Telegramas sigilosos do Itamaraty provam que o governo Bolsonaro negou a compra de 43 milhões de vacinas da Covax

A gestão reconheceu os benefícios dos imunizantes, mas preferiu adquirir doses para vacinar apenas 10% da população. Comprou somente 43 milhões das 86 milhões ofertadas

Brasil 247
Publicada em 10 de junho de 2021 às 15:33
Telegramas sigilosos do Itamaraty provam que o governo Bolsonaro negou a compra de 43 milhões de vacinas da Covax

Itamarary (Foto: Leonardo Sá/Agência Senado | Reuters)

247 - O governo Jair Bolsonaro recebeu uma proposta da aliança mundial de vacinas, a Gavi, para aderir ao plano de imunização global com acesso a 86 milhões de doses. A entidade, responsável por administrar a Covax Facility, fez a sugestão no primeiro semestre de 2020. A ideia era garantir a imunização de 20% dos brasileiros, mas o País não aderiu à proposta e comprou somente 43 milhões, o suficiente para imunizar apenas 10% da população. A informação foi publicada pela coluna de Jamil Chade, no portal Uol. 

Telegramas sigilosos apontaram o reconhecimento por parte do governo de que o Brasil seria beneficiado. Em um dos documentos, o Ministério das Relações Exteriores reconheceu que a negociação daria "acesso a futuras vacinas contra a covid-19 a preços inferiores aos do mercado". "O mesmo mecanismo serviria para compartilhar riscos entre maior número de países e, ao mesmo tempo, enviar sinais aos desenvolvedores/produtores de que haverá mercado para venda das futuras vacinas", disse.

A diplomacia, no entanto, optou por não avançar nas negociações. "Em análise preliminar, o Ministério da Saúde indicou que as vacinas contempladas encontram-se em diferentes estágios de desenvolvimento, razão pela qual haveria ainda bastante incerteza quanto a seus resultados finais", afirmou o telegrama.

No documento, o Itamaraty reconheceu benefícios dos imunizantes, como a mitigação de riscos, em cenário de alta incerteza sobre vacinas contra a Covid-19; melhores condições para garantir determinado nível de acesso a vacinas, em um cenário que tende a favorecer países mais ricos, e potencial para negociar melhores termos com múltiplas empresas.

O ministério também apontou outros benefícios. Um deles era o potencial para negociar melhores termos com múltiplas empresas. Outro era a promoção de um cenário mais colaborativo para o desenvolvimento e a distribuição de vacinas.

De acordo com outro telegrama, a Gavi fez uma sugestão ao governo brasileiro. "A parcela sugerida pela GAVI ao Brasil foi de US$ 195 milhões, ou cerca de 10% do total estimado em US$ 2 bilhões, para futura aquisição de 86 milhões de doses (para 43 milhões de pessoas)", afirmou o documento.

Mas o Itamaraty disse que "cada país poderá, no entanto, decidir realizar investimento em valor diverso do montante sugerido (o que implicaria, ao final, direito a um menor número de doses)".

"Na missiva, poderiam ser solicitados maiores esclarecimentos a respeito da governança do mecanismo, da possibilidade de transferência de tecnologia, dos valores esperados e do calendário de desembolsos, da garantia dos recursos empregados pelo Brasil, entre outros aspectos", sugeriu. "Com isso, ganhar-se-ia tempo, até o fim de agosto, para tomar decisão mais informada a respeito da conveniência, para o Brasil, de empregar recursos no COVAX Facility", concluiu.

O governo citou “fim de agosto”, enquanto a proposta havia sido feita no primeiro semestre.

Envie seu Comentário

 

Comentários

  • 1
    image
    Fabio Henrique 11/06/2021

    O que esse psicopata pretende matando a população?

Envie Comentários utilizando sua conta do Facebook

Viemos mesmo da selva?

Viemos mesmo da selva?

Mas pensando bem, se nós brasileiros não saímos da selva, por que na maioria das vezes nos comportamos como selvagens?