Txai Suruí é Rondônia!

Na cúpula do clima, no entanto, ela ensinou ao mundo a sabedoria indígena e mostrou como salvar o planeta da catástrofe iminente

Professor Nazareno*
Publicada em 03 de novembro de 2021 às 08:17
Txai Suruí é Rondônia!

A COP26, a conferência do clima que começou esta semana em Glasgow na Escócia, reservou uma daquelas surpresas mais do que agradáveis para Rondônia, Estado brasileiro periférico, sem eira nem beira e localizado em plena região amazônica do país. Walela Txai Suruí, uma linda e encantadora mulher com seus 24 anos, cativou o mundo com suas sábias palavras na abertura da cúpula mundial do clima. Falando num inglês perfeito e sem nenhum arrodeio, a jovem desbancou todas as autoridades constituídas do país que viajaram com dinheiro público para representar o Brasil. Apesar de estar na Europa, o desprestigiado e inútil presidente Jair Bolsonaro não participou da abertura nem da conferência. Também o governador de Rondônia, Marcos Rocha, teria viajado para a Escócia. Só que os dois foram solenemente ignorados ali.

Talvez poucos rondonienses conheçam o trabalho da jovem indígena. Estado baseado na agropecuária e resultado de um dos maiores desastres ambientais do planeta, a jovem unidade da federação até hoje nada deu nem nada trouxe de bom para o Brasil nem para o mundo. Com quase 15 milhões de cabeças de gado, três hidrelétricas, dois biomas reconhecidos mundialmente e uma população menor do que dois milhões de habitantes, Rondônia sempre foi uma vergonha nacional. Todos os anos durante o verão amazônico, a floresta pega fogo em Rondônia e as suas poucas cidades vivem sob um manto vergonhoso de fumaça tóxica mostrando ao mundo como os brasileiros e principalmente os rondonienses tratam o seu meio ambiente. A jovem índia não só defende o ecossistema local como também atua em muitas frentes na defesa da natureza.

Destaque na COP26, a jovem paiter-suruí tem pai perseguido pelo governo Bolsonaro e mãe ameaçada de morte. Na cúpula do clima, no entanto, ela ensinou ao mundo a sabedoria indígena e mostrou como salvar o planeta da catástrofe iminente. “Meu pai, o grande cacique Almir Suruí, me ensinou que devemos ouvir as estrelas, a lua, o vento, os animais e as árvores”, ensinou ela num inglês impecável. Mas tomara que ela continue com a sua boa e útil militância em defesa da natureza e da floresta amazônica em vez se meter na política. Teria poucos votos num universo onde o povo pobre, apesar de estar passando fome e ameaçado de desaparecer, prefere votar nos políticos ricos e ligados ao agronegócio. Aqui já vi voto “na galega do saquinho”, “na menina do pacu grande” e até quem diz que “Rondônia não é Roraima” pode ter votos.

Para as próximas eleições no Estado, os candidatos bolsonaristas e mais reacionários, que estão ligados à devastação da natureza local e consequentemente ao agronegócio, disparam na preferência do “analfabeto” eleitor rondoniense. O Brasil é o vilão do clima mundial. Nossas autoridades se escondem e não nos representam como deviam. E é como disse a jornalista Luciana Oliveira: “Jair Bolsonaro como presidente do Brasil entrou e saiu da COP26 sem ser notado. Parece que ninguém o viu por lá. Já o governador Marcos Rocha, aliado na destruição do meio ambiente e perseguição aos povos originários, entrou e saiu da COP26 também sem ser notado. Enquanto isso, a jovem indígena suruí, entrou anônima, sem cargo público, sem poder político ou econômico e saiu por seu discurso engajado sob os holofotes da imprensa global”. Txai Suruí me representa e representa Rondônia. Assim como a parintintin Francisca Pereira. 

*Foi Professor em Porto Velho.

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Comentários

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    edgard feitosa 04/11/2021

    Quem considerou o texto esquerdista (Luizinho Carvalho), é muito simples: ESCREVA UM TEXTO COM ARGUMENTOS SÓLIDOS E INQUESTIONÁVEIS!!! NÃO FIQUE NESSA CATALEPSIA IDEOLÓGICA!

  • 2
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    Alan Kardec 04/11/2021

    A educação muda a família a comunidade e, o mundo. Na década de 80 essa tribo indígena era uma das mais temidas, ante a ausência de contato com o homem branco. Hoje é uma das tribos mais ricas do Estado economicamente. Com um destaque a mãe dessa bela índia possuí formação pela USP. Essa é a saída para o povo brasileiro "a educação".

  • 3
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    Deu Ruim 03/11/2021

    ", ensinou ela num inglês impecável", nem inglês o pai dela fala. " tem pai perseguido pelo governo Bolsonaro e mãe ameaçada de morte( diz isto como se o presidente fosse autor destas sandices)." Nem da para acreditar que seja um professor que escreveu isto. Erro de concordância, facknews, ridículo para um jornal aceitar um colunista deste. Mente quando diz que ninguém conhece os trabalhos da jovem sendo que ela é estudante e somente faz militância tipo o que este senhor escreve. Outro despautério" deste senhor a jovem unidade da federação até hoje nada deu nem nada trouxe de bom para o Brasil nem para o mundo". E logo após se desmente com " 15 milhões de cabeças de gado, três hidrelétricas, dois biomas reconhecidos mundialmente ". Este cara tem tanto desapego e desmerecimento por Rondônia por que mora aqui? Por ideologia ele denigre os outros por que não vai para Bolivia ou Venezuela é logo ali...

  • 4
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    paulo 03/11/2021

    essa me representa e deixa nosso estado orgulhoso , já alguns textos nas mídias nacional dizendo que ela é uma forte candidata ao nobel da paz

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    Otniel 03/11/2021

    Tem que salvar 0 mundo é das pragas da China. Comunistas lacradores estão usando essa índia assim como usam a Grega. Mais tarde elas vão entender.

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