Novela Cristã - Capítulo 2

E se eu voltasse a fumar? — indagou ele em voz alta e o seu amigo editor apenas deu um leve sorriso de surpresa pelo teor da pergunta

Fonte: Alberto Ayala Filho - Publicada em 16 de outubro de 2026 às 17:57

Novela Cristã - Capítulo 2

Enclausurado nos próprios pensamentos e achismos nocivos? Com certeza! Totalmente entregue à tristeza existencial de um literato religioso cansado da vil superficialidade tão valorizada na sociedade atual. Olhou para uma cartela de cigarros e a nostalgia da época em que esteve imerso na literatura secular o tomou de uma maneira assustadora. Naquela época, ele se lançara sem pudores no fumo e no consumo de álcool. Achava que era imbatível e irresistível aos olhos do público feminino.

— E se eu voltasse a fumar? — indagou ele em voz alta e o seu amigo editor apenas deu um leve sorriso de surpresa pelo teor da pergunta. — E se eu voltasse a ser aquele homem que se apaixonava por diversas mulheres ao longo do dia? 

— Se você voltasse ao vômito, Gaspar, seria uma decadência espiritual lamentável e totalmente midiática para os seus críticos que sobrevivem do jornalismo sensacionalista neste país tropical. Você conhece como funciona o jogo!

Gaspar refletiu por alguns instantes na resposta que Fernandez havia lhe dado com muita rapidez e segurança. Comentou:

— É verdade, meu amigo! Seria lamentável. Seria uma narrativa totalmente triste e maravilhosa para o diabo. 

— Então? Por que me perguntas se já sabes qual será a resposta, Gaspar? 

— Porque indagar é um exercício de humildade para quem escreve. Uma vez recebi este conselho de um escritor e filósofo francês. Não sabemos tudo, ele me dizia enquanto pintava um quadro no seu elegantíssimo apartamento em Paris. Pergunte e viva como um constante aprendiz, repetia ele nos encontros literários que tínhamos perto da Torre Eiffel. Esplêndidas lembranças do teacher René! 

— Não caia nas conversas da sua irmã, Gaspar — aconselhou Fernandez segurando um exemplar do livro O peregrino, de John Bunyan. — Ela quer te desestabilizar e acabar com a sua carreira na literatura cristã. 

O romancista riu sem dar tantos créditos à fala do amigo. 

— Isso é impossível, Fernandez! A Amélia não tem todo esse poder.

Com mais sagacidade na vida, Fernandez assumiu um ar de seriedade e afirmou:

— O que está nela irá ter tal capacidade se você esmorecer no meio do caminho. Nunca duvide das artimanhas que o diabo tece a partir das ações de uma mulher magoada. A vingança feminina é ardilosa e muitas vezes, Gaspar, mortífera. 

Ao escutar tais palavras, Gaspar não pôde evitar o susto. Porém, logo rechaçou a possibilidade de se estremecer diante das maldades da irmã mais velha. 

— Ela não vai conseguir me destruir, pois eu estou com Deus. O Espírito Santo está em mim. Não há como ela me derrotar, meu amigo.

— Claro! O Espírito Santo está te auxiliando na missão, mas…

Respirou fundo. Franziu a testa branca e continuou:

— Não ache que o inimigo é sempre ridículo e previsível. É um conselho espiritual que te dou com muito temor no meu coração. 

— Eu sei que se trata de um conselho relevante — disse Gaspar em um tom afetuoso. — Mas agora eu não quero me preocupar excessivamente com as loucuras da Amélia. Prefiro me dedicar aos preparativos do meu noivado. Esqueceu? Eu e a Matilde vamos nos casar, Fernandez. 

Casa misteriosa em um bairro muito calmo

As velas azuis estavam acesas e madame Juliana fumava um charuto perto da janela que revelava um jardim descuidado, exótico e intrigante para os mais observadores. Na poltrona, Amélia, arrumada, a bolsa de grife e os óculos escuros que lhe davam uma aparência de vilã. O batom roxo e as pernas inquietas. 

— Qual o motivo da sua nobre visita? — indagou a dona da casa. 

— Nós já conversamos em outros encontros, madame Juliana. Esqueceu? 

— Não. Não esqueci. Ainda mais de uma figura tão chique e cheirosa. 

— Agradeço pelos elogios! Acontece que eu ainda não consigo acreditar que uma mulher tão conhecedora das forças espirituais se recuse a me ajudar a ser feliz. 

