Porto Velho vive nova realidade climática
Após década marcada pelos efeitos das mudanças climáticas, capital rondoniense avança na construção de uma política ambiental mais estruturada, mas os desafios permanecem
Porto Velho viveu uma década de eventos climáticos extremos que impactaram diretamente a rotina da população e pressionaram as estruturas públicas. Em 2014, o Rio Madeira atingiu níveis recordes, desalojando milhares de famílias, causando prejuízos econômicos e interrompendo atividades essenciais.
Dez anos depois, em 2024, o problema se inverteu: uma estiagem severa reduziu drasticamente o nível do rio, comprometendo o abastecimento de água, a navegação e a geração de energia, além de agravar a poluição causada pelas queimadas que aconteceram naquele ano. Segundo estudo conduzido por pesquisadores do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), aponta que Rondônia ficou mais de 100 dias exposta ao ar poluído.
Foi nesse contexto desafiador que o advogado, professor licenciado da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e pesquisador Vinicius Miguel assumiu a Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Porto Velho (SEMA), com a missão de reorganizar a política ambiental e ampliar a capacidade de resposta do município.
“Não estamos lidando com eventos isolados, mas com uma nova realidade climática. Porto Velho, assim como todo o mundo, passou a viver eventos climáticos extremos, e isso exige planejamento, capacidade de resposta e integração entre diferentes níveis de governo”, afirmou Miguel.
Durante sua gestão, uma das prioridades da SEMA foi reforçar o monitoramento ambiental e adotar uma estratégia baseada em tecnologia, prevenção e articulação institucional. “Conseguimos avançar no controle das queimadas e melhorar a resposta aos eventos críticos. Não é um problema resolvido, mas houve mudança de patamar na forma como o município enfrenta essas situações”, destacou.
Outro eixo estratégico foi a articulação institucional. A gestão buscou integração com os governos estadual e federal, o que permitiu ampliar o acesso a dados, recursos e ferramentas de planejamento. Nesse sentido, a implantação do Escritório de Governança do programa União com Municípios marcou um novo momento na política ambiental local, ao inserir Porto Velho em uma estratégia nacional de combate ao desmatamento.
“Esse tipo de iniciativa permite antecipar riscos, agir com base em evidências e estruturar políticas públicas mais eficientes. A agenda ambiental precisa ser tratada com seriedade e de forma coordenada”, afirmou Miguel.
Além das ações de controle e fiscalização, a SEMA investiu em medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Programas de reflorestamento urbano ganharam força, com o plantio de árvores nativas, reaproveitamento de resíduos de poda e distribuição de mudas em escolas, bairros e unidades de saúde.
“Ampliar a cobertura vegetal da cidade é uma estratégia essencial. Isso melhora o microclima, reduz os efeitos das ilhas de calor e contribui diretamente para a qualidade de vida da população”, explicou.
Outro marco foi a realização do Fórum Municipal de Mudanças Climáticas, que reuniu especialistas, autoridades, pesquisadores e a sociedade civil para debater soluções e ampliar o diálogo sobre os desafios ambientais da capital. “O enfrentamento das mudanças climáticas exige participação coletiva. Criar espaços de diálogo é essencial para construir políticas públicas mais robustas e eficazes”, disse.
Ao deixar a SEMA, Vinicius Miguel avalia que Porto Velho avançou na construção de uma política ambiental mais estruturada, mas reconhece que os desafios permanecem. Para ele, a experiência recente da cidade evidencia a urgência de tratar a pauta climática como prioridade permanente.
“Porto Velho é hoje um retrato claro dos impactos das mudanças climáticas na Amazônia. O que vivemos aqui mostra que não há mais tempo para respostas pontuais. É preciso continuidade, investimento e compromisso com o futuro”, concluiu.
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