VENHO FALAR DE DESAMOR

Sim, a gente precisa se desamar um pouco, eu preciso, você precisa,todo mundo precisa

Fonte: José Danilo Rangel/Foto: Anna Tarazevich | pexels.com - Publicada em 11 de junho de 2026 às 11:55

VENHO FALAR DE DESAMOR

Todo dia, pela manhã, tomo dois 
golinhos de desamor próprio,
frio e sem açúcar, que é pra amargar 
mesmo;

Mas é bom, sabia? Baixar um pouco 
a bola, ficar feliz não por se sentir
a última bolacha no pacote, 
por apenas estar no pacote, 

Tanta bolacha por aí, despacotada…

A gente anda muito carente, sabia?
De amor, de se sentir amado e tal,
coisa que os “fast loves” não resolvem

Ao mesmo tempo, a gente anda
tonto de só orbitar o próprio umbigo,
é tudo eu, eu, eu… A pergunta
e a resposta pra tudo.

“Eu preciso de amor, mas ninguém 
pode me amar como eu me amo”

“Preciso me proteger, mas ninguém 
pode me machucar como eu me 
machuco”

“Eu encaro o meu maior inimigo
no espelho”

Os outros não servem mais nem 
pra ser o inferno, num mundo onde
cada parte se acha maior que o todo.

A geração que não quer esperar
nada de ninguém, espera tudo
de si (só de si)

“Só eu me amo, porque só eu 
me jogaria na bala por mim”

A gente tá se amando muito,
vivendo em lua de mel com a gente 
mesmo, 

A gente tá muito iludido!

Exatamente por isso, venho aqui, 
nesse poema, dizer que a gente 
precisa se desamar um pouco. 

Não importa o que o Instagram diga,
há sim, desses momentos, 
em que a gente precisa se desamar
um pouco, nem que seja um pouco;

Sim, a gente precisa se desamar
um pouco, eu preciso, você precisa,
todo mundo precisa

Igual o Narciso precisava.

VENHO FALAR DE DESAMOR

Sim, a gente precisa se desamar um pouco, eu preciso, você precisa,todo mundo precisa

José Danilo Rangel/Foto: Anna Tarazevich | pexels.com
Publicada em 11 de junho de 2026 às 11:55
VENHO FALAR DE DESAMOR

Todo dia, pela manhã, tomo dois 
golinhos de desamor próprio,
frio e sem açúcar, que é pra amargar 
mesmo;

Mas é bom, sabia? Baixar um pouco 
a bola, ficar feliz não por se sentir
a última bolacha no pacote, 
por apenas estar no pacote, 

Tanta bolacha por aí, despacotada…

A gente anda muito carente, sabia?
De amor, de se sentir amado e tal,
coisa que os “fast loves” não resolvem

Ao mesmo tempo, a gente anda
tonto de só orbitar o próprio umbigo,
é tudo eu, eu, eu… A pergunta
e a resposta pra tudo.

“Eu preciso de amor, mas ninguém 
pode me amar como eu me amo”

“Preciso me proteger, mas ninguém 
pode me machucar como eu me 
machuco”

“Eu encaro o meu maior inimigo
no espelho”

Os outros não servem mais nem 
pra ser o inferno, num mundo onde
cada parte se acha maior que o todo.

A geração que não quer esperar
nada de ninguém, espera tudo
de si (só de si)

“Só eu me amo, porque só eu 
me jogaria na bala por mim”

A gente tá se amando muito,
vivendo em lua de mel com a gente 
mesmo, 

A gente tá muito iludido!

Exatamente por isso, venho aqui, 
nesse poema, dizer que a gente 
precisa se desamar um pouco. 

Não importa o que o Instagram diga,
há sim, desses momentos, 
em que a gente precisa se desamar
um pouco, nem que seja um pouco;

Sim, a gente precisa se desamar
um pouco, eu preciso, você precisa,
todo mundo precisa

Igual o Narciso precisava.

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