— Eu não te empato de ser feliz. 

— Será? — indagou Amélia tirando os óculos escuros e demonstrando grande decepção com a dona da casa. — Tantas conversas reveladoras. Tantas lágrimas de uma irmã que está vendo o próprio irmão sendo enganado por uma interesseira. Não é possível que o meu drama não comove o seu coração.

— Não é tão simples assim — comentou Juliana. — Não seja tão imatura. 

— Se o problema for dinheiro, pode me dizer qual é o valor. Comigo você só vai ganhar. Eu não sou um poço de misérias. Diga-me qual é o preço do seu serviço? 

Madame Juliana parou de fumar o charuto e nada respondeu por alguns instantes. No olhar dela, havia um deboche perceptível e lapidado ao longo das décadas. 

— Sabe? O grande problema das pessoas é julgar pela capa. Muito, muito lamentável e previsível. 

— Do que você está falando? — perguntou Amélia não entendendo os rumos da conversa.

— Complicadíssimo de entender? — debochou madame Juliana e logo deu uma risada. — Por favor! Não é tão difícil de entender. 

— Já sei, já sei — se apressou Amélia no seu desespero cego. — Um milhão de reais, né?! Eu consigo. É mais do que eu havia planejado pagar, mas todo o esforço para impedir a desgraça acontecer valerá a pena. Eu faço qualquer sacrifício! 

— É sério isso mesmo, Amélia? — quis saber a cartomante olhando com desdém para a cliente.

— O quê? A minha revolta? As minhas sinceras preocupações em relação ao meu irmão querido? 

— Aceite a verdade, Amélia!

Tensão entre as duas. De repente, os olhos de Amélia ficaram marejados e era gritante o ódio que a dominava. 

— Deus não vai deixar ninguém separar aquele casal, sua invejosa!

— Deus? Como assim Deus, madame Juliana? Eu vim na casa de uma feiticeira ou de uma irmã evangélica que entoa os hinos da harpa? 

A cliente estava indignada. 

— Você veio na casa de uma feiticeira, Amélia. Acertou! Porém, eu não vou ser otária de me atrever a satisfazer os seus caprichos mais ridículos e reprováveis. Escutou? Ou quer que eu desenhe para a dondoca em uma folha de papel? 

— Por que isso agora? Hein? Ela pagou mais? Confessa, madame Juliana! 

— Ninguém pagou mais. Os dois nunca serão destruídos por você.

— Já sei. Você não é feiticeira porcaria nenhuma, sua charlatã! 

— Olha! Cuidado, hein?! 

— Cuidado com quem? Com você, sua picareta? 

— É. Cuidado comigo, barraqueira desgraçada! 

— Acha mesmo que nessa guerra sou eu quem vai sair perdendo, nojenta? 

— Eu tenho certeza. Eu leio cartas sim. Cartas de Tarot. Mas eu não sou uma invejosa como você que se propõe a arruinar a vida das outras pessoas por pura incapacidade de encontrar o caminho da felicidade que existe. Ele existe. E você, Amélia, poderia ser muito feliz. Mas não. Você escolheu ficar imersa na cólera. 

— Escolhi!

— Lamentável! 

— Lamentável, sua feia? 

— Lamentável demais, desgraçada! 

— Lamentável é você, sua charlatã! Sabe? Você não tem poder porcaria nenhuma!

— Veremos — ameaçou madame Juliana com uma gargalhada assustadora e pegou uma varinha mágica. —A feiticeira tem poder, sua feia! Aceite o destino e será melhor. Seu irmão milionário e a empregada irão se casar, serão felizes e é o destino irrefutável, criatura invejosa e lamentável! 

— Pena que você não estará viva para se orgulhar de tal previsão — disse Amélia com muito ódio e pegou um revólver que estava na sua bolsa. Sorriu maliciosamente na direção da feiticeira.

— Larga isso, sua louca! — gritou madame Juliana e soltou a vara mágica no chão. 

— Charlatããããããããããããããã! — esbravejou Amélia e apertou o gatilho do revólver. 

Alberto Ayala Filho é um escritor evangélico e colunista em diversos sites de Rondônia. Também é ficcionista cristão. Aos 26 anos de idade, exerce um ministério na literatura cristã e enfatiza que a Bíblia é o livro mais sábio da civilização humana.

© 2026 Alberto Ayala Filho. Todos os direitos reservados.

