Pimenta demonstra a cronologia do esquema do BolsoMaster
Segundo a linha do tempo apresentada, o crescimento do banco ocorreu em paralelo a decisões e movimentos institucionais durante o governo Bolsonaro
Pimenta demonstra a cronologia do esquema do BolsoMaster (Foto: Divulgação )
Na CPMI do INSS, o deputado Paulo Pimenta fez uma intervenção que chamou atenção não pelo tom acusatório, mas pela forma como organizou, em sequência cronológica, as relações políticas, institucionais e empresariais que ajudam a compreender a trajetória do Banco Master - instituição que nasceu como Banco Máxima e que, ao longo dos anos do governo Bolsonaro, passou a ocupar espaço relevante no mercado financeiro nacional.
O centro da fala do parlamentar gaúcho foi a apresentação de documentos, registros e conexões que mostram como diferentes personagens do cenário político e econômico se cruzam ao longo dessa história. Não se trata de afirmar a existência de crimes, mas de demonstrar que as relações existiram, foram documentadas e compõem um quadro político que merece atenção. Caberá ao relatório final da CPI indicar ao Ministério Público os eventuais crimes identificados.
Segundo a linha do tempo apresentada, o crescimento do banco ocorreu em paralelo a decisões e movimentos institucionais durante o governo Bolsonaro. Pimenta destacou a atuação de figuras estratégicas, como o então presidente do Banco Central, Campos Neto, e ministros da Previdência - entre eles Onyx Lorenzoni - que, dentro de suas atribuições, integraram um ambiente regulatório e político no qual teria sido facilitada a expansão dos negócios do banco.
A cronologia ganha ainda mais peso ao alcançar o campo político-eleitoral. Fabiano Zettel, pastor da Igreja Lagoinha de Nikolas Ferreira e cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, aparece como um dos maiores doadores das campanhas de Jair Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas em 2022, reforçando a proximidade entre relações pessoais, financeiras e articulações políticas.
Outro eixo da exposição envolve operações financeiras com precatórios, uso de fundos de pensão de governos estaduais e prefeituras e aquisição de ativos de alto risco - os chamados papéis podres - elementos que, segundo o deputado, ajudam a explicar a estratégia de crescimento da instituição. Nesse contexto, a possibilidade de aquisição do Banco Master pelo BRB foi citada como um movimento que levanta questionamentos políticos e econômicos sobre os interesses em jogo.
A fala também chamou atenção para a presença de ex-integrantes do governo Bolsonaro em posições ligadas ao banco ou ao seu entorno. Ex-ministros e figuras próximas ao núcleo do poder aparecem, segundo os documentos apresentados, conectados ao grupo econômico em diferentes níveis. Entre os nomes citados estão Flávia Péres e Ibaneis Rocha, além de personagens que circularam pela chamada “cozinha do Palácio” e que hoje mantêm vínculos diretivos, pessoais e empresariais com sócios ligados ao banco.
Ao organizar esses fatos em sequência, Pimenta mostra que a história do Banco Master não pode ser analisada apenas sob a ótica financeira. Para ele, compreender o caso exige observar como política, financiamento eleitoral, relações pessoais e decisões institucionais se entrelaçam ao longo do tempo.
A força da apresentação está justamente nessa reconstrução cronológica das conexões - não como sentença, mas como narrativa sustentada por documentos e registros que indicam a existência de uma rede de relações econômicas e políticas reais, concretas e relevantes, que devem, sim, ser investigadas a fundo.
Talvez aí resida o grande alívio de setores da direita por Vorcaro ter sido permitido não depor na CPI.
Oliveiros Marques
Sociólogo pela Universidade de Brasília, onde também cursou disciplinas do mestrado em Sociologia Política. Atuou por 18 anos como assessor junto ao Congresso Nacional. Publicitário e associado ao Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político (CAMP), realizou dezenas de campanhas no Brasil para prefeituras, governos estaduais, Senado e casas legislativas
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