Prosperidade para quem?

Quem ja matou 700 mil brasileiras e brasileiros pode matar outros tantos. Sociopatas podem ser serial killers sorridentes

Fonte: Marcelo Zero - Publicada em 21 de outubro de 2026 às 18:28

Prosperidade para quem?

Flávio Bolsonaro propõe prazo de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família, medida que será explorada pela campanha de Lula no segundo turno das eleições presidenciaisCrédito: Reprodução | IA

Por Marcelo Zero – Bolsonaro quer, sim, acabar com o Bolsa Família e outros programas sociais. 

A direita e a extrema-direita sempre tiveram uma visa o preconceituosa desse e de  outros programas. Sempre afirmaram que as pessoas entram nesses programas  porque “na o querem trabalhar” e que esses programas estimulam a “preguiça” e  geram “care ncia de ma o de obra”. 

Tariflávio, de forma hipócrita e malandra, apagou seus posts em que criticava o Bolsa  Família e o chamava, pejorativamente, de “bolsa-farelo”. 

Em primeiro lugar, é necessário esclarecer que o Bolsa Família não impede ninguém  de trabalhar. 

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O critério básico para entrar e permanecer no Bolsa Família é a renda familiar e não o fato de se ter ou não emprego ou ocupação. 

E já há uma regra de transição para aqueles que conseguem melhorar sua renda  mediante ocupação ou trabalho. 

O limite de renda inicial para beneficiários do Bolsa Família é de R$ 218 por pessoa  (per capita). Ou seja, toda a renda da família, dividida por todos os membros, deve  ser de até este valor.  

Quando a renda da família ultrapassa R$ 218 por pessoa, a família pode continuar  recebendo 50% do valor do benefício que recebia antes, por um período de até 12  meses. É a chamada Regra de Proteção. Para estar nela, a renda mensal por pessoa  não pode ultrapassar o valor de R$ 706. 

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Em Nota, Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate a  Fome esclarece que:  

“O objetivo é evitar o cancelamento imediato do benefício, reconhecendo que a  superação da pobreza não acontece de forma automática com a conquista de um  emprego. Esse é um processo gradual, que exige um período de adaptação e  estabilização”. 

Curiosamente, no governo de Jair Bolsonaro houve grande aumento dos  dependentes do Bolsa Família, que ele passou a chamar de Auxílio Brasil, como se o  programa tivesse sido criado por aquele torpe governo. 

Com efeito, como se pode observar no gráfico seguinte, há um perí odo de  crescimento sustentado do Bolsa Família, quando o programa estava sendo  implantado (2004-2010), seguido de um período de estabilidade (2010-2018), e, mais adiante, por um terceiro período, que transcorreu do início de 2021 até o final  de 2022, de aumento abrupto do programa. 

Nesse período, o nu mero de famílias atendidas aumentou de cerca de 14,7 milhões  para cerca de 21 milhões. 

Elaboração: Sergio Kelner Silveira e Carolina Beltrão de Medeiros em “A evolução do  Bolsa Família (2004/2023) no Brasil e seus Impactos sobre a Pobreza e os Dispêndios”.  

Por que ? 

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Em primeiro lugar, porque houve diminuição da renda familiar combinada com um  grande aumento da fome, que chegou a afetar cerca de 33 milhões de pessoas, com  o Brasil voltando para o Mapa da Fome, e com o incremento do desemprego. 

De fato, de acordo com dados oficiais do IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de  Domicílios Contínua), o rendimento médio real da população brasileira encolheu  6,6% ao longo do governo de Jair Bolsonaro (2019–2022). A renda média recuou de  R$ 2.712 em 2018 para R$ 2.533 ao final de 2022. 

Além disso, o rendimento médio habitual do trabalhador atingiu o menor patamar  da série histórica iniciada em 2012 pelo IBGE. Houve também aumento da pobreza  e da extrema pobreza. Um levantamento do Cadastro Único (CadÚnico) e da FGV  aponta que cerca de 2 milhões de famílias adicionais caíram na extrema pobreza  entre 2019 e meados de 2021, impulsionadas pela inflação de alimentos e pelo  desemprego. Na época, 17% das famílias não tinham renda alguma. 