Novela Cristã - Capítulo 2

E se eu voltasse a fumar? — indagou ele em voz alta e o seu amigo editor apenas deu um leve sorriso de surpresa pelo teor da pergunta

Alberto Ayala Filho
Publicada em 16 de outubro de 2026 às 17:57
Novela Cristã - Capítulo 2

Enclausurado nos próprios pensamentos e achismos nocivos? Com certeza! Totalmente entregue à tristeza existencial de um literato religioso cansado da vil superficialidade tão valorizada na sociedade atual. Olhou para uma cartela de cigarros e a nostalgia da época em que esteve imerso na literatura secular o tomou de uma maneira assustadora. Naquela época, ele se lançara sem pudores no fumo e no consumo de álcool. Achava que era imbatível e irresistível aos olhos do público feminino.

— E se eu voltasse a fumar? — indagou ele em voz alta e o seu amigo editor apenas deu um leve sorriso de surpresa pelo teor da pergunta. — E se eu voltasse a ser aquele homem que se apaixonava por diversas mulheres ao longo do dia? 

— Se você voltasse ao vômito, Gaspar, seria uma decadência espiritual lamentável e totalmente midiática para os seus críticos que sobrevivem do jornalismo sensacionalista neste país tropical. Você conhece como funciona o jogo!

Gaspar refletiu por alguns instantes na resposta que Fernandez havia lhe dado com muita rapidez e segurança. Comentou:

— É verdade, meu amigo! Seria lamentável. Seria uma narrativa totalmente triste e maravilhosa para o diabo. 

— Então? Por que me perguntas se já sabes qual será a resposta, Gaspar? 

— Porque indagar é um exercício de humildade para quem escreve. Uma vez recebi este conselho de um escritor e filósofo francês. Não sabemos tudo, ele me dizia enquanto pintava um quadro no seu elegantíssimo apartamento em Paris. Pergunte e viva como um constante aprendiz, repetia ele nos encontros literários que tínhamos perto da Torre Eiffel. Esplêndidas lembranças do teacher René! 

— Não caia nas conversas da sua irmã, Gaspar — aconselhou Fernandez segurando um exemplar do livro O peregrino, de John Bunyan. — Ela quer te desestabilizar e acabar com a sua carreira na literatura cristã. 

O romancista riu sem dar tantos créditos à fala do amigo. 

— Isso é impossível, Fernandez! A Amélia não tem todo esse poder.

Com mais sagacidade na vida, Fernandez assumiu um ar de seriedade e afirmou:

— O que está nela irá ter tal capacidade se você esmorecer no meio do caminho. Nunca duvide das artimanhas que o diabo tece a partir das ações de uma mulher magoada. A vingança feminina é ardilosa e muitas vezes, Gaspar, mortífera. 

Ao escutar tais palavras, Gaspar não pôde evitar o susto. Porém, logo rechaçou a possibilidade de se estremecer diante das maldades da irmã mais velha. 

— Ela não vai conseguir me destruir, pois eu estou com Deus. O Espírito Santo está em mim. Não há como ela me derrotar, meu amigo.

— Claro! O Espírito Santo está te auxiliando na missão, mas…

Respirou fundo. Franziu a testa branca e continuou:

— Não ache que o inimigo é sempre ridículo e previsível. É um conselho espiritual que te dou com muito temor no meu coração. 

— Eu sei que se trata de um conselho relevante — disse Gaspar em um tom afetuoso. — Mas agora eu não quero me preocupar excessivamente com as loucuras da Amélia. Prefiro me dedicar aos preparativos do meu noivado. Esqueceu? Eu e a Matilde vamos nos casar, Fernandez. 

Casa misteriosa em um bairro muito calmo

As velas azuis estavam acesas e madame Juliana fumava um charuto perto da janela que revelava um jardim descuidado, exótico e intrigante para os mais observadores. Na poltrona, Amélia, arrumada, a bolsa de grife e os óculos escuros que lhe davam uma aparência de vilã. O batom roxo e as pernas inquietas. 

— Qual o motivo da sua nobre visita? — indagou a dona da casa. 

— Nós já conversamos em outros encontros, madame Juliana. Esqueceu? 

— Não. Não esqueci. Ainda mais de uma figura tão chique e cheirosa. 

— Agradeço pelos elogios! Acontece que eu ainda não consigo acreditar que uma mulher tão conhecedora das forças espirituais se recuse a me ajudar a ser feliz. 

