rondônia

O jovem Estado de Rondônia, graças a Deus, já dá sinais de que vai levar fim. Até então, nada parecia destruir esta tosca unidade da Federação. Os maus políticos, as péssimas administrações a que foi submetida durante anos consecutivos, a destruição da floresta amazônica pelo fogo todos os anos, o lixo, a enchente histórica do rio Madeira, a eterna dívida do Beron, a roubalheira sem fim, a poluição dos garimpos. Apesar desses reveses, Rondônia ainda parecia indestrutível. Só parecia. A pandemia da Covid-19, no entanto, pode fazer em pouco tempo o que se achava impossível. Sem a menor infraestrutura na área da Saúde e também em todas as outras áreas, o ocaso rondoniano se aproxima. No “açougue” João Paulo Segundo o número de profissionais infectados pelo Coronavírus bate recordes e a pandemia avança sem controle por todo o Estado.

Hoje mais de dois mil cidadãos foram infectados no Estado e o número de mortes já chega a quase uma centena, embora a população seja uma das menores do país. Em Guajará-Mirim, por exemplo, a taxa de letalidade pela Covid-19 é uma das maiores do mundo chegando a quase 50 por cento da população infectada. Não há hospitais públicos suficientes (na verdade nunca houve) para atender à demanda de portadores do Coronavírus e a morte se anuncia de maneira sinistra e catastrófica entre toda a população. Pior: muitas pessoas “filhas da terra” continuam fazendo suas “Coronafest” e disseminando o vírus numa velocidade assombrosa. Eu me enganei: pensei que Porto Velho e Rondônia iam se acabar de seboseira, de imundície ou então com uma grande chuva de merda. Mas será um vírus o responsável pela derrocada final.

Porto Velho lamentavelmente seguirá os mesmos passos de Manaus, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e de São Paulo. Nenhum desses lugares tem governo competente para enfrentar o vírus letal. O Brasil infelizmente sofrerá um baque grande com altos índices de mortalidade. A culpa é do vírus, claro, mas a falta de disciplina de uma população ignorante é um prato cheio para mais e mais infecções. Feiras livres, festas de aniversários, reuniões e comércios abertos é só o que se observa de norte a sul do país. Itália, Portugal, Áustria e alguns outros países civilizados da Europa e da Ásia como o Japão e a Coreia do Sul já estão aos poucos, e com muita cautela, abrindo as suas economias. Em Rondônia oficialmente tão cedo vão abrir o comércio. É que ele sempre esteve aberto. Basta ver as ruas Jatuarana e José Amador dos Reis. E as feiras livres.

O governo do Estado está totalmente perdido diante dessa pandemia. Reúne para convocar e depois convoca para reunir. Compra hospital particular. Desiste do negócio. Compra outro hospital. Manda fazer reforma. Compra remédios sem critérios. E o povo, quase sem assistência do poder público, continua morrendo feito inseto. Rondônia e sua podre, fedorenta e imunda capital vão se acabar de uma vez por todas durante esta mortal pandemia. Sobrarão somente os mais sortudos. E tomara que as futuras gerações pensem num Estado mais progressista que invista em Educação e Saúde de qualidade para a sua população. Espero que a capital do Estado seja mais centralizada e que seja uma cidade com cultura e também mais limpa e organizada. A currutela fedida vai sucumbir para sempre e perderá o status de capital. Em Rondônia, depois da pandemia, não haverá mais queimadas ou fumaça. E o povo tem que ser outro. Pelo menos melhor. 

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.


 

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Comentários

  • 1
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    Solange Carvalho 21/05/2020

    Um texto desagradável, pois acredito que ninguém gosta de vê alguém falar mal da cidade aonde nascemos ou tivemos nossos filhos, temos empregos, ganhamos nosso pão aqui. Então professor seu texto é uma falta de respeito para com os portovelhenses. Espero que o senhor não more aqui, Muito menos tire seu sustento daqui.

  • 2
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    Carlson Lima 20/05/2020

    Difícil mesmo é fazer as pessoas entenderem que seus textos são conscientizadores e não agressivos como vários alienados e analfabetos políticos comentam. Parabéns Professor Nazareno!

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