Rondônia integra o quinto território Origens Brasil®

O nome escolhido para o novo território é uma referência a como se autodenominam os povos indígenas da região, os Tupi Mondé, e também à bacia hidrográfica do rio Guaporé-Madeira - importante contribuinte do rio Amazonas

Assessoria
Publicada em 13 de outubro de 2021 às 10:23
Rondônia integra o quinto território Origens Brasil®

Seringueiros  da RESEX Cautário, RO/Crédito: Fotos: José Medeiros, no âmbito do projeto Pacto da Floresta, executado pelo Pacto das Águas e financiado pelo Fundo Amazônia / BNDES

Uma boa notícia para a floresta em pé: os povos tradicionais e indígenas da região sul de Rondônia agora são parte do Quinto Território Origens Brasil®. Esse novo território integra a rede colaborativa entre empresas, instituições de apoio, populações tradicionais e povos indígenas da Amazônia. Em cinco anos o Origens Brasil® movimentou R$ 10 milhões com relações comerciais  diretas,  éticas e transparentes. Empresas como Havaianas, Osklen, Vert, Natura e WickBold fazem parte da parceria. 

Seringueira da RESEX Cautário, RO/ Crédito: Fotos: José Medeiros, no âmbito do projeto Pacto da Floresta, executado pelo Pacto das Águas e financiado pelo Fundo Amazônia / BNDES

O nome escolhido para o novo território é uma referência a como se autodenominam os povos indígenas da região, os Tupi Mondé, e também à bacia hidrográfica do rio Guaporé-Madeira - importante contribuinte do rio Amazonas. O novo território surgiu da articulação junto ao Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), administrador da rede Origens Brasil®, em conjunto com a Forest Trends, Pacto das Águas e a Kanindé. Os territórios de diversidade socioambiental Origens Brasil® começaram com a atuação da rede no Território do Xingu (MT/PA). Essas ações se expandiram para os Territórios da Calha Norte (PA), Rio Negro (AM/RR) e Solimões (AM). O Tupi Guaporé é o quinto a participar da rede que conta com mais de 57 instituições de apoio e organizações-membros.  Três dessas instituições de apoio atuam para a governança dessa nova área: Forest Trends, Kanindé e Pacto das Águas.

RESEX Cautário, RO/ Crédito: Fotos: José Medeiros, no âmbito do projeto Pacto da Floresta, executado pelo Pacto das Águas e financiado pelo Fundo Amazônia / BNDES.

“A expansão da rede para um novo território possibilita a valorização da cultura, da produção tradicional e a comercialização dos produtos, promovendo a conservação da floresta. O Origens Brasil apoia a geração de negócios sustentáveis entre as empresas  e os produtores membros - populações tradicionais e povos indígenas, gerando renda e possibilitando que esses verdadeiros guardiões da floresta continuem na floresta fazendo o que gostam.”, afirma Helga Yamaki, coordenadora de projetos do Origens Brasil® no Imaflora.  

Seringueiro da RESEX Cautário, RO/ Crédito: Fotos: José Medeiros, no âmbito do projeto Pacto da Floresta, executado pelo Pacto das Águas e financiado pelo Fundo Amazônia / BNDES.

A região de atuação do Tupi Guaporé  soma mais de 5 milhões de hectares - o equivalente ao estado do Rio Grande do Norte - em áreas protegidas,  inclui 13 terras indígenas, oito unidades de conservação (Reservas Extrativistas -  Resex) e um Projeto de Assentamento de Desenvolvimento Sustentável (PDS). 

Cerca de 10 mil  pessoas vivem no Território Tupi Guaporé, sendo 8.076 indígenas, somados às populações tradicionais de castanheiros, seringueiros e extrativistas. A diversidade cultural do quinto território Origens Brasil®  se expressa nas 20 línguas indígenas do tronco Tupi e Macro-jê, com diversas famílias tais como a Mondé, Aikanã, Kanoe e Koazá, além dos povos isolados sem tronco linguístico identificado.

A rede Origens Brasil® atua em prol da conservação de 52 milhões de hectares de floresta em pé. Seu objetivo é promover negócios sustentáveis em áreas protegidas da Amazônia - Unidades de Conservação e Terras Indígenas, garantindo a transparência e rastreabilidade da cadeia produtiva, promovendo assim, relações justas e éticas. 

