Canedo alerta sobre assédio eleitoral no trabalho
Canedo explica que “seu chefe pode ter candidato, pode ter opinião política. O que ele não pode é transformar opinião em pressão”
“Seu patrão pode escolher em quem você vai votar?” A pergunta feita em vídeo do especialista em direito eleitoral, o advogado Nelson Canedo, é provocativa. Ele mesmo responde: “tem gente que acha que, quando contratou um funcionário, contratou o voto junto. Mas não!”, afirma.
Canedo explica que “seu chefe pode ter candidato, pode ter opinião política. O que ele não pode é transformar opinião em pressão”. Se o fizer, explica Canedo, “é aí que começa o assédio eleitoral”.
O assédio se caracteriza quando alguém usa sua posição de chefe para pressionar, constranger, ameaçar ou tentar influenciar o voto do trabalhador, explica. E não precisa se explícito, exigindo o voto no candidato indicado pelo patrão.
“Às vezes vem naquele recado bem sutil: se o Fulano perder, talvez eu tenha que mandar gente embora”. Ou “não estou obrigando ninguém, mas espero que você saiba votar”.
Também pode ser assédio, ameaçar de demissão, prometer alguma vantagem em troca de apoio ou pressionar funcionário para participar de carreata, reunião ou qualquer ato de campanha.
Canedo sublinha outra questão importante: “trocar a ordem por um indireta não resolve!”. Ele acrescenta: “se o emprego, o salário ou algum benefício vira instrumento para pressionar a escolha política do trabalhador, isso pode ser assédio eleitoral. “E a regra vale para qualquer ambiente de trabalho, ou seja, tanto público quanto privado”, alerta.
Ele conclui: “seu chefe pode escolher o candidato dele, mas não pode escolher o seu”!
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