10 fatos para você entender a tuberculose

Infecciosa e transmissível, ela afeta prioritariamente os pulmões, e parece ser doença do passado, mas é mais comum do que você pensa

Assessoria
Publicada em 21 de novembro de 2023 às 17:27
10 fatos para você entender a tuberculose

A tuberculose circula há séculos entre nós. Em 2022, cerca de 78 mil pessoas adoeceram por tuberculose no Brasil. O número representa um aumento de 4,9% em relação a 2021.

Estes dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde refletem que a tuberculose, mesmo sendo uma doença que tem tratamento gratuito no Sistema Único de Saúde (SUS), ainda é um desafio para a saúde pública.

Isso porque a tuberculose afeta desigualmente a população brasileira e aqueles que desenvolvem a doença são majoritariamente as populações em situações de vulnerabilidade. Ela é também uma doença muito cercada por estigmas e preconceito social, o que causa fortes impactos na vida da família e de quem apresenta esta infecção.

Pesando nisso, no mês de combate à tuberculose, profissionais da saúde dos hospitais vinculados à Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Rede Ebserh) elencam 10 fatos para que você entenda sobre os sintomas, o diagnóstico, a prevenção, o tratamento e a transmissão da tuberculose.

1) A tuberculose é uma doença causada por uma bactéria, chamada Mycobacterium tuberculosis. Essa bactéria é transmitida pelo ar, através da tosse, espirro ou fala de uma pessoa doente.

A enfermeira do Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes/Ebserh), Geisa Fregona, é enfática: “A transmissão não se dá por contato, abraço, copo, talher... A transferência é pelo ar. Inclusive, um terço das pessoas no mundo estão infectadas, porque esta bactéria pode estar incubada e, desta forma, a doença pode não se manifestar. Acontece de as pessoas terem essa bactéria e não adoecerem. Outro fato é que quem está com a bactéria incubada não transmite para outras pessoas”.

2) Mycobacterium tuberculosis só é transmitido por pessoas que estão doentes e sem tratamento.

O pneumologista Fernando Gil, do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD/Ebserh), explica que ao tossir a bactéria vai para o ar e quando outra pessoa se aproxima, dependendo da quantidade inalada e da imunidade da pessoa, ela acaba adquirindo a tuberculose pulmonar através de micro gotículas. “Mas, para transmitir, a pessoa contaminada tem que ter tuberculose no pulmão, especificamente”, afirma o médico.

3) Os pulmões são os órgãos mais afetados, mas a doença pode se manifestar em diferentes órgãos do corpo.

 “Dependendo do lugar que a tuberculose afeta, mudam os sintomas e o quadro clínico. Por exemplo, se for no osso da coluna, a pessoa vai ter dor nas costas. Se for no pulmão, muita tosse e febre. Se for no coração vai apresentar falta de ar, dor no peito... Então o quadro varia muito conforme a localização. A tuberculose pode afetar qualquer órgão do corpo, como ossos, rins, fígado, coração, mas o mais comum é o pulmão mesmo”, acrescenta o pneumologista do HU-UFGD/Ebserh, Fernando Gil.

4) Os sintomas da tuberculose são muito comuns e podem ser confundidos com outras doenças.

“É comum a presença de tosse prolongada, febre vespertina, perda de peso, sudorese noturna e hemoptise (tosse com sangue)”, detalha Andressa Mateus, pneumologista do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS/Ebserh). 

5) Essa doença tem cura e o tratamento é oferecido pelo SUS.

 “De acordo com o peso do paciente são usados de 3 a 5 comprimidos ao dia, por 6 meses, em para casos em que o paciente não apresente uma tuberculose resistente”, afirma a pneumologista do Humap-UFMS/Ebserh, Andressa Mateus.

A médica destaca ainda a importância do tratamento correto, da aderência e do não abandono do tratamento medicamentoso. “Só assim conseguimos evitar o desenvolvimento de formas mais graves e resistentes de tuberculose”.

6) Para erradicar essa doença é fundamental que todos os doentes sejam identificados e tratados corretamente, pois o Mycobacterium tuberculosis só é transmitido por pessoas que estão doentes e sem tratamento.

