Resenha Política, por Robson Oliveira
LIDERANÇA - O Podemos, sob a presidência de Léo Moraes, conta com o deputado federal Fera e aposta na filiação de ex-prefeitos do interior e policiais com apelo popular
FILIAÇÃO
A filiação do governador Marcos Rocha ao PSD já era esperada, sobretudo após o convite formal feito por Expedito Júnior e sacramentado em reunião em São Paulo. A movimentação sinaliza não apenas uma troca partidária, mas um reposicionamento estratégico: Rocha leva consigo prefeitos e quadros do União Brasil, esvaziando a legenda que o abrigou e fortalecendo o PSD como novo polo de poder no estado.
ESPECULAÇÃO
Com a filiação consumada, ressurgiram especulações sobre um eventual retorno de Rocha ao tabuleiro como pré-candidato ao Senado. Embora abril seja o prazo fatal para desincompatibilização e decisões definitivas, a tendência mais realista é que ele permaneça no cargo até o final do ano, alimentando o jogo duplo que costuma manter aliados mobilizados e adversários em alerta.
AÇODADOS
A relação entre Marcos Rocha e o vice Sérgio Gonçalves deteriorou-se de forma acelerada, fruto de decisões precipitadas, vaidades mal administradas e o combustível inesgotável das fofocas palacianas. Faltou a ambos o básico instinto de autopreservação política: quando não se controla o entorno, o entorno controla o governo.
NOMINATA
Ainda que uma candidatura ao Senado pareça improvável ou arriscada neste momento, a ida ao PSD tem outro objetivo: robustecer a nominata estadual e federal. Com mais nomes competitivos, o partido amplia o acesso ao fundo eleitoral e ao tempo de propaganda, transformando estrutura em musculatura — e musculatura, em poder.
CÁLCULO
A aliança com o PSD pode render ao grupo pelo menos três das oito vagas da bancada federal de Rondônia, número que pode crescer dependendo das migrações partidárias nas próximas semanas. Trata-se de cálculo frio: bancada significa emendas, influência e sobrevivência política em Brasília.
FADIGA
Enquanto não vier a público uma pesquisa séria e metodologicamente confiável, é temerário arriscar prognósticos sobre o eventual desgaste que a filiação do governador Marcos Rocha ao PSD poderá impor ao projeto eleitoral de Adailton Fúria, pré-candidato lançado pela legenda. Qualquer leitura, por ora, não passa de especulação — ainda que o governo já dê sinais visíveis de fadiga administrativa e política.
MICO
A história eleitoral ensina que nem sempre a engrenagem da máquina estatal é suficiente para fabricar um sucessor, sobretudo quando a rejeição supera a aprovação. A próxima rodada de pesquisas, feita por instituto respeitável, deverá indicar se a adesão de Rocha ao PSD foi um movimento estratégico bem calculado ou apenas um mico eleitoral que pode comprometer, antes mesmo da largada, as pretensões de Fúria.
PESO
O União Brasil, que surfou bem na última eleição, agora enfrenta anemia interna. Fora Maurício Carvalho, nenhum outro parlamentar federal parece disposto a assinar ficha na legenda. E quem está quer sair. Os Carvalho contam apenas com a aliança dos Gonçalves, que, sem capital político ou estrutura própria, pouco somam.
TÔNICO
A eventual filiação de Hildon Chaves ao UB funcionaria como tônico eleitoral: tonifica o partido e anaboliza a pré-candidatura do ex-prefeito. Como dizia o velho senador mineiro Magalhães Pinto, política é como nuvem…
FRACASSO
Hildon Chaves, por outro lado, enfrenta dificuldades caso insista em permanecer no PSDB. Pendências financeiras e a fragilidade do elenco partidário podem inviabilizar o projeto eleitoral. Sem nominata forte, candidatura majoritária vira barco sem remo.
CONDOMÍNIO
O PL tem nomes fortes demais — e isso, paradoxalmente, espanta novas filiações. O partido virou condomínio de candidatos competitivos, onde poucos querem entrar sem garantia de vaga. Lúcio Mosquini, até agora, é o único cogitando filiação com mais determinação. No PL o tom extremado das falas soa bem ao eleitor.
CONVITE
A deputada Cristiane Lopes pode seguir o mesmo caminho de Mosquini e filiar-se ao PL, seduzida pela promessa de uma vice. Mas há também quem deseje que Hildon aceite ser vice de Marcos Rogério. Nesse desenho, Lopes perderia a primazia e o PL avançaria na capital com o ex-prefeito. Já que Léo Moraes sinaliza com projeto próprio.
LIDERANÇA
O Podemos, sob a presidência de Léo Moraes, conta com o deputado federal Fera e aposta na filiação de ex-prefeitos do interior e policiais com apelo popular. Ainda assim, terá de ralar para ampliar a bancada. Na configuração atual, Fera segue como o nome mais sólido para manter a vaga. O peso eleitoral do prefeito da capital é um ativo decisivo para o crescimento do partido.
