Governador desmonta vice-governadoria, retalia Sérgio e demite 9 assessores
No meio desse embate, o radialista Arimar Souza de Sá, apresentador do programa A Voz do Povo, da Rádio Caiari, em Porto Velho, denunciou estar sendo alvo de perseguição com corte de verbas oficiais de publicidade após entrevistar o vice-governador Sérgio Gonçalves. Segundo Arimar, a pressão teria atingido tanto o programa quanto o portal Rondonotícias, depois da presença de Sérgio na emissora
O governador Marcos Rocha culpa seu vice "traíra", Sérgio Gonçalves, por não poder ser pré-candidato ao Senado e de também sepultar os sonhos de Luana Rocha e Sandro Rocha de virem a ser deputados
O governo do Coronel Marcos Rocha (PSD) publicou, na noite de quarta-feira, 8 de abril de 2026, uma edição suplementar do Diário Oficial com a exoneração de nove assessores ligados diretamente ao gabinete do vice-governador Sérgio Gonçalves. As demissões atingem cargos de assessoramento do Gabinete do Vice-Governador e aprofundam a crise política entre os dois, em um movimento que esvazia a estrutura da vice-governadoria.
As exonerações foram formalizadas no Diário Oficial suplementar de 8 de abril. Foram dispensados os seguintes servidores: EDETE COLETTI BAPTISTA, assessora XII, símbolo CDS-12; MAURA DA SILVA VIEIRA, assessora II, símbolo CDS-02; GIOVANNA GABRIELLA DE ANDRADE ISLER, assessora IV, símbolo CDS-04; CRISTINA SUELY MARTINS BARROS, assessora IV, símbolo CDS-04; ALINE ARAUJO SCHUMANN, assessora V, símbolo CDS-05; FERNANDO GILBERTO WERRI FILHO, assessor V, símbolo CDS-05; JADSON FERNANDES DA SILVA, assessor XII, símbolo CDS-12; EVA BEATRIZ BITENCOURT BARROS, assessora V, símbolo CDS-05; e JOSEFA JÚLIA PEREIRA DA SILVA, assessora VIII, símbolo CDS-08. Os atos preveem efeitos a partir de 9 de abril de 2026.
A medida ocorre no auge do rompimento político entre Marcos Rocha e Sérgio Gonçalves, conflito que se arrasta há meses. Em janeiro, Rocha afirmou publicamente que não deixaria o cargo para disputar o Senado e declarou que não confiava mais no vice, a quem chamou de traidor, sem detalhar publicamente a natureza da acusação. A permanência no governo acabou impedindo que o vice assumisse o comando do Executivo.
Com a decisão de seguir no cargo até o fim do mandato, Marcos Rocha também alterou o cenário eleitoral do próprio grupo político e da família. A permanência do governador inviabilizou movimentos eleitorais que vinham sendo atribuídos à secretária Luana Rocha e ao diretor-geral do Detran, Sandro Rocha, ambos citados como nomes cogitados para a disputa de 2026. Luana, mulher de Rocha, queria ser deputada federal, e Sandro, irmão, deputado estadual.
No meio desse embate, o radialista Arimar Souza de Sá, apresentador do programa A Voz do Povo, da Rádio Caiari, em Porto Velho, denunciou estar sendo alvo de perseguição com corte de verbas oficiais de publicidade após entrevistar o vice-governador Sérgio Gonçalves. Segundo Arimar, a pressão teria atingido tanto o programa quanto o portal Rondonotícias, depois da presença de Sérgio na emissora.
Arimar atribuiu a suposta retaliação ao secretário de Estado da Comunicação, Renan Fernandes Barreto. Na denúncia tornada pública, ele afirmou que o dinheiro da publicidade oficial estaria sendo usado para pressionar veículos de comunicação e tentar influenciar a linha editorial do programa. O jornalista também declarou que, em mais de 30 anos de atuação no rádio, nunca havia enfrentado situação semelhante.
O caso provocou reação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Rondônia. O Sinjor divulgou nota de solidariedade a Arimar Souza de Sá e de repúdio ao episódio, após a denúncia de que a distribuição de publicidade institucional estaria sendo usada como forma de pressão sobre a imprensa.
O conflito entre governador e vice remete a um episódio anterior da política de Rondônia. Em crises passadas entre titulares e seus vices, já houve retirada de estrutura administrativa e disputa judicial em torno do funcionamento da vice-governadoria, como ocorreu no rompimento entre Ivo Cassol e a então vice-governadora Odaísa Fernandes. Cassol mandou a chefia da Casa Militar tomar até as chaves do carro oficial da então vice-governadora, que reverteu a decisão na justiça.
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