A Covid explica apenas parte desse descalabro, pois havia uma política neoliberal em  curso, francamente avessa aos direitos dos trabalhadores e que desprezava a ação do Estado para promover políticas contracíclicas para combater os impactos  recessivos de uma conjuntura de entraves. 

Mas isso e apenas uma parte da explicação. 

Houve também um amplo processo de corrupção e de desorganização do Cadastro  Único que provocou um inchaço indevido no Bolsa Família, especialmente ao longo  do período eleitoral de 2022. 

Já em 2023 uma investigação da CGU encontrou pagamentos indevidos de R$  3,89 bilhões e sérios problemas no cadastro do Auxílio Brasil. 

Em média, mais de 800 mil famílias receberam o benefício mensalmente  mesmo sem ter direito. Um Sergipe inteiro. 

O pente-fino realizado pelo governo federal de Lula retirou 3,7 milhões de  pessoas irregulares de programas sociais associados ao Cadastro Único  (CadÚnico), informou o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social,  Família e Combate à Fome. 

Havia gente com renda mensal de mais de R$ 10 mil recebendo o Auxílio Brasil.  Um absurdo. 

Em sentido contrário, no terceiro governo Lula houve redução dos  beneficiários do Bolsa Família. 

Em primeiro lugar, porque, como destacamos, houve uma limpeza no cadastro  corrupto de Bolsonaro. 

Em segundo, e mais importante, porque houve melhoria na vida dos brasileiros. 

O Brasil saiu, de novo, do Mapa da Fome. Segundo dados do IBGE, o rendimento  médio real do trabalhador brasileiro subiu cerca de 9,7% entre o início de 2023 e  setembro de 2025, saltando de R$ 3.198 para R$ 3.507. A recuperação permaneceu  neste ano (2026), alcançando marcas superiores a R$ 3.804, em meados do período. 

Ademais, no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a taxa de  desemprego atingiu os menores patamares da série histórica da Pesquisa Nacional  por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do IBGE , iniciada em 2012. 

A taxa me dia de desemprego recuou para 6,6% em 2024 (comparada a 7,8% em  2023) e continuou caindo em 2025 e 2026, com registros pontuais chegando a cerca  de 5,2% a 5,3%, em meados de 2025/2026. 

Também o número de pessoas ocupadas bateu recordes históricos, superando a  marca de 103 milhões de trabalhadores, impulsionado pela alta no emprego com  carteira assinada no setor privado e pela valorização do salário-mínimo.

Em outras palavras, no terceiro governo Lula, o povo brasileiro “empreendeu”,  de verdade, muito mais que no governo Bolsonaro. Houve prosperidade para  o povo. 

Isso permitiu a saída de muita gente do Bolsa Família. 

Segundo os dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social  (MDS), cerca de 5,1 milhões de famílias saíram do programa social desde 2023  devido ao aumento da renda familiar e à inserção no mercado de trabalho. 

Mas não há dúvida de que Bolsonaro quer eliminar ou, pelo menos, enfraquecer o  Bolsa Família. 

Bolsonaro fala em “empreendedorismo”, como se o povo brasileiro não  empreendesse, não se “virasse”, como se diz popularmente, para sobreviver  todo o dia. 

O problema é que esse “empreendedorismo”, para quem tem pouca  qualificação e está, muitas vezes, no mercado informal, não assegura renda  suficiente para sobreviver com dignidade e para manter os filhos na escola.  Daí a necessidade de uma complementação de renda para tentar romper o  ciclo da pobreza, com maior acesso à educação para as novas gerações. 

Bolsonaro desconhece totalmente essa realidade e a necessidade estratégica de o  governo intervir ativamente para eliminar a pobreza extrema e reduzir as  desigualdades. 

Flávio Bolsonaro quer desfigurar o programa e aposta na precarização do trabalho, chamada hipocritamente de “empreendedorismo”, que já existe para quem é beneficiário, como forma falaciosa de ascensão social e de melhoria de vida para as  famílias brasileiras. 