PRAZOS
Nos próximos 40 dias, a janela partidária abrirá espaço para trocas sem perda de mandato. Mas a maioria dos políticos esperará até o último minuto — não por estratégia, mas por medo: em Rondônia, traição é esporte e confiança é artigo em extinção.
DIFICULDADES
Fernando Máximo e outros deputados enfrentam desafios consideráveis em suas nominatas. Máximo parece o mais próximo de migrar para o PL uma vez que é encaixe perfeito na chapa majoritária liderada pelo senador Marcos Rogério.
DONATÁRIOS
A família Carvalho domina o União Brasil e o Republicanos como se fossem capitanias hereditárias. Mas o risco é evidente: com a migração de nomes fortes, o eleitorado pode migrar junto. Mariana Carvalho é a mais bem posicionada para uma vaga federal, porém ainda carece de uma nominata competitiva que a carregue sem sobressaltos.
364
Por mais escandalosas que sejam as tarifas do pedágio na BR-364, nada justifica o fechamento da única via de acesso à capital. Anos atrás, a rodovia foi palco de protestos extremistas, pedidos de golpe e delírios autoritários, sem que as autoridades agissem com o rigor necessário. Agora, quando o bolso é atingido, surge a indignação seletiva.
ORDEM
Ao que parece, um magistrado decidiu impor limites à esculhambação e restaurar a ordem mínima. Multas pecuniárias já não bastam: é preciso ação mais gravosa para conter futuros bloqueios. Fechar a única via de acesso à capital é insano e criminoso. Não tardará para aparecer político gravando vídeos para redes sociais defendendo essa empulhação de bandoleiros. Pelo voto, vale tudo — até flertar com o caos.
REFIS
Com o novo Refis, grandes empresas poderão quitar débitos fiscais sem as multas escorchantes adicionadas ao passivo. O refinanciamento ajuda também os municípios, que vivem no vermelho: o projeto aprovado concede uma fatia da arrecadação às prefeituras. Não é novidade no estado — Porto Velho lançou medida semelhante no início do ano com relativo sucesso. Quem critica o faz por oportunismo porque o refis é algo corriqueiro na vida fiscal do inadimplente seja empresarial, seja pessoa física. Aliás, já fiz uso desta graça fiscal.
CAPTURA
O PDT de Rondônia, que já foi legenda vibrante nos tempos de Brizola, virou uma espécie de extensão das propriedades políticas de Acir Gurgacz. O partido encolheu ano após ano até se tornar quase invisível no cenário eleitoral. Não tem mais prefeito, deputado estadual, senador ou deputado federal, e vereador virou artigo de luxo. A sigla, que deveria ser instrumento coletivo, parece reduzida a um patrimônio privado. O resultado é um PDT apequenado, sem musculatura e sem renovação. Um partido que perdeu o rumo e a relevância na política rondoniense.
CORONEL
Acir insiste em manter o PDT como legenda nanica, fechada, sem abrir espaço para novos nomes que possam oxigenar a estrutura. O ex-candidato a prefeito da capital, Célio Lopes, por exemplo, tem dito que está de malas pronta para desembarcar do PDT exatamente por não concordar com o rumo que o partido tem adotado.
DÉSPOTA
A presidência se comporta como um regime de veto permanente, sufocando lideranças emergentes. Assim, o partido vai perdendo filiados, preso ao passado e ao autoritarismo de comando. A direção do PDT não aceita ser contrariada, é o que dizem pedetistas a coluna sob promessa do anonimato. O PDT nacional está em crise.
PREGÃO
O alerta feito pelo site TUDORONDONIA aos órgãos de controle, especialmente ao Ministério Público do Trabalho, sobre o pregão eletrônico para contratação de transporte inter-hospitalar expõe um cenário que, se confirmado, beira o escândalo administrativo. O que está em jogo não é apenas uma licitação rotineira, mas a possível institucionalização da supressão de direitos trabalhistas mínimos, viabilizada por flexibilizações indevidas de normas legais e editalícias.
EXPLORAÇÃO
A aceitação de propostas baseadas na compressão artificial de custos levanta suspeitas graves: como oferecer um serviço especializado, com mão de obra qualificada, sem que alguém pague a conta — e quase sempre quem paga é o trabalhador. Não é admissível cortar salários de uma atividade vital à saúde pública quando há pisos e direitos estabelecidos em lei que não podem ser flexibilizados. Enquanto o profissional é explorado, a empresa aufere em tese os lucros da exploração. Alô, órgãos de controles.
PODCAST
No episódio de hoje (terça-feira), do podcast Resenha Política, Hildon Chaves confirma sua intenção de disputar o governo, evitando críticas ao sucessor. O silêncio, nesse caso, não é elegância: é cálculo. Em ano eleitoral, evitar bola dividida é a regra. A entrevista vai ao ar neste terça-feira, no canal ‘YouTube’ resenha política, às nove horas. Ao que parece, Chaves começa a gostar do cenário estadual e ensaiar de vez a pré-candidatura a governador. Quem tem acesso a pesquisa interna sobre as eleições estaduais têm noção para onde o vento começa a soprar.
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