As primeiras iniciativas pactuadas no Quinto Território devem acontecer em uma área de 342.249,77 mil hectares. As cadeias produtivas que serão fortalecidas pela iniciativa serão o artesanato, a borracha e a castanha-do-brasil.  Duas empresas membros do mercado da moda já  atuam na cadeia da borracha, a Osklen e a Vert. Na cadeia do artesanato novas parcerias já estão sendo construídas. 

As comunidades que participam desta iniciativa para o manejo da cadeia da borracha, serão seringueiros das Resex Federal e Estadual do Rio Cautário e da  Resex do rio Ouro Preto.

“Se pudesse te dizer algum sentimento sobre a entrada do Origens Brasil® em Rondônia, penso que isso está trazendo esperança para as pessoas. Esperança de poder continuar vivendo na e da floresta em pé. Como por exemplo o pessoal que hoje vive da comercialização da borracha nativa que ganhará novas parcerias de compra.” , diz Plácido Costa, biólogo e Articulador Interinstitucional do Pacto das Águas.

Ameaças

Rondônia é um território marcado pelo encontro dos rios da Amazônia e das estradas que trouxeram novas frentes de povoamento para a floresta. A proximidade destas regiões com as áreas protegidas faz o Território Tupi Guaporé enfrentar crescentes pressões e ameaças.  Entre as atividades destrutivas que geram impactos ambientais em todas as áreas estão a exploração ilegal de madeira, o garimpo e a invasão de áreas pela grilagem e a pecuária ilegal.

A presença destas atividades, mesmo fora das áreas protegidas, aumenta as queimadas ilegais nessas regiões. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Rondônia representa 11,73% do desmatamento da floresta. Em 2020, o estado perdeu 1.259 quilômetros quadrados de áreas naturais.

A grande maioria dos povos que integram o Quinto Território foram contactados depois de 1974. Os povos Tupi Mondé saíram do isolamento depois de parte de sua área original ser cortada por estradas como a BR-364 e a BR-319.

Segundo o recente relatório publicado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas, o Sul da Amazônia é a região mais ameaçada por possíveis incêndios e desmatamento. As ações de proteção desta região são fundamentais para a redução das emissões de gases que aquecem o planeta e para garantir a integridade da floresta em pé. 

A rede

A rede Origens Brasil® é uma iniciativa idealizada pelo  Imaflora® e o ISA® (Instituto Socioambiental). A rede atua  desde 2016 para fortalecer o comércio ético entre empresas e povos da floresta. Os territórios de atuação Origens começaram com a criação do Território do Xingu (MT/PA) e expandiu-se para os Territórios da Calha Norte (PA), Rio Negro (AM/RR) e Solimões (AM). 

O objetivo é promover negócios sustentáveis em áreas protegidas da Amazônia - Unidades de Conservação e Terras Indígenas, garantindo a transparência e a rastreabilidade da cadeia produtiva, promovendo relações justas e éticas. 

O Origens Brasil® conta com o financiamento tanto de fundos nacionais quanto internacionais, e da iniciativa  privada que apoiam ações de expansão e fortalecimento nos territórios do Xingu, Calha Norte, Rio Negro, Solimões e Tupi Guaporé, novo território em expansão. Há o apoio da Evoltz, Fundação Zurich,  Rainforest Foundation Norway e o Fundo Amazônia, que financiam as iniciativas da rede visando  fortalecer a economia da floresta em pé e a conexão dos povos da floresta com mercados consumidores mais éticos e transparentes.

A inserção do Origens Brasil® no território Tupi Guaporé representa uma grande oportunidade de atuação. A rede fortalece aspectos importantes do projeto “Nossa Floresta, Nossa Casa – Mosaico Tupi”, que busca em um de seus componentes, como um dos pilares da governança econômica territorial indígena, a conexão com mercados que valorizem sua produção, com a construção de relações sólidas e duradouras. 

A governança em rede, com o protagonismo das organizações locais, será uma importante ferramenta de fortalecimento e valorização dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, que atualmente sofrem diversas ameaças e pressões dentro de seus territórios, como exploração ilegal de madeira e garimpo, invasão por grilagem, construção de grandes empreendimentos, entre outros diversos problemas que afetam seus modos de vida.

Saiba mais: www.origensbrasil.org.br e [email protected]

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