Ele chama o trabalho precarizado e o empreendedorismo de baixa renda de  “libertação”. Gandhi, em contraste, chamava a pobreza de “a pior forma de viole ncia”. 

Além disso, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não se lembra das principais  beneficiárias do Bolsa Família, que são as mulheres, e de seu trabalho invisível de  cuidados das crianças e da família. 

Tal trabalho é invisível e fundamental para romper com o ciclo da pobreza e para  garantir saúde e educação das crianças. Para as famílias pobres, que vivem na  precarizaça o, esse trabalho das mulheres so se torna via vel com o Bolsa Famí lia e  outros programas sociais.  

Para o educador social e representante do estado de Sa o Paulo no Fórum Nacional  de Trabalhadores do Sistema Único de Sau de (SUS), Allan Carvalho, a proposta  hipócrita de Bolsonaro: “É a precarização da precarização. Eles tornam o capitalismo ultrasselvagem, o neoliberalismo em hiper-neoliberalismo, o Estado mínimo em  micro, e eles va o arrochando, arrochando sem parar”. 

Para o educador, o projeto de Flávio quer reduzir a assistência social à mera porta  de saída. “Acaba virando uma obsessão compulsiva que distorce a própria razão de  ser da política e inviabiliza tudo aquilo que a Constituição preconiza: proteção  social interrelacional”. 

Não se enganem, Tariflávio não está preocupado com a prosperidade dos  pobres. Quer apenas garantir a prosperidade dos ricos. 

Como Milei, seu modelo, vai cortar programas sociais, políticas ticas públicas e  investimentos públicos para beneficiar oligarquias rentistas e parasitárias, que o  apoiam.  

Isso já foi prometido. As mentiras óbvias da campanha destinam-se somente a  enganar os eleitores mais pobres e necessitados. Aqueles que dependem das  políticas e dos programas que ele vai extinguir ou enfraquecer. 

O sofrimento do povo já foi “precificado”. 

Afinal, quem ja matou 700 mil brasileiras e brasileiros pode matar outros tantos.  Sociopatas podem ser serial killers sorridentes.

Marcelo Zero

É sociólogo, especialista em Relações Internacionais e assessor da liderança do PT no Senado

Prosperidade para quem?

Quem ja matou 700 mil brasileiras e brasileiros pode matar outros tantos. Sociopatas podem ser serial killers sorridentes

Marcelo Zero
Publicada em 21 de outubro de 2026 às 18:28
Prosperidade para quem?

Flávio Bolsonaro propõe prazo de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família, medida que será explorada pela campanha de Lula no segundo turno das eleições presidenciaisCrédito: Reprodução | IA

Por Marcelo Zero – Bolsonaro quer, sim, acabar com o Bolsa Família e outros programas sociais. 

A direita e a extrema-direita sempre tiveram uma visa o preconceituosa desse e de  outros programas. Sempre afirmaram que as pessoas entram nesses programas  porque “na o querem trabalhar” e que esses programas estimulam a “preguiça” e  geram “care ncia de ma o de obra”. 

Tariflávio, de forma hipócrita e malandra, apagou seus posts em que criticava o Bolsa  Família e o chamava, pejorativamente, de “bolsa-farelo”. 

Em primeiro lugar, é necessário esclarecer que o Bolsa Família não impede ninguém  de trabalhar. 

Conheça as meias japonesas que aliviam inchaço e varizesNeuroFit

O critério básico para entrar e permanecer no Bolsa Família é a renda familiar e não o fato de se ter ou não emprego ou ocupação. 

E já há uma regra de transição para aqueles que conseguem melhorar sua renda  mediante ocupação ou trabalho. 

O limite de renda inicial para beneficiários do Bolsa Família é de R$ 218 por pessoa  (per capita). Ou seja, toda a renda da família, dividida por todos os membros, deve  ser de até este valor.  

Quando a renda da família ultrapassa R$ 218 por pessoa, a família pode continuar  recebendo 50% do valor do benefício que recebia antes, por um período de até 12  meses. É a chamada Regra de Proteção. Para estar nela, a renda mensal por pessoa  não pode ultrapassar o valor de R$ 706. 