— Eu não te empato de ser feliz. 

— Será? — indagou Amélia tirando os óculos escuros e demonstrando grande decepção com a dona da casa. — Tantas conversas reveladoras. Tantas lágrimas de uma irmã que está vendo o próprio irmão sendo enganado por uma interesseira. Não é possível que o meu drama não comove o seu coração.

— Não é tão simples assim — comentou Juliana. — Não seja tão imatura. 

— Se o problema for dinheiro, pode me dizer qual é o valor. Comigo você só vai ganhar. Eu não sou um poço de misérias. Diga-me qual é o preço do seu serviço? 

Madame Juliana parou de fumar o charuto e nada respondeu por alguns instantes. No olhar dela, havia um deboche perceptível e lapidado ao longo das décadas. 

— Sabe? O grande problema das pessoas é julgar pela capa. Muito, muito lamentável e previsível. 

— Do que você está falando? — perguntou Amélia não entendendo os rumos da conversa.

— Complicadíssimo de entender? — debochou madame Juliana e logo deu uma risada. — Por favor! Não é tão difícil de entender. 

— Já sei, já sei — se apressou Amélia no seu desespero cego. — Um milhão de reais, né?! Eu consigo. É mais do que eu havia planejado pagar, mas todo o esforço para impedir a desgraça acontecer valerá a pena. Eu faço qualquer sacrifício! 

— É sério isso mesmo, Amélia? — quis saber a cartomante olhando com desdém para a cliente.

— O quê? A minha revolta? As minhas sinceras preocupações em relação ao meu irmão querido? 

— Aceite a verdade, Amélia!

Tensão entre as duas. De repente, os olhos de Amélia ficaram marejados e era gritante o ódio que a dominava. 

— Deus não vai deixar ninguém separar aquele casal, sua invejosa!

— Deus? Como assim Deus, madame Juliana? Eu vim na casa de uma feiticeira ou de uma irmã evangélica que entoa os hinos da harpa? 

A cliente estava indignada. 

— Você veio na casa de uma feiticeira, Amélia. Acertou! Porém, eu não vou ser otária de me atrever a satisfazer os seus caprichos mais ridículos e reprováveis. Escutou? Ou quer que eu desenhe para a dondoca em uma folha de papel? 

— Por que isso agora? Hein? Ela pagou mais? Confessa, madame Juliana! 

— Ninguém pagou mais. Os dois nunca serão destruídos por você.

— Já sei. Você não é feiticeira porcaria nenhuma, sua charlatã! 

— Olha! Cuidado, hein?! 

— Cuidado com quem? Com você, sua picareta? 

— É. Cuidado comigo, barraqueira desgraçada! 

— Acha mesmo que nessa guerra sou eu quem vai sair perdendo, nojenta? 

— Eu tenho certeza. Eu leio cartas sim. Cartas de Tarot. Mas eu não sou uma invejosa como você que se propõe a arruinar a vida das outras pessoas por pura incapacidade de encontrar o caminho da felicidade que existe. Ele existe. E você, Amélia, poderia ser muito feliz. Mas não. Você escolheu ficar imersa na cólera. 

— Escolhi!

— Lamentável! 

— Lamentável, sua feia? 

— Lamentável demais, desgraçada! 

— Lamentável é você, sua charlatã! Sabe? Você não tem poder porcaria nenhuma!

— Veremos — ameaçou madame Juliana com uma gargalhada assustadora e pegou uma varinha mágica. —A feiticeira tem poder, sua feia! Aceite o destino e será melhor. Seu irmão milionário e a empregada irão se casar, serão felizes e é o destino irrefutável, criatura invejosa e lamentável! 

— Pena que você não estará viva para se orgulhar de tal previsão — disse Amélia com muito ódio e pegou um revólver que estava na sua bolsa. Sorriu maliciosamente na direção da feiticeira.

— Larga isso, sua louca! — gritou madame Juliana e soltou a vara mágica no chão. 

— Charlatããããããããããããããã! — esbravejou Amélia e apertou o gatilho do revólver. 

Alberto Ayala Filho é um escritor evangélico e colunista em diversos sites de Rondônia. Também é ficcionista cristão. Aos 26 anos de idade, exerce um ministério na literatura cristã e enfatiza que a Bíblia é o livro mais sábio da civilização humana.

© 2026 Alberto Ayala Filho. Todos os direitos reservados.

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