Perigo: medicamentos podem sobrecarregar o fígado

Problemas graves no órgão são algumas das complicações

Da redação/Foto: jcomp/Freepik
Publicada em 02 de dezembro de 2022 às 08:52
Perigo: medicamentos podem sobrecarregar o fígado

Problemas no fígado são algumas das consequências do uso excessivo de remédios. Isso porque o fígado é responsável por metabolizar o que é consumido e pode ficar sobrecarregado com a quantidade de drogas ingeridas. Autoridades alertam ser preciso tomar cuidado com alguns hábitos, como a automedicação, por exemplo.

Conforme o artigo “Lesão hepática causada por medicamento”, publicado no Manual MSD: Versão Saúde para a Família, muitos medicamentos podem lesionar o fígado, afetar o seu funcionamento ou ambos. Com o dano, é possível que o paciente desenvolva, por exemplo, hepatite medicamentosa, uma condição de saúde que inflama e pode atrapalhar o funcionamento do órgão. O paciente que identificar algum sintoma dessa condição deve procurar um especialista em hepatologia.

Os médicos utilizam o termo lesão hepática induzida por medicamento (drug-induced liver injury, DILI, da sigla em inglês) para se referir a danos hepáticos causados por medicamentos, independentemente da presença ou não de sintomas.  Essa condição também inclui problemas provocados por ervas medicinais, plantas e suplementos nutricionais, sendo nesse caso, denominada Herb-induced liver injury (HILI).

Como ocorre a sobrecarga do fígado

De acordo com o artigo do Manual MSD, no caso de alguns remédios, o dano hepático é previsível. Isso porque ele costuma ocorrer logo após o medicamento ser ingerido e está relacionado a sua dosagem. Nos Estados Unidos, por exemplo, esses danos são uma das causas mais frequentes de aparecimento súbito de icterícia, insuficiência hepática ou ambos.

O paracetamol – remédio muito utilizado para vários tipos de dores – é o principal medicamento que causa toxicidade hepática através desse mecanismo.

O material esclarece que, para outros medicamentos, a lesão é imprevisível. Assim, ela é detectada um período após o medicamento ser ingerido, sem relação com a dose. Essas lesões raramente resultam em distúrbio hepático grave, mas podem ocasionar falência do fígado, inclusive com indicação de transplante. O anti-inflamatório nimesulida é uma de muitas drogas que podem ocasionar dano hepático dessa forma.

Fatores de risco para lesões

De modo geral, os estudos mostram que o risco de lesão hepática por medicamentos seja aumentado diante de alguns fatores de risco, que incluem obesidade, gravidez, consumo abusivo de álcool e constituição genética que torne o indivíduo mais suscetível aos efeitos de um medicamento.

De acordo com o artigo “Lesão hepática causada por medicamento”, beber álcool aumenta o risco de problema, porque a bebida lesiona o fígado e altera o modo de metabolização dos medicamentos. Além disso, o álcool diminui o suprimento de um antioxidante ao organismo, o que reduz a proteção do fígado.

Sintomas de lesões por sobrecarregamento do fígado

Os sintomas de problemas hepáticos devido, inclusive, à sobrecarga por conta de medicamentos variam de acordo com cada paciente. Geralmente os sinais são fadiga, sensação geral de mal-estar, coceira, perda de apetite e náuseas.

Já os sintomas mais graves incluem icterícia – condição que pode deixar a pele amarelada –, fígado aumentado, dor na parte superior direita do abdômen, desorientação, atenção reduzida e confusão.

Diagnóstico

O diagnóstico de dano no fígado induzido por medicamentos é feito a partir de avaliação médica, exames de sangue e, algumas vezes, biópsia hepática. Depois de descontinuar o remédio suspeito de ter causado uma lesão ou problema hepático, os médicos costumam repetir os testes de função do órgão para avaliar se houve ou não remissão do dano.

Uma redução significativa no nível de enzimas hepáticas corrobora ainda mais para o diagnóstico de lesão hepática induzida por medicamento, após a suspensão do seu uso.

Tratamento

O primeiro passo para o tratamento da lesão hepática relacionada a medicamento é interromper o remédio. Se disponível, em seguida, ocorre a administração do antídoto. Em alguns casos, podem ser prescritos ainda corticosteroides.

Vale lembrar que poucos medicamentos possuem antídotos. A acetilcisteína, por exemplo, pode ser utilizada caso a pessoa tenha tomado uma superdosagem de paracetamol.

Segundo os especialistas, de modo geral, a descontinuação do medicamento resulta em recuperação. Além disso, remédios que aliviam sintomas como a coceira podem ser usados.

Em quadros graves, o transplante de fígado pode ser indicado como opção para solucionar o problema.

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