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Em Nota, Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate a  Fome esclarece que:  

“O objetivo é evitar o cancelamento imediato do benefício, reconhecendo que a  superação da pobreza não acontece de forma automática com a conquista de um  emprego. Esse é um processo gradual, que exige um período de adaptação e  estabilização”. 

Curiosamente, no governo de Jair Bolsonaro houve grande aumento dos  dependentes do Bolsa Família, que ele passou a chamar de Auxílio Brasil, como se o  programa tivesse sido criado por aquele torpe governo. 

Com efeito, como se pode observar no gráfico seguinte, há um perí odo de  crescimento sustentado do Bolsa Família, quando o programa estava sendo  implantado (2004-2010), seguido de um período de estabilidade (2010-2018), e, mais adiante, por um terceiro período, que transcorreu do início de 2021 até o final  de 2022, de aumento abrupto do programa. 

Nesse período, o nu mero de famílias atendidas aumentou de cerca de 14,7 milhões  para cerca de 21 milhões. 

Elaboração: Sergio Kelner Silveira e Carolina Beltrão de Medeiros em “A evolução do  Bolsa Família (2004/2023) no Brasil e seus Impactos sobre a Pobreza e os Dispêndios”.  

Por que ? 

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Em primeiro lugar, porque houve diminuição da renda familiar combinada com um  grande aumento da fome, que chegou a afetar cerca de 33 milhões de pessoas, com  o Brasil voltando para o Mapa da Fome, e com o incremento do desemprego. 

De fato, de acordo com dados oficiais do IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de  Domicílios Contínua), o rendimento médio real da população brasileira encolheu  6,6% ao longo do governo de Jair Bolsonaro (2019–2022). A renda média recuou de  R$ 2.712 em 2018 para R$ 2.533 ao final de 2022. 

Além disso, o rendimento médio habitual do trabalhador atingiu o menor patamar  da série histórica iniciada em 2012 pelo IBGE. Houve também aumento da pobreza  e da extrema pobreza. Um levantamento do Cadastro Único (CadÚnico) e da FGV  aponta que cerca de 2 milhões de famílias adicionais caíram na extrema pobreza  entre 2019 e meados de 2021, impulsionadas pela inflação de alimentos e pelo  desemprego. Na época, 17% das famílias não tinham renda alguma. 

A Covid explica apenas parte desse descalabro, pois havia uma política neoliberal em  curso, francamente avessa aos direitos dos trabalhadores e que desprezava a ação do Estado para promover políticas contracíclicas para combater os impactos  recessivos de uma conjuntura de entraves. 

Mas isso e apenas uma parte da explicação. 

Houve também um amplo processo de corrupção e de desorganização do Cadastro  Único que provocou um inchaço indevido no Bolsa Família, especialmente ao longo  do período eleitoral de 2022. 

Já em 2023 uma investigação da CGU encontrou pagamentos indevidos de R$  3,89 bilhões e sérios problemas no cadastro do Auxílio Brasil. 

Em média, mais de 800 mil famílias receberam o benefício mensalmente  mesmo sem ter direito. Um Sergipe inteiro. 

O pente-fino realizado pelo governo federal de Lula retirou 3,7 milhões de  pessoas irregulares de programas sociais associados ao Cadastro Único  (CadÚnico), informou o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social,  Família e Combate à Fome. 

Havia gente com renda mensal de mais de R$ 10 mil recebendo o Auxílio Brasil.  Um absurdo. 

Em sentido contrário, no terceiro governo Lula houve redução dos  beneficiários do Bolsa Família. 

Em primeiro lugar, porque, como destacamos, houve uma limpeza no cadastro  corrupto de Bolsonaro. 

Em segundo, e mais importante, porque houve melhoria na vida dos brasileiros. 

O Brasil saiu, de novo, do Mapa da Fome. Segundo dados do IBGE, o rendimento  médio real do trabalhador brasileiro subiu cerca de 9,7% entre o início de 2023 e  setembro de 2025, saltando de R$ 3.198 para R$ 3.507. A recuperação permaneceu  neste ano (2026), alcançando marcas superiores a R$ 3.804, em meados do período. 

