Indígenas de RO participam de oficinas contra violência doméstica
Projeto da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJRO aproxima comunidades tradicionais do Poder Judiciário
Entre os dias 19 e 21 de agosto, o Poder Judiciário de Rondônia promoveu uma série de ações educativas voltadas ao combate e à prevenção da violência doméstica em terras indígenas na região de Espigão do Oeste. A iniciativa integra o Programa Justiça pela Paz em Casa, que é realizado no mês em que a Lei Maria da Penha celebra seu aniversário. O Projeto Travessia leva o Poder Judiciário até as comunidades tradicionais para fortalecer a garantia de direitos junto aos indígenas da etnia Cinta Larga.
Desenvolvido pela Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Comsiv) do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), com o suporte da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Projeto Travessia visa aproximar o Judiciário de populações indígenas, ribeirinhas e quilombolas, promovendo diálogo direto e acessível.
A programação começou na Aldeia 14 de Abril, no dia 19 de agosto, onde os moradores participaram de oficinas instrutivas sobre o enfrentamento à violência contra a mulher. No dia seguinte, a equipe da Comsiv estendeu as atividades à Aldeia Roosevelt, também da etnia Cinta Larga, dando continuidade às rodas de conversa.
As oficinas aconteceram em clima de interação e cordialidade, reunindo homens, mulheres e jovens indígenas. Conduzidas pelas assistentes sociais Jordânia Damasceno e Aline Sarges, ao lado da assistente jurídica Lorena Gorayeb, as palestras abordaram com clareza como identificar e denunciar os diferentes tipos de abusos: violências física, psicológica, sexual, moral, patrimonial e vicária.
Representantes da comunidade ressaltaram a importância do aprendizado. Karina Cinta Larga, liderança feminina na Aldeia Roosevelt, destacou como as orientações trazem clareza para a proteção das mulheres locais, enquanto o cacique Valdemar Cinta Larga, da Aldeia 14 de Abril, reforçou o compromisso das lideranças na defesa dos direitos de seu povo. A assistente social Jordânia Damasceno pontuou que levar o conhecimento técnico respeitando as particularidades culturais é a chave para romper ciclos de violência e garantir que a Justiça alcance a todos.
Dinâmicas
Frases conhecidas e que carregam estigmas da violência foram debatidas com as comunidades. “Em briga de marido e mulher não se mete a colher” é um exemplo. Com cartões verde e vermelho, os participantes opinavam se concordavam ou não com os termos. Com linguagem simples e acessível, as servidoras envolvem o público e estimulam a participação, sem julgamentos sobre as opiniões, mas pontuando questões essenciais para que homens e mulheres possam identificar comportamentos e atitudes que podem evoluir para episódios de violência na convivência familiar.
Com placas com os nomes dos tipos de violências previstas na Lei Maria da Penha, os indígenas passaram a entender cada uma delas, com ilustrações e o diálogo com os profissionais do Comsiv-TJRO. Em seguida, as formas de procurar ajuda, denunciar e prevenir a ocorrência de casos na comunidade. Uso e abuso de álcool e drogas, frequência escolar, dentre outros assuntos, também foram abordados.
Formação
Na sexta-feira, 21, ocorreu também a oficina formativa sobre o tema, realizada com os profissionais da Funai e da Divisão Especial de Saúde Indígena (DSEI), no Fórum Geral de Cacoal, oportunidade de instruir os profissionais que atuam diretamente junto aos territórios indígenas para que possam atuar na identificação, prevenção e combate à violência doméstica e familiar contra mulheres e meninas.

Esta é a segunda edição do projeto este ano. Na primeira foram atendidas comunidades na região do Vale do Guaporé. Em 2025, o Poder Judiciário também levou o projeto às comunidades tradicionais da região de Alta Floresta d' Oeste, Alto Alegre dos Parecis.
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