Candidato que ignora estratégia paga o preço nas urnas. Sempre
E a gente vai ver muito disso em outubro
No último sábado, dia 31 de maio, participei do Debate Pod, transmitido ao vivo pela Rede TV, Rádio SGC e YouTube do Sistema Gurgacs de Comunicação. Uma hora de conversa com grandes referências da comunicação e marketing, como o Ricardo Farias, Matheus Henrique e Fernando Fontes sobre o que mais me apaixona e mais me indigna ao mesmo tempo: o marketing político brasileiro.
E tinha um detalhe especial nessa audiência. Acompanhando ao vivo pelo YouTube estava nosso mestre, professor e um dos maiores marqueteiros do Brasil, Marcelo Vitorino. Uma honra que não passa despercebida.
Fui chamado de referência. Fiquei sem graça, como sempre fico quando alguém usa essa palavra. Mas o convite em si já diz algo importante: o mercado está crescendo, os profissionais estão se conectando, e o debate está ficando mais sério.
Deixa eu registrar aqui os principais pontos do que debatemos, porque acho que é tão importante quanto assistir esse bate-papo pelo You Tube.
Pesquisa não é gasto
A primeira pergunta que faço quando alguém me procura para uma consultoria é sempre a mesma: você já fez algum tipo de pesquisa? A maioria responde que não. E a maioria que responde que não também acha que não precisa.
Os que têm muito dinheiro desprezam. Os que não têm muito dinheiro chamam de gasto. Eu chamo de investimento. E sem ele, tudo que vem depois é achismo com calendário.
Numa campanha de deputado federal, uma pesquisa qualitativa em Rondônia custa a partir de R$ 100 mil. É uma quantia considerável. Mas o teto de gasto de uma campanha para deputado federal passa de R$ 3 milhões. É esse investimento que vai orientar como investir o restante. E é obrigatório.
O que tenho feito para baratear esse processo em campanhas menores é uma pesquisa quantitativa com toque de qualitativa. Não é o ideal, mas consegue entregar dados reais de rejeição, aprovação e percepção de imagem. E isso já é infinitamente melhor do que achar.
Mandato também precisa de pesquisa
Falamos sobre o político que acorda em junho para descobrir que tem eleição em outubro. É mais comum do que deveria ser.
Avaliação de mandato feita duas vezes por ano durante os quatro anos de mandato é o mínimo. Ela mostra onde o trabalho está chegando, onde não está chegando, o que o eleitor espera que ainda não foi entregue e o que está gerando rejeição silenciosa.
Rejeição silenciosa é a mais perigosa. Ninguém vai até o político dizer que está decepcionado. Simplesmente não vota mais. E quando a pesquisa mostra isso, geralmente já é tarde para corrigir.
Família e amigos são os maiores inimigos da campanha
A família age por emoção. O amigo age por afeto. E emoção e afeto são os piores conselheiros estratégicos que existem.
Já ignorei grupo de WhatsApp de esposa de candidato durante campanha inteira. Já pedi para prefeito pedir desculpas para a esposa em meu nome depois que a campanha acabou. Porque durante a campanha, a única voz que importa para a estratégia é a do dado.
Um grande amigo meu tem uma frase que uso até hoje: quem age por emoção, paga com o botão. Risos à parte, nunca vi definição mais precisa do que acontece quando a família toma as rédeas de uma campanha.
O cenário de Rondônia em 2026
Falamos sobre os principais pré-candidatos ao Governo. Já escrevi sobre isso em artigos anteriores, mas no podcast conseguimos afinar a análise junto com os colegas.
Marcos Rogério aparece com o discurso mais alinhado. Hildon ainda está embrionário sem narrativa definida. Fúria está num contrassenso entre o apoio do governador e uma postura de franco-atirador que pode soar como arrogância para um cargo de governador.
Falamos também sobre Fernando Máximo, que teve uma semana difícil, e sobre a força do bolsonarismo em Rondônia, abalada pelo escândalo do Flávio com o Vorcaro mas ainda presente e relevante.
O profissional de marketing político precisa estar no núcleo duro
Ainda somos os últimos a ser chamados para a roda de conversa. Ainda somos contratados e deixados de lado quando o sobrinho ou o cabo eleitoral veterano acha que sabe mais. Ainda somos tratados como fornecedor de arte e não como estrategistas.
Isso muda quando o candidato que ignorou o profissional perde para um candidato menor que trabalhou organizado e com método. E a gente vai ver muito disso em outubro.
Agradeço ao Ricardo Farias, ao Matheus Henrique e ao Fernando Fontes pela recepção e pelo debate de alto nível. E fica o convite para os profissionais de marketing político de Rondônia: se você está estudando, se especializando e quer trocar ideia, me chama. O mercado precisa crescer e crescer junto é melhor do que crescer sozinho.
Ivan Lara é jornalista, gestor público, especialista em direito eleitoral e consultor de marketing político. Autor do livro Marketing Político Sem Achismo. Atua há mais de 17 anos com comunicação e marketing em Rondônia.
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