“Como a principal forma de transmissão é por gotícula, ela estando no pulmão, a pessoa expele a microbactéria e acaba contaminando outras pessoas, por isso é importante investigar os contatos, buscar os contatos mais próximos da pessoa infectada para poder tratar, porque às vezes tem uma tosse, um sintoma inespecífico, que se não for tratado pode acabar transmitindo”, afirma a pneumologista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG/Ebserh), Flávia Velasco.

7) Como essa bactéria é transmitida pelo ar, a tuberculose é uma doença muito comum e pode afetar qualquer pessoa.

Segundo o pneumologista do hospital Universitário de Brasília, da Universidade de Brasília (HUB-UnB/Ebserh), Ricardo Martins, a tuberculose, apesar de ser endêmica no nosso país e ter diagnóstico e tratamento inteiramente garantidos no SUS, é ainda vista com muito preconceito. “O diagnóstico da tuberculose é encarado como sendo feito em pessoas com hábitos de vida de poucos cuidados com a saúde, sendo também associada a quem faz uso de substâncias psicoativas e álcool, ou indivíduos HIV positivos. Mas, mesmo sendo uma doença mais diagnosticada em pessoas que moram em ambientes úmidos e de pouca ventilação, qualquer pessoa pode contrair tuberculose”, diz o médico.

8. O diagnóstico é feito, principalmente, pelo exame de escarro (catarro) e qualquer profissional da saúde pode fazer uma solicitação desse exame para você.

A infectologista do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU/Ebserh), Francielly Gastaldi, comenta que o programa de Prevenção e Tratamento da Tuberculose é uma política nacional robusta, que engloba todas as unidades de atendimento públicas, tendo maior atuação realmente nas unidades primárias (posto de saúde), pela maior proximidade com a população.

“A investigação é realmente simples. É necessário radiografia de tórax ou outro exame de imagem, no caso da necessidade de investigação do comprometimento de outro órgão, e coleta de escarro para análise microbiológica. Além desses exames, é realizada a pesquisa molecular do Mycobacterium tuberculosis no material coletado”, detalha a médica.

A partir da suspeita, o paciente deve realizar isolamento respiratório, com uso de máscara cirúrgica e evitar ambientes fechados. Com a confirmação do diagnóstico, o tratamento é instituído com as medicações fornecidas pelo SUS, o que garante acesso ampliado e facilita o tratamento e prevenção de novos casos.

 9) Com o início do tratamento a transmissão tende a diminuir gradativamente.

Com 15 dias tomando corretamente os medicamentos o doente em tratamento não oferece mais perigo de contágio. Mas por ser uma doença crônica, com duração maior que 3 semanas, após o início do tratamento o paciente com tuberculose pulmonar pode transmitir a doença por, aproximadamente, 15 dias. “Sendo assim, é orientado manter as medidas de isolamento durante esse período”, recomenda a infectologista, Francielly Gastaldi.

10) A vacina BCG protege contra as formas mais graves da tuberculose. 

“A BCG deve ser aplicada em todas as crianças a partir do nascimento, garantindo a proteção contra formas graves, que é a tuberculose miliar e a tuberculose meníngea. Existem outras formas de prevenção de tuberculose pulmonar, como manter ambientes ventilados, arejados com a luz natural e realizar etiqueta da tosse - cobrir a boca com antebraço ou lenço ao tossir, diminuindo o risco de transmissão e prevenindo a tuberculose”, finaliza a pneumologista do HU-UFGD/Ebserh, Érica Ovídio.

Sobre a Ebserh

Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.

FONTES

Andressa Mateus, pneumologista do Humap-UFMS

Érica Ovídio, pneumologista do HU-UFGD

Fernando Gil, pneumologista do HU-UFGD

Flávia Velasco, pneumologista do HC-UFG

Francielly Gastaldi, infectologista do HC-UFU

Geisa Fregona, enfermeira do Hucam-Ufes

Ricardo Martins, pneumologista do HUB-UnB

 

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