Obituário literário do Acadêmico Silvio Santos

Até bem pouco tempo, o compositor Silvio Santos escrevia a coluna semanal Lenha na Fogueira para o Diário da Amazônia e para o site Gente de Opinião

William Haverly Martins
Publicada em 01 de novembro de 2021 às 15:49
Obituário literário do Acadêmico Silvio Santos

William Haverly Martins, escritor, presidente da Academia Rondoniense de Letras 

Faleceu de causas emocionais, na madrugada deste sábado, 30/10, o acadêmico Silvio Santos, dizem que foi vítima do insaciável serial killer coronavírus, na verdade morreu porque o coração não suportou o encontro, nas dependências do Cemetron, de Zekatraca com o Manelão, comandando uma nova Banda do Vai Quem Quer formada por uma legião de anjos. Logo na entrada cumprimentou Bola Sete, Cabeleira e a profa. Marise Castiel, aguardando, com os brincantes celestiais das escolas carnavalescas, Diplomatas do Samba e Pobres do Caiari, o início da festa em outra dimensão.

O consagrado Amo do Boi Corre Campo, em meio a parafernália hospitalar, declamou versos certeiros, dizendo bem-vindo, Silvio, ao mundo da cultura celestial; os bois se curvaram em reverência, as Catirinas se alvoroçaram com as novas toadas. Os brincantes das quadrilhas retiraram seus chapéus de palha, ao som da zabumba, do triângulo e da sanfona, como que demonstrando sua satisfação pela chegada daquele que por mais de 50 anos incentivou os folcloristas terráqueos de Rondônia, sendo ele seu maior folião.

Silvio Santos abraçou solenemente Zekatraca, como se fosse seu Ghost mais querido, acenou um lenço branco aos brincantes das quadrilhas, dos bois, das escolas de samba e das bandas carnavalescas, sentiu o emocional alterando as batidas do seu sofrido coração e adentrou com eles, em procissão, ao espaço imortal, que lhe cabia de fato e de direito, uma vez que é membro imortal da Academia Rondoniense de Letras. É mais hum a ocupar o nicho dedicado aos imortais da ARL, no Panteão da Cultura.

Silvio Macêdo dos Santos nasceu na “tribo” dos beiradeiros de São Carlos, em 1946, trabalhou em todos os jornais da capital e na rádio Caiari, desde cedo se integrou na cultura folclorista da região e em 1987 incorporou o Zé Katraca, depois Zekatraca, escrevendo sobre assuntos políticos e culturais, de forma anônima, pulando de um jornal para outro, sem que sua identidade fosse conhecida. Até bem pouco tempo, o compositor Silvio Santos escrevia a coluna semanal Lenha na Fogueira para o Diário da Amazônia e para o site Gente de Opinião.

Publicou As Peripécias do General pela Editora Imediata, homenageando Manelão, que junto com ele fundou o bloco carnavalesco mais famoso da Região Norte: A Banda do Vai Quem Quer. Possui textos inéditos: A História da Rádio Caiari, Minha Porto Velho Querida e A História da EFMM em quadrinhos.

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