Ademais, no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a taxa de  desemprego atingiu os menores patamares da série histórica da Pesquisa Nacional  por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do IBGE , iniciada em 2012. 

A taxa me dia de desemprego recuou para 6,6% em 2024 (comparada a 7,8% em  2023) e continuou caindo em 2025 e 2026, com registros pontuais chegando a cerca  de 5,2% a 5,3%, em meados de 2025/2026. 

Também o número de pessoas ocupadas bateu recordes históricos, superando a  marca de 103 milhões de trabalhadores, impulsionado pela alta no emprego com  carteira assinada no setor privado e pela valorização do salário-mínimo.

Em outras palavras, no terceiro governo Lula, o povo brasileiro “empreendeu”,  de verdade, muito mais que no governo Bolsonaro. Houve prosperidade para  o povo. 

Isso permitiu a saída de muita gente do Bolsa Família. 

Segundo os dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social  (MDS), cerca de 5,1 milhões de famílias saíram do programa social desde 2023  devido ao aumento da renda familiar e à inserção no mercado de trabalho. 

Mas não há dúvida de que Bolsonaro quer eliminar ou, pelo menos, enfraquecer o  Bolsa Família. 

Bolsonaro fala em “empreendedorismo”, como se o povo brasileiro não  empreendesse, não se “virasse”, como se diz popularmente, para sobreviver  todo o dia. 

O problema é que esse “empreendedorismo”, para quem tem pouca  qualificação e está, muitas vezes, no mercado informal, não assegura renda  suficiente para sobreviver com dignidade e para manter os filhos na escola.  Daí a necessidade de uma complementação de renda para tentar romper o  ciclo da pobreza, com maior acesso à educação para as novas gerações. 

Bolsonaro desconhece totalmente essa realidade e a necessidade estratégica de o  governo intervir ativamente para eliminar a pobreza extrema e reduzir as  desigualdades. 

Flávio Bolsonaro quer desfigurar o programa e aposta na precarização do trabalho, chamada hipocritamente de “empreendedorismo”, que já existe para quem é beneficiário, como forma falaciosa de ascensão social e de melhoria de vida para as  famílias brasileiras. 

Ele chama o trabalho precarizado e o empreendedorismo de baixa renda de  “libertação”. Gandhi, em contraste, chamava a pobreza de “a pior forma de viole ncia”. 

Além disso, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não se lembra das principais  beneficiárias do Bolsa Família, que são as mulheres, e de seu trabalho invisível de  cuidados das crianças e da família. 

Tal trabalho é invisível e fundamental para romper com o ciclo da pobreza e para  garantir saúde e educação das crianças. Para as famílias pobres, que vivem na  precarizaça o, esse trabalho das mulheres so se torna via vel com o Bolsa Famí lia e  outros programas sociais.  

Para o educador social e representante do estado de Sa o Paulo no Fórum Nacional  de Trabalhadores do Sistema Único de Sau de (SUS), Allan Carvalho, a proposta  hipócrita de Bolsonaro: “É a precarização da precarização. Eles tornam o capitalismo ultrasselvagem, o neoliberalismo em hiper-neoliberalismo, o Estado mínimo em  micro, e eles va o arrochando, arrochando sem parar”. 

Para o educador, o projeto de Flávio quer reduzir a assistência social à mera porta  de saída. “Acaba virando uma obsessão compulsiva que distorce a própria razão de  ser da política e inviabiliza tudo aquilo que a Constituição preconiza: proteção  social interrelacional”. 

Não se enganem, Tariflávio não está preocupado com a prosperidade dos  pobres. Quer apenas garantir a prosperidade dos ricos. 

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Isso já foi prometido. As mentiras óbvias da campanha destinam-se somente a  enganar os eleitores mais pobres e necessitados. Aqueles que dependem das  políticas e dos programas que ele vai extinguir ou enfraquecer. 

O sofrimento do povo já foi “precificado”. 

Afinal, quem ja matou 700 mil brasileiras e brasileiros pode matar outros tantos.  Sociopatas podem ser serial killers sorridentes.

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É sociólogo, especialista em Relações Internacionais e assessor da liderança do PT no Senado

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