Flávio se consolida como obstáculo ao centro

Senador se firma como principal obstáculo à consolidação de uma candidatura viável de centro-direita em 2026

Fonte: Leopoldo Vieira - Publicada em 15 de janeiro de 2026 às 09:47

Flávio se consolida como obstáculo ao centro

247 - A primeira pesquisa Quaest de 2026 indica que Flávio Bolsonaro, de direita, consolidou-se como um obstáculo ao avanço de uma candidatura viável de centro-direita ao segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto. Ao mesmo tempo, o principal nome desse campo, o governador Tarcísio de Freitas, manteve-se, por margem irrisória em relação ao senador, como o adversário mais competitivo para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na etapa que realmente importa da corrida eleitoral.

Atribuir, mesmo que parcialmente, a valorização do Ibovespa, a queda do dólar e o arrefecimento dos juros futuros à redução da diferença entre Lula e os presidenciáveis da oposição — como observado em parte do pregão da B3 nesta quarta-feira — sugere que as expectativas por uma “mudança de regime” amigável ao mercado podem melhorar as condições macroeconômicas antes mesmo de se concretizarem, beneficiando o incumbente.

OFENSIVA CONTRA O MASTER

Em paralelo, a ofensiva da Polícia Federal (PF) contra crimes envolvendo o banco Master teve como um dos alvos Fabiano Zettel. Conforme a imprensa, ele foi o maior doador pessoa física das campanhas de Tarcísio ao Palácio dos Bandeirantes e de Jair Bolsonaro ao Planalto, o que recomenda atenção aos alertas de empresários como Lawrence Pih quanto aos riscos embutidos nos eventuais vínculos da instituição liquidada com o Centrão, a direita tradicional e a ultradireita.

No entanto, é uma oportunidade também para agentes econômicos demarcarem fronteiras, na opinião pública, entre o “andar de cima” e o “andar de cima do crime organizado”, em meio ao acordo de cooperação entre Brasília e Washington que prevê investigações sobre cerca de 40 fundos de investimento brasileiros e outros 17 sediados nos Estados Unidos.

Em tempo: Na simulação interpretada como mais provável pela Quaest, sem Tarcísio na disputa, Lula lidera com 35% das intenções de voto, seguido por Flávio, em segundo lugar, com 26%, e por Ratinho Júnior, alternativa da centro-direita, com 9%. Quando Flávio e Tarcísio concorrem simultaneamente, Lula mantém a liderança com 36%, enquanto Flávio recua para 23% e Tarcísio preserva 9%. Nas simulações de segundo turno, Lula vence todos os adversários, mas com margem menor contra Tarcísio (44% a 39%) do que contra Flávio (45% a 38%).

No radar: As reações do mercado ao anúncio, nas próximas semanas, do substituto do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que tende a aliviar ou a fortalecer o chamado "risco Flávio". Em entrevista, Haddad disse querer deixar o cago ainda em janeiro, o que pode coincidir no "timing" com a primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para 27 e 28 deste mês. Nesta quarta, o Ibovespa renovou a máxima histórica, rompendo os 165 mil pontos; o dólar fechou em alta de 0,49%, a R$ 5,4; e os juros futuros subiram por toda a curva.

Leopoldo Vieira

Jornalista profissional, pós-graduado em Administração Pública e Ciência Política. CEO da Idealpolitik. Trabalhou como analista sênior de política na Faria Lima (TradersClub) e nos ministérios do Planejamento, Secretaria de Governo e Relações Institucionais nos governos Dilma Rousseff e Lula.

Flávio se consolida como obstáculo ao centro

Senador se firma como principal obstáculo à consolidação de uma candidatura viável de centro-direita em 2026

Leopoldo Vieira
Publicada em 15 de janeiro de 2026 às 09:47
Flávio se consolida como obstáculo ao centro

247 - A primeira pesquisa Quaest de 2026 indica que Flávio Bolsonaro, de direita, consolidou-se como um obstáculo ao avanço de uma candidatura viável de centro-direita ao segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto. Ao mesmo tempo, o principal nome desse campo, o governador Tarcísio de Freitas, manteve-se, por margem irrisória em relação ao senador, como o adversário mais competitivo para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na etapa que realmente importa da corrida eleitoral.

Atribuir, mesmo que parcialmente, a valorização do Ibovespa, a queda do dólar e o arrefecimento dos juros futuros à redução da diferença entre Lula e os presidenciáveis da oposição — como observado em parte do pregão da B3 nesta quarta-feira — sugere que as expectativas por uma “mudança de regime” amigável ao mercado podem melhorar as condições macroeconômicas antes mesmo de se concretizarem, beneficiando o incumbente.

OFENSIVA CONTRA O MASTER

Em paralelo, a ofensiva da Polícia Federal (PF) contra crimes envolvendo o banco Master teve como um dos alvos Fabiano Zettel. Conforme a imprensa, ele foi o maior doador pessoa física das campanhas de Tarcísio ao Palácio dos Bandeirantes e de Jair Bolsonaro ao Planalto, o que recomenda atenção aos alertas de empresários como Lawrence Pih quanto aos riscos embutidos nos eventuais vínculos da instituição liquidada com o Centrão, a direita tradicional e a ultradireita.

No entanto, é uma oportunidade também para agentes econômicos demarcarem fronteiras, na opinião pública, entre o “andar de cima” e o “andar de cima do crime organizado”, em meio ao acordo de cooperação entre Brasília e Washington que prevê investigações sobre cerca de 40 fundos de investimento brasileiros e outros 17 sediados nos Estados Unidos.

Em tempo: Na simulação interpretada como mais provável pela Quaest, sem Tarcísio na disputa, Lula lidera com 35% das intenções de voto, seguido por Flávio, em segundo lugar, com 26%, e por Ratinho Júnior, alternativa da centro-direita, com 9%. Quando Flávio e Tarcísio concorrem simultaneamente, Lula mantém a liderança com 36%, enquanto Flávio recua para 23% e Tarcísio preserva 9%. Nas simulações de segundo turno, Lula vence todos os adversários, mas com margem menor contra Tarcísio (44% a 39%) do que contra Flávio (45% a 38%).

No radar: As reações do mercado ao anúncio, nas próximas semanas, do substituto do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que tende a aliviar ou a fortalecer o chamado "risco Flávio". Em entrevista, Haddad disse querer deixar o cago ainda em janeiro, o que pode coincidir no "timing" com a primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para 27 e 28 deste mês. Nesta quarta, o Ibovespa renovou a máxima histórica, rompendo os 165 mil pontos; o dólar fechou em alta de 0,49%, a R$ 5,4; e os juros futuros subiram por toda a curva.

Leopoldo Vieira

Jornalista profissional, pós-graduado em Administração Pública e Ciência Política. CEO da Idealpolitik. Trabalhou como analista sênior de política na Faria Lima (TradersClub) e nos ministérios do Planejamento, Secretaria de Governo e Relações Institucionais nos governos Dilma Rousseff e Lula.

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